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Ex-gestores do Conselho Federal de Medicina cobram posicionamento do CFM sobre crise sanitária

No documentos, os ex-representantes exigiram do CFM posicionamento em relação à crise sanitária ocasionada pela pandemia do novo coronavírus e defesa de vacinas aprovadas pela Anvisa

20:39 | 14/01/2021
A carta dos ex-gestores cobra posicionamento do CFM sobre a importância das vacinas para controle da Covid-19 (Foto: RONNY HARTMANN / AFP)
A carta dos ex-gestores cobra posicionamento do CFM sobre a importância das vacinas para controle da Covid-19 (Foto: RONNY HARTMANN / AFP)

Nesta quarta-feira, 14, ex-presidentes e ex-conselheiros federais do Conselho Federal de Medicina (CFM) escreveram carta aberta à autarquia, na qual questionam a ausência de posicionamento em relação à crise sanitária gerada pela pandemia de Covid-19. “Onde está o CMF? Onde está a entidade máxima da categoria médica no Brasil?”, escreveram.

“Até agora sabemos o endereço, mas não sabemos a sua posição frente a essa tragédia sanitária e humana que assola o Mundo e em especial o nosso País. Nós, médicos e médicas, olhamos em sua direção e não vemos nada. Só o silêncio. Parece que tudo está em paz. Paz essa que sequer existe hoje nos cemitérios nacionais, onde reina absoluto o choro distante de mais de 200.000 famílias enlutadas”, acrescentaram.

Os ex-representantes exigiram série de medidas por parte da entidade, como manifestação pública favorável às vacinas que forem licenciadas pela Agência Nacional do Vigilância Sanitária (Anvisa), cobrança às autoridades públicas pelas garantias de um atendimento correto e protetor para a população enferma e ênfase da necessidade de continuar com as medidas de controle cientificamente reconhecidas.

Assinaram a carta os ex-presidentes: Dr. Gabriel Wolf Oselka, Dr. Francisco Álvaro Barbosa Costa, Dr. Ivan de Araújo Moura Fé, Dr. Waldir Paiva Mesquita e Dr. Edson de Oliveira Andrade.

Confira a carta na íntegra

Ao Conselho Federal de Medicina e aos Médicos e Médicas do Brasil

Somos mais de 500.000 médicos e médicas trabalhando para a população brasileira. Estamos nas emergências; nas UTIs; nos Postos de Saúde; nos hospitais e nas casas dos nossos pacientes. Estamos onde o povo está a necessitar do nosso trabalho e cuidados. E a ele não faltaremos.

Mas onde está o Conselho Federal de Medicina (CFM)? Onde está a entidade máxima da categoria médica no Brasil? Até agora sabemos o endereço, mas não sabemos a sua posição frente a essa tragédia sanitária e humana que assola o Mundo e em especial o nosso País. Nós médicos e médicas olhamos em sua direção e não vemos nada. Só o silêncio. Parece que tudo está em paz. Paz essa que sequer existe hoje nos cemitérios nacionais, onde reina absoluto o choro distante de mais de 200.000 famílias enlutadas.

Frente a essa eloquente omissão do nosso principal órgão representativo é que nós, ex-Presidentes do CFM e outros ex-Conselheiros Federais, conclamamos o CFM a que se manifeste publicamente em defesa da vida da nossa gente; em defesa do exercício de nossa profissão; e em defesa dos milhares de médicos e médicas, bem como de seus companheiros das equipes de saúde, que estão cumprindo os seus deveres profissionais e arriscando suas vidas.

Conclamamos, por ser um imperativo ético, que:

o CFM se manifeste pública e enfaticamente, a favor da vacinação para todos aos quais está indicada, vacinas que serão licenciadas pela ANVISA, com base em sua segurança e eficácia, e que garantirão, desde que a cobertura vacinal seja adequada, uma acentuada diminuição no número de casos e, eventualmente, o controle da pandemia.

o CFM enfatize a continuidade da adoção das outras medidas de controle reconhecidas cientificamente, como distanciamento social, higiene pessoal e uso de máscaras.

O CFM exija das autoridades públicas as garantias de um atendimento correto e protetor para a nossa população enferma.

o CFM oriente a população médica brasileira quanto ao adequado comportamento ético a ser adotado nesta pandemia evitando o uso de condutas terapêuticas sem respaldo científico; bem como a disseminação de informações falsas sobre a doença, tudo no estrito cumprimento do Código de Ética Médica.

É isso que a Boa Medicina ensina. É disso que o nosso Povo necessita. É isso que precisa ser feito sem demora.

Brasil, 14 de janeiro de 2021