Pastor fundador da 'Machonaria' é acusado de desviar R$ 500 mil

Liderado pelo pastor Anderson Silva, o movimento enfrenta crise após uma acusação de desvio e renúncia de 18 pastores do grupo evangélico

13:08 | Jun. 15, 2025

Por: Sofia Herrero
Liderado pelo pastor Anderson Silva, o movimento enfrenta uma crise após a acusação e renúncia de 18 pastores do grupo evangélico (foto: Reprodução/Instagram)

Definido como o "maior movimento de masculinidade da América Latina", a Machonaria enfrenta uma crise institucional após um grupo de 18 pastores anunciar renúncia coletiva aos cargos no último mês.

Em carta divulgada nas redes sociais, ex-membros do grupo evangélico alegam que a decisão foi motivada pela falta de transparência e pela violação dos princípios da instituição por parte do presidente, o pastor brasiliense Anderson Silva.

Os relatos apontam uma série de práticas irregulares que, segundo os pastores, caracterizam má gestão dos recursos, confusão entre finanças pessoais e institucionais e uso indevido de dados de terceiros para contratos e financiamentos, configurando um desvio de R$ 500 mil.

Entre os que renunciaram aos cargos estão os pastores que ocupavam a vice-presidência da instituição, Radamés Morais, e a diretoria administrativa do hub social, Jhonny Alves.

O hub social da Machonaria abarca 33 projetos sociais, mas, segundo ex-líderes do movimento, desses apenas cinco estão em operação.

Segundo Radamés, os problemas financeiros estariam justamente nesse braço social da entidade, que possui dificuldades que vão desde atrasos de salários de funcionários até ordem de despejo por falta de pagamento de aluguel.

"Começaram a chegar várias cobranças: aluguel atrasado, ordem de despejo, contas de energia que não eram pagas. Nós, então, fazíamos um rateio entre nós mesmos para conseguir pagar a energia elétrica", detalhou Radamés Morais ao Metrópoles.

Pastor Anderson Silva saiu dos grupos e se negou a prestar contas

Segundo o vice-presidente, a princípio, um desvio de contas não passou pela cabeça dos demais pastores. Contudo, com o agravamento da situação, o grupo se juntou com o intuito de criar um plano de ação e fazer uma projeção financeira para quitar esses débitos. Após esse momento, Anderson saiu dos grupos da diretoria sem dar nenhuma satisfação.

Antes disso, Anderson Silva teria se negado a divulgar tanto uma prestação de contas do dinheiro do hub social, que era movimentado apenas por ele, como a pagar os débitos informados por outros líderes da Machonaria.

A renúncia do grupo de pastores veio depois de tentarem mais uma reunião com Anderson Silva e não serem recebidos. "Para nós, o prejuízo está sendo moral, está sendo da nossa imagem e ao que estamos sendo vinculados", afirmou Radamés.

"Campanha de difamação", diz Anderson Silva sobre acusações contra ele

Com a repercussão da crise institucional vivida pela Machonaria, o pastor que fundou o movimento trocou o nome do hub social para Instituto Família Silva.

Pelas redes sociais, Anderson chamou as denúncias de "campanha de difamação". "Tudo era uma suspeita de homens de alma pequena", disse em referência aos ex-líderes. "Irados, estão empenhados em prejudicar o meu nome e depreciar aquilo que faço há 24 anos", finalizou.

O que é o movimento Machonaria?

No site do movimento, a Machonaria é definida como uma confraria nacional de homens. Segundo definição feita pelo próprio Anderson Silva, o objetivo é "resgatar a masculinidade bíblica", seguindo "os ensinamentos de Jesus Cristo".

"Cremos que o homem, em sua totalidade cristocêntrica, é o remédio para uma sociedade disfuncional, segundo o caráter de Deus", afirma o site.

Entre os projetos sociais desenvolvidos pelo hub figuram ações para ajudar pessoas autistas, famílias em vulnerabilidade social, pastores em depressão e “resgate de ex-transexuais”.

Esta, contudo, não é a primeira vez que o nome de Anderson está envolvido em polêmicas. Entre as principais estão suas declarações consideradas machistas, como a afirmação de que mulheres têm “potencial demoníaco”.

No campo político, também gerou controvérsia ao fazer orações pedindo a quebra da mandíbula de Lula, o que resultou em investigação da Polícia Federal.