Valdecy Urquiza: quem é o 1º brasileiro a chefiar a Interpol

O delegado também é o primeiro representante de uma nação em desenvolvimento a ocupar a posição na instituição. Conheça mais sobre Urquiza

14:25 | Nov. 05, 2024

Por: Évila Silveira
Valdecy Urquiza conheça o brasileiro que é o novo Secretário-Geral da Interpol (foto: ANDY BUCHANAN / AFP)

A Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) contará, pela primeira vez, com um brasileiro no comando a partir de quinta-feira, 7. O delegado da Polícia Federal Valdecy Urquiza passará a atuar como secretário-geral da instituição pelos próximos cinco anos.

Até agora, a Interpol teve oito secretários-gerais: um austríaco, cinco franceses, um britânico, um alemão e um estadunidense. Urquiza é o primeiro representante de uma nação em desenvolvimento a ocupar o posto na organização.

Em entrevista à CBN na manhã desta terça-feira, 5, o delegado avaliou ser uma grande oportunidade para a segurança pública brasileira e uma forma de contribuir internacionalmente “trazendo uma perspectiva diferente do mundo”. Conheça mais sobre o brasileiro.

Valdecy Urquiza: quem é o brasileiro na Interpol?

Nordestino nascido em São Luís, no Maranhão, Urquiza é filho de um bacharel em Direito e ingressou na Polícia Federal em 2004 por concurso.

O delegado despertou o interesse pelo trabalho de cooperação internacional ao se deparar com crimes que implicavam a ação de grupos em diversos países, como fraudes cibernéticas e lavagem de dinheiro.

Valdecy Urquiza na Interpol: formação e carreira

Valdecy fez bacharelado em Direito pela Universidade de Fortaleza (Unifor), já cursou Administração Pública e fez Pós-Graduação em Direito Ambiental e Gestão Estratégica da Sustentabilidade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).

Urquiza também fez cursos voltados para a área criminal, política e jurídica nos Estados Unidos e no Japão. Delegado de Polícia Federal desde 2007, ele já atuou na função de Diretor de Cooperação Internacional da Polícia Federal e tem vasta experiência na área.

Experiências anteriores na Interpol

Em 2021, foi eleito para o cargo de vice-presidente da Interpol para as Américas com mandato entre 2021 e 2024. Antes disso, atuou como diretor-adjunto para Comunidades Vulneráveis e diretor de Combate ao Crime Organizado da Secretaria-Geral da Interpol.

Valdecy Urquiza na Interpol: planos para o novo cargo

Urquiza contou em entrevista à Unifor em agosto deste ano que seu plano de trabalho como secretário-geral da Interpol deve fortalecer a gestão estratégica da Organização na adoção de novas tecnologias para “fortalecer o apoio aos próprios países em desenvolvimento”.

O delegado afirmou ter como objetivo principal combater, em escala global, o abuso infantil on-line e também terá como foco os países em desenvolvimento. Ele acredita que o trabalho de cooperação internacional é uma das grandes ferramentas para o combate à criminalidade moderna.

“Acredito que o trabalho que a Polícia Federal tem desenvolvido na área de cooperação internacional tem sido também uma referência mundial e, por isso, acredito que é um reconhecimento não só a mim, o indivíduo, mas à instituição a qual pertenço”, disse.

Valdecy Urquiza na Interpol: como funciona a organização?

A Interpol é composta por 196 nações e é a responsável pela coordenação das redes policiais e especialistas em diversas modalidades de crimes.

Estabelecida em 1923, tem sua sede em Lyon, na França ela foi criada tendo como foco inicialmente impedir a fuga de criminosos entre países. Hoje em dia, a emissão de alertas é um dos principais instrumentos para combater o crime internacional, transmitindo informações sobre delitos e criminosos.

“O mundo mudou, as prioridades mudaram, mas a organização continua com essa premissa de servir de plataforma para a cooperação entre os países. Hoje a Interpol passa a facilitar a troca de informação não só mais de fugitivos, trata de uma gama de outras ameaças, desde os crimes cibernéticos até o terrorismo e a exploração de comunidades vulneráveis”, disse Urquiza em entrevista à Unifor.