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The Mystery Machine: a kombi do juiz nerd baiano e seus cinco cachorros

Rodolfo Pamplona Filho não vê a hora de exibir no trabalho 'a Kombi mais colorida de Salvador'
07:59 | Jan. 24, 2022
Autor Correio 24 horas
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Camille Paglia, Jean-Paul Sartre, Hannah Arendt, Carlos Cossio e Hans Kelsen. Intelectuais da Arte, do Direito e da Filosofia, mas também os nomes dos cinco cachorros de Rodolfo Pamplona Filho, de 49 anos. Ele é juiz da 32ª Vara do Trabalho de Salvador, professor universitário, presidente da Academia de Letras Jurídicas da Bahia e o mais novo dono da Mystery Machine ou Pamplona Car. O carro foi especialmente adquirido para realizar seu sonho de ter uma Kombi e passear pela cidade com os bichinhos de estimação.

Não poderia haver um carro melhor para transportar as cinco figuras. Mas ainda assim não poderia ser uma Kombi qualquer. “Eu queria o carro mais colorido de Salvador. De um lado é a Mystery Machine, do Scooby-Doo, uma espécie de homenagem ao Carlos Cossio. Do outro, tem a caricatura dos cinco e ainda do cachorro da minha filha, o Buck, que é o meu neto canino”, conta.

Passear com os cinco é uma verdadeira prova de resistência. Enquanto Camille caminha serenamente, Carlos e Hans saem disparados. Jean-Paul se assusta e fica agitado com qualquer veículo que passe por perto. Agora ficará mais fácil levá-los ao Comércio e à praia, por exemplo. “Desde pequeno, sempre fui fascinado por Kombi’s. E, desde que me vi com a matilha, eu sempre imaginei que não haveria carro melhor para transportá-los”.

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Rodolfo Pamplona Filho personalizou a Kombi inspirado em Scooby-Doo
Rodolfo Pamplona Filho personalizou a Kombi inspirado em Scooby-Doo (Foto: Ana Lúcia Albuquerque/ CORREIO)

 

Quando questionado sobre a inspiração para a plotagem do veículo, ele diz: “Vou fazer 50 anos e estou voltando a ser eu mesmo”, diz. “Quando eu tinha 18 anos, eu não sabia se ia fazer Direito, Composição e Regência, Engenharia ou ia ser hippie em Morro de São Paulo. Aí eu fiz um poema chamado ‘Vocação’, que diz que a verdadeira vocação é ter a coragem de ser você mesmo. Eu escrevi com 18 anos e estou vivendo isso agora aos 49”.

A Kombi plotada ficou pronta na última sexta (21). “Eu fiquei encantado. Sabe um menino ganhando um brinquedo novo?”. Faltam alguns ajustes, como cinto de segurança especial e ar-condicionado para o maior conforto dos cães, mas Rodolfo não vê a hora de exibi-la por aí, inclusive, no trabalho. “Vou amar ir fazer audiências, ministrar aulas ou fazer palestras de Kombi. Vai ser engraçado estacioná-la ao lado dos belíssimos carrões dos amigos e amigas da área!”, brinca.

A paixão por cães é recente, e o grupo de cinco foi rapidamente formado. “Eu já tinha Camille e Jean-Paul. Aí fui no lar ‘Marina Adota’ adotar o Hans. Mas ele tinha uma irmã, então eu ia levar os dois. Só que nessa eu me encantei pelo Carlos, esse dálmata enorme que tinha sido abandonado amarrado em um poste na estrada. Me disseram que ninguém queria ele por causa do tamanho, então eu levei ele também. Eu fui juiz com 23 anos, professor com 24, mestre com 25. Eu fiz tudo certinho na vida, agora preciso de um pouco de caos”, justifica.

Personalidades diversas

 


Quem chega à casa de Rodolfo é logo recebido pelos latidos, mas os cinco, apesar de numerosos, não são nada assustadores. O dono faz questão de apresentar cada um deles. “Camille Paglia acha que é minha mãe, se ela sentir que estou em perigo, ataca. Jean Paul-Sartre acha que é meu pai ou meu dono; faz audiência, palestra, vídeo e aula ao meu lado e, se eu saio de casa, fica deprimido. Hans Kelsen acha que é um gato, sobe em todas as estantes da casa. Hannah Arendt acha que é hippie, tudo é na paz e amor. Carlos Cossio acha que é uma mistura de canguru com avestruz, sai pulando e mastigando tudo que vê pela frente”, descreve.

 

Os cachorros Camille Paglia, Jean-Paul Sartre, Hannah Arendt, Carlos Cossio e Hans Kelsen
Os cachorros Camille Paglia, Jean-Paul Sartre, Hannah Arendt, Carlos Cossio e Hans Kelsen (Foto: Ana Lúcia Albuquerque/ CORREIO)

 

Todos os cinco foram adotados e têm um passado de violência. Rodolfo, emocionado, fala dos traumas que os bichinhos carregam e do amor que sente por eles e recebe deles. “Eu saio de casa e, quando volto, a sensação deles é de alívio por não terem sido abandonados. É a coisa do trauma que eles têm. O Carlos é o mais empolgado, ele pula em mim, fica muito feliz como se dissesse ‘Papai chegou!’. Esse é o caos da minha vida. Minha casa não é tão limpa porque com cinco cachorros isso é impossível, mas é uma casa feliz”, diz.

No corredor da casa, uma parede com cinco quadros: pinturas de cada um dos cães. Foi um presente de Natal que Rodolfo recebeu da filha, Marina, de 21 anos. Esses são somente alguns dos diversos quadros peculiares espalhados pela casa que ajudam a explicar de onde vem a inspiração da plotagem da Kombi. É que Rodolfo é um nerd assumido, daqueles de carteirinha mesmo.

Decoração pop

 


Em casa, chama a atenção uma parede de Funko Pop, bonecos colecionáveis da cultura pop. Mas a parede, na verdade, é uma porta que vai dar num escritório. “É inspirada na decoração da casa de Tiago Abravanel, que está agora no Big Brother”, diz. Ao chegar ao escritório, mais uma surpresa. Rodolfo empurra uma parte de uma estante de livros e adivinha: uma passagem secreta! O disfarce vai dar numa minibiblioteca que abriga sua coleção de livros.

Na porta de cada quarto, uma plaquinha diferente. Uma delas faz referência à Friends e outra à How I Met Your Mother, para não ter divergência. Os tapetes da casa trazem frases de filmes como Star Wars ou do mundo animal, como ‘Não repare a bagunça, a culpa é dos cachorros’.

Há vários quadros que reproduzem a Santa Ceia de uma forma diferente, trocando os apóstolos pelos vingadores, por exemplo. E ali nem o banheiro escapa da temática. Lá dentro, uma parede repleta de fotos de personalidades icônicas sentadas em vasos sanitários. O acervo vai de Gretchen e Xuxa à Charles Chaplin e Freddie Mercury.

Quem pensa que acabou está enganado. Os dois itens mais curiosos ficaram para o final. Um é o poste daqueles que os bombeiros usam. Mas a referência não vem daí. “É igual ao que o Batman tem em casa”. Rodolfo faz questão de convidar todos os visitantes a se aventurar na descida, inclusive esta repórter e fotógrafa, que toparam o desafio. O outro item é uma sala de cinema. Isso mesmo. Com telão, sofá e diversas almofadas, quadros e bonecos do mundo nerd.

A última atração da casa revela o outro lado de Rodolfo, mas também fecha com chave de ouro a mistura que ele representa. É o estúdio de música. O juiz e professor também é cantor da banda Crooners in Concert, criada em 2015. Rodolfo, Fábio Rocha, Cássio Brasil, Adelmo Schindler e Ricardo Barata misturam rock e jazz, assim como covers e músicas autorais. “Eles são os músicos de verdade, eu sou o artista cara de pau que se aventura e se diverte”, diz Rodolfo. Agora eles estão focados em um projeto de MPB: “Palavra Cantada”, contemplado na plotagem da Kombi. 

No estúdio, não poderia faltar mais um pouco de decoração nerd. Misturada aos instrumentos, a roupa que ele usa para dar aula e participar de audiências online: camisa social, gravata e paletó. Na mesa, está o computador apoiado sobre uma pilha de livros que vão de Código de Direito Civil a histórias em quadrinhos da Marvel.

As músicas autorais da banda são os poemas musicados que Rodolfo escreve. A cada cinco minutos de conversa, é um hobby, um talento ou uma curiosidade a mais descoberta. “A primeira música lançada foi ‘Preconceito’, que Leandro Karnal recitou em 2015 durante uma palestra. O poema eu tenho estampado na parede na entrada de casa e é um resumo da minha vida”. A letra pode ser resumida pela última parte: “O meu maior defeito é parecer diferente aos olhos de quem esqueceu qual é o sentido de ser gente”.

Além dos 91 livros publicados, entre temáticas como poesia, direito, filosofia, metodologia e discursos, Rodolfo também tem três canais no YouTube e dois blogs de poesia. Um dos canais é o Papeando com Pamplona, um talk show, também presente no desenho da Kombi. “Eu entrevisto pessoas da área jurídica, mas de uma forma diferente, porque o Direito é muito chato, então eu busco ser leve e trago sempre um poema sobre cada tema”. Não à toa seu pós-doutorado foi em Direito e Arte, talvez um resumo de sua vida.

 

Do Correio 24h para a Rede Nordeste

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