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Ceará
NOTÍCIA

Casos de leishmaniose caem 23% em 2019; mas aumenta número de municípios com registro da doença

No último ano, foram registrados 294 casos e 19 óbitos no Estado; Fortaleza lidera ranking no total de casos de 2018

09:35 | 10/01/2020
A médica veterinária Juliana Furtado, porém, garante que os animais não transmitem a doença para os humanos.
A médica veterinária Juliana Furtado, porém, garante que os animais não transmitem a doença para os humanos. (Foto: Aurélio Alves)

O Ceará registrou 294 casos e 19 óbitos de leishmaniose visceral, doença mais conhecida como calazar, em 2019. A letalidade da doença é de 6,46% no Estado. O número divulgado pela Secretária de Saúde do Estado (Sesa) representa uma redução de cerca de 23% em relação ao ano anterior, que teve 383 registros. Porém, ocorreu uma expansão da doença no Estado. Enquanto em 2018, 83 dos 184 municípios registraram casos da doença, no ano seguinte foram 97 municípios cearenses com ocorrências confirmadas.

Fortaleza lidera o ranking mais recente da Sesa, com 80 casos da doença em 2018. No entanto, houve redução significativa desde 2013, quando a média era de 130 casos ao ano. De janeiro de 2007 a dezembro de 2019, foram registrados 7.025 confirmações e 420 óbitos no Ceará. O dado representa uma média de 540 casos ao ano. As mortes foram contabilizadas em 15 municípios. 

Nélio Moraes, coordenador de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), lembra que é importante considerar o número de casos de Fortaleza a partir de seu amplo contingente populacional e sua dimensão territorial. "Quando há a distribuição do número de casos pelo número de habitantes, Fortaleza não fica no primeiro lugar", assinala. Ele destaca as ações de controle do mosquito realizadas no Município, como instalação de armadilhas em áreas estratégicas. 

Neste ano, Fortaleza deve receber 150 mil coleiras com produto inseticida do Ministério da Saúde (MS) como forma de repelir e eliminar o mosquito vetor do calazar. As coleiras serão distribuídas para os cães de 12 bairros considerados como áreas mais vulneráveis da Cidade: Barra do Ceará, Cristo Redentor, Granja Portugal, Bom Jardim, Mondubim, Montese, Jangurussu, Parque Genibaú, Quintino Cunha, Jardim Iracema, Jardim Guanabara e Messejana.

Transmissão e tratamento

A leishmaniose pode ser fatal tanto para animais quanto para seres humanos e é transmitida através da picada do mosquito vetor, chamado de flebótomo e conhecido como mosquito palha ou cangalhinha. O mosquito só pode transmitir o calazar para o ser humano se picar um animal infectado com doença.

Os principais sintomas nas pessoas são febre, fraqueza, inchaço no abdômen, tosse seca e emagrecimento. A doença é mais frequente em pessoas entre 1 e 4 anos de idade, do sexo masculino e residentes na zona urbana. Nos animais, os sinais do calazar são emagrecimento, apatia e feridas na pele que não cicatrizam. Até outubro de 2019, dos 198.751 cães analisados para leishmaniose visceral canina no Ceará, 4,3% apresentaram resultado positivo.

Apesar de o calazar ser mais comum em cães, também podem ser atingidos pela doença gatos, ratos, raposas e gambás . A médica veterinária Juliana Furtado, porém, garante que os animais não transmitem a doença para os humanos. “Como o cão tem esse contato mais próximo das pessoas acabou levando esse estigma. Mas o cão não é o vilão, ele é tão vítima quanto os humanos”, explica.

O animal infectado precisa ser medicado e receber acompanhamento veterinário a cada quatro ou seis meses. O tutor também pode optar pelo sacrifício do seu animal. Ainda segundo a médica veterinária, hoje já existe uma vacina que previne a doença, mas só é oferecida em âmbito particular. Cada dose custa em média entre R$ 150 e R$ 160 e o animal precisa renovar a vacina anualmente para estar sempre protegido contra a doença.

Atualmente a Prefeitura de Fortaleza disponibiliza exame de calazar gratuito em seu Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ). Nélio Moraes, coordenador de Vigilância em Saúde da SMS, explica que a liberação da vacina está em fase de estudos pelo Ministério da Saúde (MS). "A vacina tem proteção individual do cão. O Ministério só libera se ela tiver impacto comprovado na redução dos casos humanos, assim como acontece com a doença da raiva, por exemplo", esclarece.

Ações do Estado

Uma das ações que vem sendo desenvolvida pelo Estado é a elaboração dos Planos Municipais de Ação nos cinco municípios prioritários de transmissão muito intensa e alta, que são Fortaleza, Caucaia, Itapipoca, Barbalha e Juazeiro do Norte.

Kellyn Cavalcante, assessora técnica da Vigilância epidemiológica da Sesa, afirma que, em outubro de 2019, a Sesa lançou um Plano de Ação para Intensificação da Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral no Estado. O documento consolida as principais linhas de ação para fortalecer a vigilância e tem como objetivo reduzir a mortalidade pela doença no Ceará até 2022, mediante o fortalecimento do diagnóstico, tratamento, reabilitação, prevenção, vigilância e controle.

Orientações para prevenir a doença:

- Manter os animais com coleiras que contenham produto repelente

- Realizar o exame sorológico no animal a cada seis meses, pelo menos

- Evitar levar os cães para passear em matagais no final da tarde; o mosquito prefere os horários do fim da tarde e amanhecer

- Vacinar os cães contra a doença, se possível

- Manter os canis telados

- Manter áreas externas e quintais limpos, recolhendo folhas e evitando umidade

Serviço

Centro de Controle de Zoonoses (CCZ)

Rua Betel, 2890 - Dendê

Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ)

Avenida I, 982, Regional I - Vila Velha

Rua 25 de março, 607, Regional II - Centro

Rua Alameda das Graviolas, 195, Regional II - Cidade 2000

Rua Trajano de Medeiros, 813, Regional II - Vicente Pinzón

Avenida D, 0, Regional V - Prefeito José Walter

Funcionamento: segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 17h.

É necessário levar documento de identidade e o comprovante de endereço, para que seja realizado o cadastrado e, em seguida, o atendimento.