Homem é declarado morto após 55 anos desaparecido

Braulino Santana saiu para o garimpo e nunca mais voltou. De lembrança, só uma carta escrita para a família, dizendo que ia buscá-la para uma vida melhor

O ano era 1968. Local: interior de Lizarda, na região oeste do estado do Tocantins. Um drama familiar. De lá pra cá, lembranças, angústia e incertezas. Após 55 anos de desaparecimento, depois de escrever uma carta de punho para a família - que trabalhava na roça - com a promessa de retorno para buscá-los, Braulino Santana foi declarado morto.

A sentença foi deferida pela juíza Aline Marinho Bailão, da 1ª Escrivania Cível de Novo Acordo, a pedido da esposa e dos cinco filhos. O Ministério Público do Estado do Tocantins se manifestou favorável à solicitação.

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Uma presumida morte. A última vez em que foi visto: sua ida ao garimpo, trabalho que também desenvolvia, para além da roça. Nunca mais voltou ou deu notícias; apenas a carta. Uma de suas filhas é Maria do Socorro Rodrigues.

Em entrevista ao G1 Tocantins, ela contou que o pai tinha o sonho de dar uma vida melhor à família. Para isso, buscava outra cidade para encontrar a solução. Segundo seu relato, a mãe, Geni Rodrigues Santana, não aceitava essa mudança, devido ao vício em bebida do marido.

Os filhos foram deixados ainda crianças. Restou a saudade ao longo do tempo e uma falha na lembrança física e emocional. A última recordação palpável foi a carta escrita em 15 de julho daquele ano, enviada do município de Pedro Afonso, também em Tocantins.

“Ele saiu de lá da fazenda, convidou minha mãe, mas ela disse que não iria naquele momento porque não acreditava. Naquele tempo era muito difícil, muito distante, a gente não tinha desenvolvimento e talvez a minha mãe não teve aquela confiança de acompanhar", relatou Maria do Socorro ao G1.

Ainda de acordo com ela, após escrever a carta falando em buscá-los e gerando a expectativa entre os membros da família, ninguém apareceu. “Algum tempo depois, a gente procurava notícias, mas não tinha notícia dele. E naqueles anos as pessoas saíam muito para garimpo, na ilusão de ganhar dinheiro. E nessa história acabavam muitos desaparecendo”, lembra. Maria do Socorro acha que o pai desapareceu nas encostas do garimpo.

"A gente ficou na espera pela vida. Minha mãe foi em alguns lugares procurando meu pai, por exemplo em Colméia, em Paraíso, mas nunca foi possível. A gente acha que ele desapareceu nessas encostas de garimpo, porque a ilusão dele era trabalhar nos garimpos", explicou.

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