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Brasil
NOTÍCIA

Para abolir: expressões LGBTfóbicas que falamos no cotidiano sem perceber

No Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, O POVO lista frases ditas no dia a dia e que reforçam na verdade pensamentos homofóbicos, bifóbicos e transfóbicos

Gabriela Almeida
23:25 | 17/05/2021
Dia 17 de maio se comemora o Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia. (Foto: BANCO DE DADOS)
Dia 17 de maio se comemora o Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia. (Foto: BANCO DE DADOS)

No dia 17 de maio de 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista de doenças, fazendo com que a data ficasse conhecida como o Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia. Três décadas depois, o marco segue sendo celebrado como uma oportunidade de conscientização e um incendiador de debates acerca do respeito a diversidade sexual e de gênero. 

Entre os questionamentos discutidos, há aquele sobre o "preconceito velado", caraterizado quando o indivíduo age de forma preconceituosa de uma maneira "não explícita", as vezes sem ter dimensão do que está fazendo. O POVO faz um alerta e lista algumas frases que são ditas no cotidiano com frequência sem que as pessoas percebam que, na verdade, são pensamentos homofóbicos, bifóbicos e transfóbicos.

Frases homófobicas e bifóbicas

1: Quem é o homem da relação? 

Essa pergunta geralmente é feita para casais homoafetivos compostos por duas mulheres. A indagação, além de reforçar a ideia discriminatória de que o relacionamento heterossexual é o único "aceitável", induz que uma mulher só pode se sentir realizada amorosa e sexualmente estando com um homem. Parece óbvio, mas é preciso lembrar que em um relacionamento entre mulheres, há mulheres, somente.

2: "Você nem parece gay (ou lésbica)"

Dizer que alguém não parece "ser homossexual" é afirmar estereótipos que existem sobre a comunidade LGBTQI+, como o de que toda lésbica veste "roupas de homem" ou de que um homem gay "tem jeito feminino". A verdade é que vestimentas ou trejeitos não "classificam" sexualidade, assim como o oposto também é válido: a orientação sexual não limita e nem define padrões.

4: "Que desperdício!"

A exclamação geralmente é feita quando alguém se interessa por uma pessoa do sexo oposto e descobre que ela é homossexual. Mesmo se realizada "em forma de brincadeira", sem "intenção de machucar", a fala é preconceituosa por induzir que uma pessoa LGBTQI+ "desperdiçou" a sexualidade.

5: "Quem fica com homem e mulher é indeciso (a)"

Há um forte estigma de que pessoas bissexuais são "confusas" e "indecisas" por se envolverem emocional e sexualmente com gêneros opostos. Frases como essa invalidam a própria bissexualidade, que caracteriza o indivíduo que sente atração por dois sexos. A verdade é que não há confusão ou indecisão alguma em se sentir atraído por mais de um gênero.

6: "Não sou preconceituoso, até tenho um amigo gay"

O fato de ter um amigo gay não livra ninguém de ser preconceituoso. Além disso, quando se usa essa frase parece que está "sendo um favor" ser amigo de alguém que é homossexual. Afinal, ninguém sai por ai dizendo que tem "um amigo heterossexual", né?

Cinco frases transfóbicas

1. "Você é tão bonito/bonita, nem parece trans"

A problemática nessa fala é que induz ao pensamento de que pessoas transexuais "não podem" ser bonitas. Esse tipo de frase é reproduzida devido ao padrão de beleza ter sido fundamentado em pessoas cisgêneras (aquelas cuja anatomia, sexo e biologia são alinhados com o gênero ao qual se identifica), como se pessoas trans precisassem "parecer cis" para serem bonitas.

2. "Me senti enganado/a"

É bem comum associarem pessoas trans a uma "enganação", como se elas existissem tão somente pra "fingir ser algo que não são".

3. "Mas vc nasceu homem", "corpo biologicamente masculino"

Se eu sou mulher, meu corpo é biologicamente feminino. A própria ideia de "corpo biológico" é uma construção social. Existem corpos com úteros, ovários e vagina, corpos com pênis e testículos, e uma infinidade de pessoas intersexo (que podem ter algumas características e órgãos de um sistema reprodutivo e outras de outros), então a mera separação entre "masculino" e "feminino" na biologia é algo bem tênue e não pode ser usado como definição.

4. "Sempre quis ficar com uma pessoa trans"

Essa parece elogio e até cantada, mas é meramente fetichização. Pessoas trans existem como seres humanos, pagam contas, trabalham, dormem, comem, se divertem, amam... não são objetos para satisfazer a curiosidade de ninguém.

5. "Mas qual seu nome de verdade?"

Outra coisa muito comum é a questão do nome morto, que é o nome que registraram no nosso nascimento. algumas pessoas trans decidem que não querem mudar, e tá tudo bem com isso, mas quem quer mudar tem o direito de deixar aquele nome antigo para trás na vida, como diz a própria expressão: nome morto.


 Com a colaboração da repórter Bemfica Oliver