PUBLICIDADE
Ceará
NOTÍCIA

Médicos servidores declaram estado de greve no Ceará

Os profissionais alegam que o Plano de Cargos, Carreiras e Salários para médicos servidores estaduais não foi implantado adequadamente desde 2008

12:43 | 17/01/2020
O estado de greve foi decidido na quarta-feira, 15, em assembleia geral extraordinária realizada no Sindicato dos Médicos do Ceará
O estado de greve foi decidido na quarta-feira, 15, em assembleia geral extraordinária realizada no Sindicato dos Médicos do Ceará (Foto: Divulgação/Sindicato dos Médicos do Ceará)

Atualizado às 16h38min

Médicos servidores estaduais decretaram estado de greve nesta sexta-feira, 17, após assembleia geral extraordinária realizada no Sindicado dos Médicos do Ceará. Segundo os profissionais, a ação surge do estabelecimento não efetivo do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) por parte do Governo do Estado.

O estado de greve afeta todas as unidades de saúde estaduais, como o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, Hospital Geral de Fortaleza (HGF), Hospital São José (HSJ), Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS) e Hospital de Saúde Mental Professor Frota.

"Os médicos não possuem outra alternativa para garantir que o seu direito seja respeitado após mais de uma década de diálogo com o Poder Público”, destaca em nota o presidente da entidade, Edmar Fernandes.

O Sindicato dos Médicos requereu uma audiência pública com a Assembleia Legislativa para discutir a implantação do PCCS. O pedido foi aprovado pela Comissão de Saúde e aguarda agendamento. Segundo o presidente do sindicato, há a expectativa de que seja marcada para daqui a duas semanas. "Entre o final de janeiro e começo de fevereiro, no máximo".

Em entrevista ao O POVO, Edmar Fernandes justificou a greve como não sendo algo de última hora ou de surpresa, já que a Lei que instituí o PCCS já foi aprovada a 12 anos. "Depois de 12 anos de promessas, estamos vivendo uma crise na categoria, sem garantia de atender a população e sem receber salário", contextualizou.

Conforme o presidente do sindicato, a área da saúde está numa situação de penúria, onde o médico acaba sendo penalizado. "O profissional é penalizado quando faltam medicamentos, quando não são realizados exames, quando não há cirurgia por falta de material. Como o médico é o que está na linha de frente, a população entende que a culpa é do profissional pela falta de condições".

Antes da audiência pública, o sindicato deve passar em todos os hospitais para conversar com os médicos e esclarecer a situação, definindo quais serão as demandas da categoria. "Estão sugerindo que o PCCS seja escalonado em 3 anos. Temos que apresentar isso à categoria. Quem vai decidir não é o sindicato, são os médicos", afirmou Edmar.  

O POVO entrou em contato com as secretarias da Saúde (Sesa) e do Planejamento (Seplag) para um posicionamento sobre a situação. Em nota, a Secretaria da Saúde do Ceará informa que "está propondo uma estratégia para a realização da ascensão funcional dos funcionários". Que as reuniões estão sendo realizadas desde 2019 e que a Sesa, nesta quinta-feira, 16, "apresentou ao Sindicato dos Médicos os cálculos realizados e a forma de implantação em análise pelo Governo do Estado do Ceará para, dessa forma, garantir os direitos e a política de valorização das pessoas, usuários e profissionais de saúde".