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Rio lança projeto para empregar mulheres vítimas de violência

15:43 | Set. 14, 2021
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O Projeto Novos Rumos, apresentado hoje (14) pela prefeitura carioca, quer inserir mulheres em situação de violência doméstica no mercado de trabalho formal. A ideia é que empresas ofereçam vagas para mulheres nesta situação e, em troca, recebam um selo de responsabilidade social.

O projeto tem como objetivo promover a autonomia financeira dessas mulheres por meio da inserção no mercado de trabalho formal, a fim de ajudá-las a encerrar o ciclo de violência doméstica.

A iniciativa reúne as secretarias municipais de Trabalho e Renda (SMTE), de Políticas e Promoção da Mulher, além do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), que indicarão as candidatas às vagas de emprego. O evento de lançamento (foto) ocorreu no Salão Nobre do TJRJ, localizado na região central da capital fluminense.

Segundo o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, as mulheres vítimas de violência buscam socorro no sistema judiciário e é importante que a prefeitura também possa ajudar no acolhimento e encaminhamento dessas pessoas: “Se a mulher consegue se emancipar, ter o seu trabalho, o seu emprego, a sua renda e proteger seus filhos, ela se livra desse ciclo de violência”.

O presidente do TJRJ, desembargador Henrique Carlos de Andrade Figueira, destacou, por sua vez, que a prioridade da instituição é melhorar as condições sociais das vítimas. “O projeto é de uma importância fundamental, pois dá a mulher em dificuldade condições de se reerguer, para quebrar esse ciclo de violência”, disse Figueira.

A secretária da Mulher, Joyce Trindade, acredita que a parceria do Tribunal de Justiça com a prefeitura vai possibilitar que mais mulheres tenham coragem para denunciar as agressões de que são vítimas, por saber que terão políticas de acesso à autonomia econômica.

Segundo ela, um dos principais motivos que impedem a mulher de sair da situação de violência doméstica é justamente a dependência financeira. “Nossos equipamentos e serviços estão prontos para atendê-las e encaminhá-las às novas oportunidades de trabalho e na construção de uma cidade segura para as mulheres”, disse.

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Covid-19: Rio aplica dose de reforço em idosos de 94 anos

Saúde
08:27 | Set. 14, 2021
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Dentro da campanha de imunização contra a covid-19, a prefeitura do Rio de Janeiro aplica hoje (14) a dose de reforço nos idosos de 94 anos ou mais. Esta etapa começou ontem (13), com a vacinação extra das pessoas com 95 anos ou mais, e segue o calendário com idade decrescente. Dessa forma, no sábado será a vez dos idosos de 90 anos ou mais.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a dose de reforço será aplicada em quem tomou as duas primeiras na capital e requer intervalo de pelo menos três meses da segunda dose. Serão utilizadas para o reforço as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca/Fiocruz, dependendo da disponibilidade.

A repescagem de primeira dose esta semana continua para pessoas com deficiência com 12 anos ou mais, gestantes, puérperas e lactantes, além do público a partir de 22 anos. Amanhã, será retomada a imunização dos adolescentes, com meninas de 14 anos. Os meninos dessa idade devem comparecer aos postos na sexta-feira.

Datas

A confirmação das datas para aplicação nos adolescentes de 13 e 12 anos será divulgada quando a prefeitura receber novas doses da Pfizer, única vacina liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para esse público.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que recebeu na tarde de ontem (13) 464.490 doses da Pfizer, a serem destinadas para primeira e segunda aplicação. A distribuição para os municípios do estado do Rio começou a ser feita ainda ontem e será concluída até amanhã.

A vacinação na cidade do Rio de Janeiro já contemplou 79,7% da população com a primeira dose e 45,4% com o esquema completo. Considerada a população-alvo, a partir de 12 anos, já foram atingidos 93% com a D1 e 52,8% com as duas aplicações ou a dose única da Jansen.

No estado, os dados oficiais indicam 10.988.356 pessoas com a D1, o que corresponde a 62,92% da população. Ao todo, 5.388.516 receberam a D2 e 337.159 a dose única, o que significa que 32,79% da população do estado do Rio completaram o esquema vacinal contra a covid-19.

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Viva Maria, 40 anos: a agricultora que planta poesias

Direitos Humanos
07:42 | Set. 14, 2021
Autor Agência Brasil
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Moradora da comunidade Tupã, de mais de 100 famílias na cidade de Xinguara (PA), a trabalhadora rural Kennya Silva, hoje com 43 anos, comemorou muito quando, em 2008, a energia elétrica chegou à casa dela. "Era uma conquista imensurável ter luz em casa". Uma das primeiras providências foi satisfazer um sonho antigo da família: alugar um filme no centro de Xinguara (a 15 quilômetros de distância) para assistir em casa. Seria o dia de um "luxo" que todos estavam esperando

- Mas não vou poder alugar pra você - disse a dona da locadora para espanto de Kennya.

- Você mora em área rural. Se você não voltar, como vou te encontrar? 

E o endereço não foi aceito. Revoltada, saiu pela rua e chorou. "Foi tão grande a minha indignação que andei por um tempo pensando naquilo muito triste. Eu pensei que essa mulher que me negou o aluguel do filme só se alimenta porque eu trabalho na roça. As pessoas na cidade comem porque a gente planta".

Era muito tristeza e revolta. O sentimento a levou até o caderno em que se habituou a escrever poesias, o que faz desde a adolescência.

Kennya resolveu retomar um texto antigo que havia começado a escrever havia oito anos. "Uma Maria Quarqué". Ela não queria mais assistir ao filme. Queria mesmo era escrever. Traduzir o que aquele instante significava. Mais do que isso: aquele desabafo não poderia ficar somente no caderno. Resolveu mandar para o programa Viva Maria, da Rádio Nacional da Amazônia. "Eu mandei a poesia. Para minha surpresa, a Mara Régia (jornalista e apresentadora do Viva Maria) não só leu a poesia, como também declamou com o fundo musical de Maria, Maria (de autoria de Milton Nascimento).

O programa Viva Maria é parte da vida de Kennya Silva. Desde a infância, inclusive, ela acompanhava, com a família, a programação da Rádio Nacional da Amazônia. O radinho de pilha era colocado em posições estratégicas para que a voz dos apresentadores nunca falhassem. 

Ouvinte na Amazônia, escutando rádio.
Ouvinte na Amazônia, escutando rádio. - TV Brasil

"Seria um sonho que a Mara Régia lesse minha poesia, Mas ela fez mais do que ler".

Ao receber a carta, a produção do programa procurou Kennya para uma entrevista. Os pedidos de entrevistas chegavam também pelo apelo das ouvintes. Todos queriam conhecer quem havia criado aqueles versos.

Eu sô uma Maria quarqué.
Uma dessas muié, qui vivi na roça,
qui viaja di carroça, di cavalo ou a pé.

Eu sô uma maria quarqué.
Dessas que acorda cedin, faz o bolo i o café, cuida da casa du quintá,
dus bichin dos animá, qui sustenta o brasí di pé.

Eu sô uma maria quarqué
qui tira o leite da vaquinha, cuida das prantas i das galinhas, sô maria muié de fé. Sô maria forte, sô du su ou sô do norti num importa o lugar, in quarqué parti du praneta ixisti uma Maria cuma eu, qui luta cum fé i coragi na lida qui Deus lhe deu.

Eu Sô uma Maria quarqué
Num sei falar ingrêz, num intendo di moda, uso xita i xadrez,
Sô diferente di ocês, mas isso num mi incomoda.

Eu sô uma Maria quarqué
di vêz inguanto vô na cidade, inté cumpriendo seu valô.
mais é aqui no mato qui tenho felicidade, sô bonita do meu jeito também tenho vaidade.

Eu sô uma Maria quarqué
Sô da roça sim sinhô, sô caipira cum orguio, mas trabaio cum amor.

Eu sô uma Maria quarqué.
qui só usei esse papé, pra chamar sua atenção pra fazer ocê oiá ,cum o zói du coração pras tantas Marias quaisquer, que vivem de realidade, que retratam o amor à vida e a fé, que só desejam ser respeitadas ao longo dessa jornada no seu ranchinho de sapé.


Escute aqui a poesia na íntegra

 

Inspiração feminina

A Maria Quarqué, de Kennya, fez sucesso. "A partir desse momento, foi um divisor de águas na minha vida. Tomou um sentido que eu não imaginava. E pensar que, na época, eu tinha parado na quinta série do ensino fundamental".

A poesia de Kennya inspirou outras mulheres da região, como uma senhora que, ao ouvir a poesia, decidiu percorrer 18 km de bicicleta para estudar. "Quando eu escutei aquilo, foi um susto. Como eu estou inspirando outras pessoas e eu mesma não voltei? Então, voltei pra escola e escrevi pra Mara Régia de novo".

A nova carta de Kennya repetiu o sucesso e mais de dez pessoas escreveram para a produção do Viva Maria, garantindo que voltariam para a escola.

Novos começos 

Era só o começo de uma reviravolta. Fez supletivo e, depois, ingressou na faculdade O círculo virtuoso cresceu. Kennya passou a ser premiada em concursos de poesia.

"A história tem a marca do Viva Maria. Ganhei o prêmio Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos. Não imaginava que a minha história fosse tão importante para outras pessoas. Hoje eu represento as mulheres trabalhadoras rurais no Brasil em conferências internacionais da América Latina".

Ingressou na faculdade de letras, virou tutora de oficina de poesia. Após a primeira experiência universitária, resolveu fazer o curso de filosofia. Está prestes a concluir também. Ela não para de escrever. Sonha publicar o primeiro livro. São mais de 500 poesias que tratam sobre a vida das mulheres, o trabalho no campo e as próprias experiências. Os textos são escritos primeiro nos cadernos e depois digitados no computador de casa. 

Kennya Silva com o diploma de graduação em Letras
Kennya Silva com o diploma de graduação em Letras - Kennya Silva / Arquivo pessoal

Hoje, Kennya, professora da rede municipal, está cedida para a Casa de Cultura de Xinguara. Como trabalhadora rural, cultiva frutas como graviola, cupuaçu, acerola e tamarindo. A família congela e vende a polpa de fruta.

A jornalista e apresentadora Mara Régia chegou a ir até a casa de Kennya de surpresa. Foi emocionante para a poetiza. Junto da profissional do programa Viva Maria, estava a ouvinte e trabalhadora rural Alzira Soares, de 69 anos de idade, que vive na cidade de Tucumã, há 36 anos. Ela disse que não havia nem tirado documentos não fosse o programa Viva Maria entusiasmadas com a história da Maria Quarqué.

A vida na roça para Alzira é desde que ela se entende por gente. "Quando encontrei a Mara, me emocionei muito Queria contar para ela que conheci mais sobre os meus documentos, mas também assuntos da saúde da mulher. Há 30 anos, eu não sabia o que eram [exames] papanicolau e mamografia. Além disso, passou a frequentar a escola com 42 anos de idade. Montava no cavalo e ia por 6 quilômetros". 

Mara Régia vista Kennya Silva em Xinguara (PA).
Mara Régia vista Kennya Silva em Xinguara (PA). - TV Brasil

São essas inspirações que fazem Kennya escrever. "Quando me perguntam, por que eu, uma trabalhadora rural, faço poesia... eu respondo que isso não me dá dinheiro, mas me dá emoções que o dinheiro não compra."

Ouça aqui podcast sobre o Viva Maria Ano 40

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Rio vacina esta semana adolescentes de 14 anos de idade

Saúde
19:58 | Set. 13, 2021
Autor Agência Brasil
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A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS) anunciou hoje (13) que a imunização dos adolescentes de 14 anos contra a covid-19 ocorrerá nos próximos dias 15 e 16, para meninas, e no dia 17, para meninos.

O calendário para as outras faixas etárias de adolescentes (13 e 12 anos) será divulgado tão logo o Ministério da Saúde envie para a cidade, com quantidade suficiente de doses, uma nova remessa da Pfizer, a única vacina liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para esse público.

A aplicação da dose de reforço (DR) para os idosos continua esta semana, seguindo calendário anunciado anteriormente. Amanhã (14), receberão a DR idosos de 94 anos ou mais; na quarta-feira (15), 93 anos ou mais; na quinta (16), 92 anos ou mais; na sexta-feira (17), 91 anos ou mais; e no sábado (18), 90 anos ou mais.

Dose de reforço

A Secretaria informou à Agência Brasil que, “preferencialmente, a dose de reforço deve ser aplicada no mesmo posto onde a pessoa tomou as demais (doses). Não serão aplicadas doses de reforço em pessoas que completaram o esquema inicial em outro município. Independentemente da vacina tomada nas duas primeiras doses, para a DR são usadas vacinas da Pfizer e da AstraZeneca, dependendo da disponibilidade”, esclareceu.

Ainda segundo a Secretaria Municipal de Saúde, apenas os idosos que tomaram o esquema vacinal inicial, que engloba a primeira e segunda doses, no Rio, poderão tomar a dose de reforço na cidade. O intervalo da segunda dose para a DR deve ser de, pelo menos, três meses.

Esta semana está sendo realizada também a repescagem de primeira dose (D1) para pessoas com deficiência (PcD), gestantes, puérperas e lactantes com 12 anos ou mais, além do público a partir de 22 anos, preferencialmente, no período da tarde. O atendimento para aplicação da segunda dose (D2) é feito conforme a data anotada no comprovante da D1.

 

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Whindersson Nunes e Luísa Sonza teriam se encontrado no Rio, diz colunista

Encontro
15:20 | Set. 13, 2021
Autor Clara Menezes
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Whindersson Nunes e Luísa Sonza teriam se encontrado no Rio de Janeiro, indica a colunista Fábia Oliveira, do portal "O Dia". Na capital carioca, os dois estariam no mesmo quarto de hotel, na Barra da Tijuca, que foi reservado no nome do empresário do comediante.

Os rumores de que os artistas estariam em contato novamente reacenderam após ambos terminarem outros relacionamentos neste ano.

O youtuber divulgou em suas redes sociais sobre o fim da relação com Maria Lima em agosto. Duas semanas depois, Sonza anunciou o término de seu namoro com o cantor Vitão.

Após isso, o colunista Erlan Bastos, do site "EM OFF", afirmou que Whindersson Nunes ligou para Luísa sobre um possível encontro entre eles para tratar de situações passadas.

Os dois mantiveram um relacionamento que durou quatro anos. Neste período, também se casaram, moraram juntos e adotaram cachorros.

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Viva Maria, 40 anos: a parteira que ilumina o interior do Acre

Direitos Humanos
07:47 | Set. 13, 2021
Autor Agência Brasil
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Quatro horas da manhã. O silêncio da madrugada, que era acompanhado apenas pelo som da chuva forte, foi interrompido pelas batidas na porta da parteira Maria Zenaide de Souza Carvalho, na cidade de Marechal Thaumartugo (AC).

Era um amigo pedindo auxílio para que ela ajudasse em um nascimento delicado. O caminho era longo. Pelo menos duas horas a pé pela floresta e sustos no percurso. "Pisei em uma cobra, ela inchou, fez barulho e, ao tentar correr, perdi a poronga. Não tinha nada para alumiar o caminho", lembra a parteira. Poronga é a luminária improvisada abastecida com querosene que trabalhadores usam no seringal para enxergar o que está na frente. 

Passou a se agarrar nas árvores e a contar com a luz da lua.

Quando chegou à casa da gestante, viu que ela estava com dor. "Ela estava sem força e começou a desmaiar. O marido desmaiou. Antes, pediu: 'Salve a minha mulher'. Nós não trabalhamos com bisturi. Usei os dedos para aumentar o espaço. E a criança nasceu. Foi emocionante. Disse a eles que ninguém morreria. E deu tudo certo.”

O dia deixou recordações fortes e ela lembra como se fosse ontem: 22 de janeiro de 1979. Maria Zenaide só tinha 23 anos. Mas, por incrível que pareça, a história dela como parteira na floresta começou muito antes: quando tinha apenas 10 anos de idade. Fez o parto de uma tia. "Não tinha posto ou hospital. E a gente queria se ajudar.”

floresta Amazônica
Floresta Amazônica - Marcelo Camargo/Agência Brasil

Desde então, já foram 306 partos. A maioria absoluta no interior do Acre. Hoje, Maria Zenaide vive em Rio Branco. Mudou para a capital depois que sofreu violência sexual no interior. Agredida, deixou de enxergar com o olho esquerdo.

Em outro parto marcante em sua trajetória, ela recorda a ocasião em que andou por oito horas. "A criança e a família não tinham uma cama ou uma roupa para cobrir. Às vezes, eu chorava diante dessas desigualdades.”

Eu posso ser como ela

Suas histórias ficaram famosas na região e ela escreveu para o programa Viva Maria, da Rádio Nacional da Amazônia. "Lá no seringal, o rádio é o preferido. Escuto o programa faz 40 anos. Nós parteiras do Acre e da Região Norte nos comunicamos por ele. O programa nos uniu.” Ela explica que a jornalista Mara Régia, a apresentadora do programa, sempre a inspirou.

"Nós não tínhamos voz nem voto. Aí quando eu a ouvia, eu pensava: eu posso ser como ela. Ela é mulher e nós também. Me sentia representada por ela. Quase todas as mulheres se sentiram.”

Zenaide explica que o trabalho de parteira é voluntário e é feito por causa do amor "que temos uns aos outros". Mas Zenaide queria mais. Foi estudar em Pernambuco, fez curso de auxiliar de enfermagem "para misturar o popular com o científico" e chegou a trabalhar em um posto de saúde de Marechal Thaumaturgo. "Ganhava um dinheiro que sustentava a minha família. Mas, depois do estupro, perdi meu trabalho e mudei de lá.” Zenaide conseguiu, depois, se aposentar.

De parteira a cantora

Mas ela não para. Durante esse período de pandemia, fez 13 partos em Rio Branco. Ela é convidada para palestras sobre saúde da mulher e planejamento familiar. Além disso, em 2017, foi descoberta em um novo talento. O seu caminho iluminado pela lua e pelas memórias é acompanhado também pela música. Maria Zenaide foi flagrada por uma amiga cantando no caminho. "Já fiz mais de 500 músicas. Queria viver disso até o final da vida.”

O talento já é considerado indiscutível. A fama chegou ao produtor musical Alexandre Anselmo, que insistiu para que ela gravasse um disco. "Nós consideramos a Zenaide uma mestra da música tradicional aqui no Acre", afirma o músico. 

Maria Zenaide em uma de suas apresentações musicais.
Maria Zenaide em uma de suas apresentações musicais. - Maria Zenaide / Arquivo pessoal

 

"Desde criança, eu canto.” Em 2019, viajou para Espanha com outros músicos. "Foram 22 dias e cinco shows". A pandemia interrompeu a carreira em ascensão da parteira-cantora. "Estava com cinco shows marcados. Tenho 506 músicas. Eu estava gravando um CD com dez músicas sobre a natureza e sobre a temática das parteiras. Música para mim é vida, é saúde.”

A parteira teve um filho biológico, que morreu em 1972 vítima da malária. Depois, a mulher que fez da vida um canto de amor às crianças adotou cinco filhos. Hoje já tem cinco netos. Parto ela só fez de uma das filhas, a professora Ozileide Maria Carvalho, que também mora no Acre. Mesmo com tanta experiência, diz que ficou com as "pernas moles".

"Ela é uma mãe maravilhosa e nos educou. Crescer vendo seu trabalho foi muito importante. Ela é batalhadora. Ela é um anjo da guarda e o que ela ensinou eu tento passar para os meus filhos", diz a professora. O neto que Zenaide fez o parto, Valeriano, já completou 21 anos. 

Zenaide, além de cantar e fazer partos, faz artesanato para complementar a renda. Quando ajuda no parto, também costuma receber doações. Mas ela sabe que essa é uma missão.

"Ser parteira significa ter coração bom, sem ganhar nada, trabalhar por prazer. Tenho certeza de que o parto na nossa vida é uma realização de vida". 

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