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Diretor do Butantan diz que, sem isolamento, mortes chegarão a 5 mil por dia

Dimas Covas atribuiu a desorganização das ações de distanciamento social no país como um dos fatores para o aumento de casos

23:29 | 05/04/2021
O diretor frisou que o isolamento social poderia acabar com a pandemia (Foto: Reprodução/Jornal Cultura)
O diretor frisou que o isolamento social poderia acabar com a pandemia (Foto: Reprodução/Jornal Cultura)

O médico e diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, declarou ser provável que as mortes provocadas pela Covid-19 cheguem a cinco mil por dia no País. De acordo com ele, a estimativa será alcançada se medidas mais drásticas de isolamento social não forem tomadas e se a aplicação de vacinas continuar em ritmo lento. A declaração foi na última quinta-feira, 1º. 

Em entrevista para o portal Valor Econômico, Dimas Covas declarou acreditar que abril vai ser um mês dramático para o Brasil. "Os próximos 15 dias serão muito dramáticos. Há uns 20 dias, parece que ninguém imaginava que iríamos chegar à casa dos 3 mil mortos por dia. E então cruzamos a casa dos 2 mil, já passamos na casa dos 3 mil, estamos indo para os 4 mil e vamos chegar a 5 mil mortes por dia", disse em conversa por telefone.

Ele atribuiu o aumento do número de casos com a falta de organização em administrar medidas de isolamento social no País. “Um estado toma uma medida aqui, um município toma uma medida ali. Não há uma coordenação, não há uma política geral para o país. Essas medidas podem contribuir para uma estabilização, uma diminuição regional, mas no conjunto o aumento tem sido consistente. Se você tivesse o poder mágico de colocar toda a população por 14 dias dentro de casa, a pandemia acabaria", afirmou.

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Ele ressaltou, ainda, a lentidão em que a população é imunizada. Até o meio do ano você vai ter uma vacinação provavelmente de quem tem mais de 60 anos e provavelmente pode avançar um pouco mais na faixa dos 50 anos, incluindo também outros profissionais em risco. Estamos falando de 40 ou 50 milhões de pessoas. E 100 milhões de doses de vacinas", afirmou o diretor do Butantan.

Covas alegou que conseguir um número grande de vacinas em pouco tempo não é fácil. Segundo ele, o Ministério da Saúde está com dificuldades de adquirir vacinas não só do Butantan, mas do mundo todo.

Com a campanha de vacinação da gripe comum, a produção de doses entregues contra a Covid-19 deve ser de 10 milhões, menos que a metade entregue em março. Uma segunda fábrica da Sinovac, responsável pelo desenvolvimento da vacina CoronaVac em parceria com o Instituto Butantan, será inaugurada em maio, na China. Em previsão otimista, a filial pode acelerar a chegada de matéria-prima ao Butantan.