Presídio de segurança máxima: últimas notícias sobre a fuga no RN

Dois detentos fugiram de uma unidade de segurança máxima em Mossoró. Esta foi a primeira fuga registrada em um sistema penitenciário federal; entenda o caso

20:57 | Fev. 14, 2024

Por: Penélope Menezes
Dois presos fugiram da Penitenciária Federal de Mossoró; entenda o que se sabe até agora (foto: Reprodução/Google Street View)

Os presos Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento foram os primeiros em registro a fugirem de uma penitenciária federal. A fuga foi confirmada nesta quarta-feira, 14, pela Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Norte.

Entre os cinco presídios de segurança máxima no Brasil, Mendonça e Nascimento fugiram da Penitenciária Federal de Mossoró, na região Oeste do Rio Grande do Norte. O par havia sido transferido para a unidade em setembro de 2023, após envolvimento em rebelião no presídio de Antônio Amaro, no Acre.

Os dois homens são ligados ao Comando Vermelho e também conhecidos pelos apelidos “Tatu” (Mendonça) e “Deisinho” (Nascimento).

O secretário nacional de Políticas Penais do Ministério da Justiça, André Garcia, viajou para Mossoró com o objetivo de acompanhar os esforços de recaptura dos foragidos.

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Presídio de segurança máxima: como a fuga aconteceu?

As circunstâncias da fuga ainda estão sendo apuradas pela Polícia Federal, após esta ser acionada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

De acordo com informações fornecidas ao O POVO, os presos não tinham contato entre si, mas conseguiram orquestrar a saída em conjunto. Ambos teriam iniciado a fuga por abertura em luminária no teto de suas celas e cortado a cerca.

Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social do Rio Grande do Norte relatou “contato com as secretarias de Segurança Pública da Paraíba e do Ceará para a realização de ações integradas de reforço policial nas divisas entre os estados”.

Presídio de segurança máxima: quem são os fugitivos?

Saiba quem são os presidiários responsáveis pela primeira fuga já registrada em uma penitenciária de segurança máxima no Brasil.

Rogério da Silva Mendonça (‘Tatu’)

Natural de Rio Branco, capital do Acre, Rogério da Silva Mendonça estava há quatro meses na Penitenciária Federal de Mossoró.

Em 2023, participou de uma rebelião em outro presídio de segurança máxima, o Antônio Amaro, resultando na morte de cinco detentos.

Deibson Cabral Nascimento (‘Deisinho’)

Natural de Brasiléia, também no Acre, Deibson Cabral Nascimento foi um dos transferidos ao lado de Tatu por ligação com a mesma rebelião no Presídio Antônio Amaro Alves.

Presídio de segurança máxima: como é a unidade em Mossoró?

O Brasil possui cinco presídios de segurança máxima em seu território, localizados em Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Brasília (DF), além de Mossoró (RN).

De acordo com o seu portal oficial, o Sistema Penitenciário Federal (SPF), coordenado pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), é um regime de execução penal desenvolvido com a finalidade de combater o crime organizado, isolando as lideranças criminosas e os presos de alta periculosidade.

Inaugurada em 2009, a Penitenciária Federal de Mossoró tem capacidade máxima para 208 presos, incluindo instalações com cerca de 13 mil metros quadrados.

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Presídio de segurança máxima: providências tomadas até agora

Em nota à imprensa relacionada aos dois detentos nesta quarta-feira, 14, o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, destacou a adoção das seguintes providências:

1. Determinou a ida do secretário Nacional de Políticas Penais, André Garcia, a Mossoró, acompanhado de uma equipe de seis servidores, para a apuração presencial dos fatos e a tomada das ações cabíveis no âmbito administrativo;

2. Acionou a Direção-Geral da Polícia Federal para abertura de investigações e o deslocamento de uma equipe de peritos ao local, com objetivo de apurar responsabilidades e de atuar na recaptura dos dois fugitivos, ação que já conta com o engajamento de mais de 100 agentes federais;

3. Ordenou a mobilização das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), que congregam as polícias federais e estaduais nas ações de repressão da criminalidade organizada, para colaborarem com os esforços de localização e prisão dos foragidos;

4. Instruiu a Polícia Federal (PF) para que efetuasse o registro dos nomes dos fugitivos no Sistema de Difusão Laranja da Interpol, bem como a sua inclusão no Sistema de Proteção de Fronteiras, para que sejam procurados pela comunidade policial internacional;

5. Mobilizou a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para que realize o monitoramento das rodovias sob sua jurisdição e dê suporte à recaptura dos presos;

6. Mandou que fosse realizada uma imediata e abrangente revisão de todos os equipamentos e protocolos de segurança nas cinco penitenciárias federais.

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