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Advogada é condenada por chamar médico de comunista por não receitar cloroquina

Juiz pediu desculpas ao médico hostilizados

Ítalo Cosme
21:44 | 19/03/2021
Novo estudo com hidroxicloroquina apontou que medicamento serve para macacos, não humanos (Foto: Yuri Cortez / AFP)
Novo estudo com hidroxicloroquina apontou que medicamento serve para macacos, não humanos (Foto: Yuri Cortez / AFP)

Juiz da 2ª Vara do Juizado Especial Cível de Santos, Guilherme de Macedo Soares condenou a advogada Adelaide Rossini de Jesus por hostilizar e chamar de comunista um médico por não receitá-la com cloroquina, "o remédio do presidente", como dito pela mulher. O juiz determinou que ela pague dez salários mínimos ao profissional de saúde.

"A ré infelizmente não teve a sensibilidade de entender que o momento não se presta para hostilizar os profissionais da saúde, muito pelo contrário, deveriam ser tratados como heróis, pois, assim o são. Arriscam suas vidas e as vidas daquelas que eles mais amam para combater a doença alheia. Estão na linha de frente, prontos para o ‘que der e vier’, e lamentavelmente ainda precisam passar por situações como essa. A sociedade precisaria se juntar e pedir desculpas em nome da ré, a começar por este julgador: RECEBA MINHAS SINCERAS DESCULPAS!”, disse o juíz em caixa alta, como mostrou o site Jota.

Conforme o portal noticioso, o caso ocorreu em 26 de maio do ano passado no Pronto Socorro do Hospital Ana Costa, na cidade de Santos, no Rio de Janeiro. A paciente alegava frio e tosse seca. No local, solicitou que lhe fosse receitada cloroquina e azitromicina, mas rejeitou ser testada para Covid-19.

O médico atestou normalidade nos sinais vitais da advogada, mas pediu um eletrocardiograma. A mulher pedia apenas "o remédio do presidente". Frente ao quadro clínico e da ausência de evidências científicas de eficácia dos medicamentos para Covid-19, o profissional da saúde alegou que estava desconfortável para prescrever a solicitação da paciente.

No caso, Guilherme Sares lamentou a qualidade do diálogo no país, onde não há mais "debate saudável de ideias, mas de ataques grotescos e recíprocos, recheados de ofensas, intolerância e ódio, fomentados diariamente por blogueiros de ambas as vertentes, que usualmente espalham as chamadas fake news”.