Artista do Crato pinta mural em homenagem ao cão Orelha e comove a web

Na obra, Wanderson Petrova retrata o cão nos braços de São Francisco de Assis, santo conhecido na tradição católica como protetor dos animais

16:05 | Jan. 30, 2026

Por: Samira Salyorania/Especial para O POVO
Mural Pintado pelo artista Wanderson Petrova na cidade do Crato, no Cariri (foto: Reprodução / Wanderson Petrova)


A comoção causada pela morte do cão comunitário Orelha, vítima de maus-tratos em Florianópolis (SC), ganhou forma artística no Cariri. Um mural em homenagem ao animal foi pintado na Avenida Perimetral, próximo à rodoviária de Crato, pelo artista visual Wanderson Petrova, com a colaboração do também artista Deivison Braga Fernandes.

Orelha, que tinha cerca de 10 anos, era um cachorro comunitário no bairro Praia Brava e morreu após ser brutalmente agredido. O caso teve repercussão nacional e é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Quatro adolescentes são apontados como suspeitos do crime e outros três adultos foram indiciados por tentativa de obstrução da justiça.

Na obra, Wanderson Petrova retrata o cão nos braços de São Francisco de Assis, santo conhecido na tradição católica como protetor dos animais. Ao redor da imagem, o mural traz a frase: “São Francisco interceda pela vida dos pequenos, dos esquecidos também”. Um detalhe simbólico chama atenção: a mão do santo que abraça Orelha possui seis dedos, representando, de forma poética, o número de suspeitos citados pelo artista como responsáveis pela morte do animal.

Em publicação nas redes sociais, Wanderson desabafou sobre a violência sofrida pelo cão e criticou a crueldade humana. “Se os animais tivessem uma religião, a humanidade seria o diabo”, escreveu.

Em entrevista à rádio O POVO CBN Cariri, o artista explicou o conceito da obra. Segundo ele, a ideia foi transformar o número ligado à violência em um gesto de acolhimento simbólico. “São seis indivíduos, seis suspeitos. Eu queria que esse número tivesse um acalento, uma forma poética. Por isso que a mão que abraça o Orelha tem seis dedos”, afirmou.

Wanderson também destacou que o mural é um ato de denúncia e reflexão. “Que o orelha recebesse esse abraço de São Francisco, já que da humanidade ele não conseguiu”, disse.