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Bloco Cai no Poço faz sua estreia e cobra melhorias no Poço da Draga

O bloco teve concentração próximo às obras do Acquario Ceará e seguiu em cortejo pelas ruas da comunidade do Poço da Draga

19:22 | 28/02/2017

Fazer o folião brincar e se divertir no Carnaval, mas, também, cobrar do poder público o básico: saneamento. Estreante no Carnaval de Fortaleza, o Bloco Cai no Poço percorreu ruas esburacadas e enlameadas do Poço da Draga na tarde desta terça-feira, 28. A crítica, no entanto, não deu um tom negativo à festa. Teve marchinha, dança e fantasia: ingredientes indispensáveis na composição dos festejos mominos.

Os brincantes se concentraram das 14 às 16 horas no Pavilhão Atlântico, espaço localizado próximo à obra de construção do Acquario Ceará, na Praia de Iracema. De lá, guiados pela personagem Bernadete — figura do imaginário popular da comunidade do Poço da Draga —, percorreram ruas ao som de marchinhas e encantaram quem assistiu ao cortejo da porta de casa. Com problemas de saúde que impediram que ela acompanhasse o bloco, a aposentada Fátima Vieira, 57, disse que achou a “super legal” a “novidade”. “Por aqui só passava o pessoal do mela-mela”, relatou a mulher, escorada no portão.

Morador do Poço da Draga desde criança, Wagner Castro, 41, chamou a atenção dos amigos da comunidade enquanto acompanhava o cortejo do Cai no Poço. Fantasiado de “sereia no aquário”, ele lembrou que o bloco pretende dar visibilidade aos problemas do Poço da Draga, com ênfase no saneamento básico.

Para Wagner, a solução não é retirar os moradores e levá-los para outro bairro de Fortaleza, mas garantir que, no próprio local onde a comunidade existe há 100 anos, sejam feitas mudanças. "O Poço da Draga se nutre do mar, da praia. Peixe fora d'água, morre", compartilhou ele, que trabalha com moda.

Às 17 horas, o Cai no Poço terminou o cortejo e se concentrou novamente no Pavilhão Atlântico. Lá, os foliões curtiram o som da banda Salada Mista e dos DJ’s Estácio Facó e Darwin Marinho.

Bernadete
Segundo Wagner Castro, Bernadete “é aquela pessoa que gosta de curtir. Dizem que ela é boa cozinheira. É um pouco fechada, tem jeito próprio. A gente chama ela e ela ‘dá’ língua pra gente, não para, não fala. Quero que tu veja”, detalhou. A personagem serviu de inspiração para a fantasia do homem que guiou o Bloco Cai no Poço.

Financiamento coletivo
Organizado pelo Movimento Pró Poço, o Bloco Cai no Poço contou com muitos colaboradores para conseguir estrear no Carnaval. A marca foi criada pelo artista visual Rafael Limaverde e a produção foi financiada pela própria comunidade do Poço da Draga, com colaborações financeiras diretas ou pela plataforma de financiamento coletivo Vakinha. O bloco também foi apoiado por instituições como o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e a Fundação Sintaf.

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