PUBLICIDADE
Brasil
NOTÍCIA

Conar pede suspensão imediata de peças publicitárias do Banco Santander

A relatora Adriana Pinheiro Machado determinou que há a necessidade de comprovar "a veracidade das informações apresentadas como fatos" na campanha.

Lucas de Paula
21:47 | 26/05/2020
Ao todo foram cinco peças veiculadas. Dessas, duas foram suspensas. (Foto: Reprodução/Youtube/Santander)
Ao todo foram cinco peças veiculadas. Dessas, duas foram suspensas. (Foto: Reprodução/Youtube/Santander)

A 6ª Câmara do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) realizou despacho nesta terça-feira, 26, pedindo a imediata suspensão de peças publicitárias veiculadas pelo Banco Santander Brasil e Agência Suno Comunicação Integrada Ltda.

A representação, movida pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), resultou na sustação das peças intituladas “A Gente Banca — Manicure” e “A Gente Banca — Assistência Técnica". Os anúncios afirmavam que “nos últimos anos, mais gente comprava jornal pra catar sujeira de bicho de estimação do que pra ler” e que “ninguém mais compra jornal em banca, todo mundo lê notícia pelo celular”, respectivamente.

LEIA MAISBolsonaro "mostra incapacidade de compreender a atividade jornalística", diz ANJ

A relatora Adriana Pinheiro Machado determinou que há a necessidade de comprovar "a veracidade das informações apresentadas como fatos". Ela considerou que as peças possuem "potencial 'denegritório' e ampla divulgação em um período de aumento da audiência dos meios de comunicação utilizados pelo anunciante".

A campanha é dividida em cinco peças e anuncia uma operação de crédito que o banco oferece para bancas de jornais em troca de elas exibirem a marca do Santander, com o objetivo de terem outra atividade que não seja apenas vender publicações.

Ricardo Pedreira, jornalista e diretor executivo da ANJ, afirma que as peças possuem um tom “claramente ofensivo”, com o intuito de desvalorizar jornais, revistas e mídia impressa como um todo. “Isso é ainda mais grave em um momento jornalístico que a informação é tão importante”, pondera.

O jornalista ainda acredita que a conduta não está dentro de princípios éticos da Publicidade. “É claro que diminuiu muito a venda de jornais e revistas, que muita gente lê notícias pelo celular, mas dizer que ninguém mais faz isso é claramente uma mentira”, diz.

A liminar, originalmente, pedia a suspensão de forma mediata da campanha toda. Das cinco peças, o Conar decidiu suspender apenas duas. Agora, o futuro dos outros outros três materiais será decidido nos próximos 20 dias. “O Conar existe exatamente para isso, para que a publicidade seja feita de forma correta, sem indução ao erro”, parabeniza.