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Ceará
NOTÍCIA

Chuvas de março no Ceará superam em 38.2% a média para o mês

As chuvas foram positivas em todas as macrorregiões; litoral de Fortaleza contribuiu para os maiores acumulados do Estado durante o primeiro bimestre da quadra chuvosa

Ismia Kariny
13:23 | 01/04/2020
FORTALEZA, CE, BRASIL, 31-01-2020: Pedestres em chuva forte. Fortes chuvas em Fortaleza. (Sandro Valentim/O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 31-01-2020: Pedestres em chuva forte. Fortes chuvas em Fortaleza. (Sandro Valentim/O POVO) (Foto: Sandro Valentim)

As chuvas de março no Ceará ficaram acima da média esperada, registrando o segundo mês de março mais chuvoso em 33 anos, com o acumulado de 281.1 milímetros. Conforme os dados preliminares da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o acumulado supera em 38.2% a normal para o mês, e fica atrás apenas do recorde pluviométrico observado em 2008. Na época, o Estado registrou precipitações de 332.5 milímetros, enquanto a normal para o período é de 203.4 mm.


As chuvas no primeiro trimestre foram bem distribuídas no Estado, atingindo todas as regiões do Ceará com resultados positivos de precipitação. Segundo Meiry Sakamoto, gerente de meteorologia da Funceme, os dois primeiros meses da quadra chuvosa, fevereiro e março, tiveram 436 milímetros de precipitação. “É o melhor bimestre desde 1986, quando choveu 566.1 milímetros”, afirma. Os dois meses alcançaram 32.3% a mais que a normal climatológica para o período, de 322 milímetros.


O litoral de Fortaleza foi a principal macrorregião que ajudou a levantar os acumulados de chuva no Ceará. No bimestre, a região teve volume acumulado de 795 milímetros, que representa o valor de 106.7% acima da normal climatológica. Já a região com menor acumulado foi o Cariri, que registrou 496.9 milímetros de chuva, 32.9% acima da normal no somatório dos meses de fevereiro e março de 2020.


Embora as chuvas no Centro-Norte do Ceará tenham ocorrido de maneira mais abundante, a gerente de meteorologia da Funceme afirma que a distribuição das precipitações foram mais uniformes. Esse cenário, segundo ela, ocorre principalmente pela influência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) nessa área do Estado.


Há ainda a influência da formação de áreas de instabilidade que favorecem as condições de chuva no Ceará nesse período, como os Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCan) e sistemas frontais estacionários na região da Bahia. “Tudo isso tem contribuído para que as chuvas de 2020 sejam mais uniforme”, explica Meiry Sakamoto.


Prognóstico da Funceme

A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) indica em prognóstico que até maio há chances iguais, de 40%, para as chuvas ficarem dentro ou acima da média; e 20% de possibilidade de ficarem abaixo da média. “Lembramos que em abril a normal climatológica, considerando o Ceará como um todo, é de 188 mm, um pouco abaixo da normal para março, que é o mês mais chuvoso em anos normais”, diz a gerente de meteorologia da Funceme.


Meiry Sakamoto acrescenta que, embora as chuvas tenham proporcionado aportes nos reservatórios do Ceará, a situação ainda é bastante preocupante, e requer conscientização de todos em relação ao uso e consumo da água.


Nível dos açudes melhora, mas ainda requer atenção


Com chuvas 38.2% acima da média em março, os aportes deram um salto. Foram 2,4 bi de metros cúbicos no acumulado mês, contra 680 milhões em março de 2019, segundo dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). Nesse cenário, o Castanhão foi o reservatório que mais recebeu aportes durante a quadra chuvosa de 2020. Até o momento, foram 548,6 mi de metros cúbicos, sinalizando início de recuperação.


Nas porções mais ao Norte e litoral, o nível dos reservatórios é mais confortável, enquanto as porções mais ao Sul, região jaguaribana e de Crateús iniciam uma cautelosa recuperação. “Temos um déficit que vem se acumulando desde 2012, então só uma quadra excepcional para reverter esse quadro de uma só vez. Estamos atravessando uma boa quadra chuvosa, mas ainda precisamos permanecer diligentes”, adverte o presidente da Cogerh, João Lúcio Farias.


Dos 155 açudes monitorados pela Cogerh, até esta quarta-feira, 1º, 60 açudes ainda estão com volume menor que 30%, seis registram nível superior a 90% e 33 estão sangrando. Há ainda cinco reservatórios secos e 10 com volume morto.