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Dia da Fotografia: conheça história por trás das fotos que salvaram a vida de um jovem em 2010

Epitácio Pessoa, vencedor do Prêmio Esso de 2011, é responsável pelos registros que salvaram a vida de um rapaz de 19 anos, em São Paulo

Uma sequência de momentos registrados pelo jornalista e fotógrafo Epitácio Pessoa, em 2011, rendeu a ele o Prêmio Esso de Fotografia naquele ano. Os registros mostram o desespero no rosto de um jovem, com 19 anos na época, que estava prestes a ser morto por dois homens após ser confundido com um criminoso. As fotos, feitas no momento e hora exatos, trouxeram não somente um prêmio para quem estava por trás da lente, mas deram uma nova chance de vida ao rapaz.

Nesta quinta-feira, 19 de agosto, a data mundial dedicada à fotografia também traz como motivo de celebração os dez anos do recebimento do prêmio que mudou a vida do fotógrafo Epitácio, morador de Sorocaba, em São Paulo, e do jovem que estava prestes a morrer. Em entrevista ao portal G1, o jornalista relembrou o momento das fotos que o tornaram vencedor do “Oscar brasileiro de fotografia”.

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A força da fotografia

No dia 16 de agosto de 2010, Epitácio seguia, com sua câmera, para mais um dia de trabalho em uma pauta cotidiana: uma reportagem especial sobre o desassoreamento do rio Paraíba do Sul, em Lorena, São Paulo. Em direção ao local com a equipe em um carro do jornal, o fotógrafo avistou três homens e, por achar se tratar de uma brincadeira, resolveu fotografá-los.

"Naquela manhã, nós passamos por Aparecida e fomos até Lorena. Entramos em uma estradinha de terra com o carro do jornal. Eu ando sempre com a câmera em CD, que é condição de disparo. A princípio, vi os três rapazes ali e pensei que era uma brincadeira. Então, comecei a fotografar", explicou o fotógrafo ao G1 São Paulo.

A aparente brincadeira, no entanto, tratava-se de uma tentativa de homicídio. O rapaz estava prestes a ser morto pelos dois homens após ter sido confundido com um criminoso. Ao avistar o carro da equipe, a única reação do jovem Adriano Carlos Gonçalves da Silva, com 19 anos na época, foi de gritar por socorro.

Temendo que o momento fosse registrado, os dois homens seguiram andando, possibilitando ao rapaz correr em direção ao carro, ainda gritando por ajuda. "Pedi para parar o carro na hora. Estavam a uns 100 metros. Ele veio correndo na minha direção, pedindo ajuda", lembra Epitácio ao G1.

Ao entrar no carro, Adriano contou que o fotógrafo e a equipe presentes no automóvel foram responsáveis por salvar a vida dele. “Naquela hora, agradeci ao dom que Deus me deu. Nunca imaginei que uma foto pudesse salvar uma vida. Um clique salvou a vida daquele rapaz", relembra.

Com as mãos amarradas por um cadarço de sapato, o jovem contou que tinha sido agredido e estava prestes a morrer. De acordo com o que Epitácio contou ao G1, o rapaz seria jogado no rio em que ele estava se dirigindo com a equipe para fazer a reportagem. No dia seguinte, os registros estavam estampados na primeira página do jornal Estadão, veículo de comunicação para o qual prestava serviço como freelancer. As fotos estavam acompanhadas dos dizeres “violência abortada”.

"Eu fiquei muito feliz e muito impressionado que o jornal resolveu colocar a foto na capa. A fotografia é honesta, não mente. Nós, fotógrafos, temos a mania de achar que a boa foto é aquela que vamos fazer amanhã, mas aquele momento foi Deus que escolheu. Eu estava ali", disse o jornalista.

Pela veracidade e emoção, a sequência de imagens foi indicada e venceu o Prêmio Esso de Fotografia. Para o fotógrafo, no entanto, o maior prêmio foi ter conseguido salvar a vida de um jovem que, posteriormente, foi comprovado inocente.

Um ano depois, Epitácio voltou à Lorena, cidade onde tinha flagrado a ação e feito os registros, com a intenção de reencontrar o jovem Adriano. "Ele é filho de uma família religiosa e realmente é um bom rapaz. Ele foi confundido com um criminoso. Ele nos recebeu com um grande abraço e nos agradeceu muito", lembra.

Dez anos depois, o fotógrafo não tem mais contato com o rapaz. O desejo do jornalista é que ele esteja por aí, vivo, realizando sonhos e construindo sua família. Na segunda-feira, 16, Epitácio celebrou, por meio de publicação feita no Instagram, os dez anos da sequência de fotos:



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