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NOTÍCIA

Polícia decide indiciar amiga e outras 3 pessoas no caso da adolescente de 14 anos morta com um tiro no MT

O resultado das investigações foi divulgado, na tarde desta quarta-feira, 2, em coletiva de imprensa realizada pela Polícia Judiciária Civil do Mato Grosso

Alan Magno
22:09 | 02/09/2020
Isabele foi morta aos 14 anos com um tiro na cabeça em um condomínio de luxo no Mato Grosso. Tiro foi disparado por amiga da adolescente. Outras três pessoas foram indiciadas por participação indireta no crime (Foto: Reprodução Instagram)
Isabele foi morta aos 14 anos com um tiro na cabeça em um condomínio de luxo no Mato Grosso. Tiro foi disparado por amiga da adolescente. Outras três pessoas foram indiciadas por participação indireta no crime (Foto: Reprodução Instagram)

As investigações do tiro que resultou na morte de Isabele Guimarães Ramos de 14 anos em um condomínio de luxo, em Cuiabá, no dia 12 de julho, foram concluídas e o resultado do inquérito divulgado na tarde desta quarta-feira, 2. Ao todo, as investigações da Polícia Judiciária Civil do Mato Grosso (PJCMT) apontaram quatro responsáveis pela morte da adolescente. Todos os envolvidos eram Caçadores Atiradores e Colecionadores (CACs) e possuíam acesso a armas de fogo legalmente.

Amiga de Isabele, também adolescente de 14 anos, foi apontada com a responsável pelo disparo fatal. A polícia decidiu indiciar ela por infração equivalente a homicídio doloso, quando se assume o risco e há intenção de matar. O resultado das investigações foi revelado, na tarde desta quarta-feira, 2, em coletiva de imprensa realizada pela PJCMT e divulgado pelo G1 MT.

Responsável pelo caso, o delegado Wagner Bassi, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) pontuou que a versão inicialmente apresentada pela amiga de Isabele não se sustentava diante das evidências encontradas no decorrer do inquérito. A amiga teria dito que o disparo que atingiu Isabele na cabeça teria sido acidental depois que a arma que ela estava segurando para guardar caiu de sua mão.

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Wagner pontuou que a adolescente, por ser CAC e ter experiência com armas de fogo, “no mínimo, ao estar no banheiro com a amiga, ela assumiu o risco de gerar a morte da adolescente”. “Ela era treinada, capacitada. Quando a gente faz treinamento em curso de tiro, antes de pegar em uma arma a gente aprende sobre segurança, a desmuniciar uma arma e a olhar se arma está municiada ou carregada”, completou.

OUTROS INDICIADOS

O namorado da amiga de Isabele, o pai dele e o pai da amiga de Isabele também serão indiciados por participações indiretas nos crimes. O namorado, também adolescente, com 16 anos, deverá responder por infração equivalente a porte ilegal de armas. Foi ele quem levou duas armas para a casa da namorada (amiga de Isabele), onde as duas adolescentes estavam.

As armas pertenciam ao pai do garoto, que assim como o filho, também é CAC. Os artefatos foram transportados da casa do menino até a casa da amiga de Isabele, junto com a munição das duas pistolas, na mochila do menino. O pai dele será indiciado por omissão de cautela na guarda de arma de fogo, já que enquanto CAC detentor de arma de fogo, ele tinha obrigação de guardar as armas em local seguro, longe do alcance de outras pessoas, especialmente de um menor de idade.

O quarto indiciado como responsável pelas ações que resultaram na morte de Isabele foi o pai da amiga dela, responsável pelo disparo. O inquérito indiciou ele por porte ilegal de arma de fogo, já que foram encontradas armas em quantidade e calibres acima das permitidas para CAC.

Além de algumas estarem com o número de rastreamento raspado. Ele também deve responder pelos crimes de entrega de arma de fogo para adolescentes e homicídio culposo, quando não há intenção direta de matar. “Ele agiu com imprudência e negligência, ao permitir que a filha pegasse na arma de fogo. Ele é um atirador desportivo e não podia permitir que a filha pegasse na arma”, explicou o delegado.

O pai da adolescente que fez o disparo assumiu ainda uma série de ações que interferiram nas investigações. Segundo o laudo da perícia, ele alterou a cena do crime na tentativa de ocultar evidências e atrapalhar na resolução do caso. Ele teria ordenado que seu outro filho, irmão gêmeo da amiga de Isabele, removesse as balas de todas as armas, trocasse as munições de lugar e removesse a cápsula da bala que atingiu o rosto de Isabele do quarto.

O inquérito da polícia foi encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE) que deve protocolar as denúncias e solicitar à Justiça do Mato Grosso que tome as medidas legais cabíveis. Apesar do inquérito ter sido concluído, diligências complementares ainda podem ser solicitadas e realizadas pela polícia a fim de novos esclarecimentos sobre as circunstâncias do crime.

A questão da liberdade da amiga de Isabele, autora do disparo que matou a adolescente, ainda será definida pelo MPE em parceria com a Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) e Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente, já que ela tem 14 anos. O nome dos indiciados foi mantido em sigilo em respeito às determinações legais de proteção aos menores envolvidos no caso.