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Brasil
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Brasil reduz taxa de expansão da Covid-19, mas índice ainda é alto

Segundo pesquisadores brasileiros, cada dois brasileiros infectados transmitem o Sars-CoV-2 para outros três

14:15 | 19/05/2020
Imagem símbolo do novo coronavírus
Imagem símbolo do novo coronavírus (Foto: Divulgação)

O “número básico de reprodução" da Covid-19, parâmetro que indica quantas pessoas um indivíduo infectado contagia, caiu no Brasil de 3,5 para 1,4, mas o índice ainda é alto. A estimativa foi feita pelo físico nuclear Rubens Lichtenthäler Filho, professor da Universidade de São Paulo (USP), e seu filho, Daniel Lichtenthaler, médico do Hospital Israelita Albert Einstein. As informações são do jornal O Globo.

Os Lichtenthäler publicaram, na última sexta-feira, 15, uma versão preliminar de seu estudo no portal MedrXiv. Quando o novo coronavírus chegou ao País, em 26 de fevereiro, cada pessoa que o contraía passava a doença para outras 3,5, em média.

Depois das primeiras medidas de quarentena, em 23 de março, o número caiu para 1,9. Agora, com mais estados restringido as medidas de isolamento social, está em 1,4. Ou seja, cada dois brasileiros infectados transmitem o Sars-CoV-2 para outros três.

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Apesar de o valor ser menor, ainda preocupa porque alimenta um crescimento exponencial da pandemia, que dobra de tamanho a cada 9 ou 10 dias, um patamar temerário num momento em que o Brasil já tem mais de 260 mil casos confirmados da Covid-19.

Como foi feita a pesquisa

Para chegar aos números, os dois pesquisadores utilizaram essencialmente com dados oficiais. Eles afirmam que as datas-chaves identificadas na análise coincidem com momentos em que estados implementaram medidas mais duras de isolamento.

"A gente sabe que o impacto que a gente está vendo é o de medidas progressivas de distanciamento social ao longo do tempo", diz Daniel. Para enxergar um panorama mais claro sobre a evolução da pandemia, ele explica que os dados oficiais foram tratados para eliminar flutuações estatísticas (em domingos há poucos registros, por exemplo). Além disso, foi levado em conta o tempo da doença e seu período de incubação.

O tratamento matemático do trabalho usou recursos empregados comumente na área de atuação do físico Rubens Lichtenthäler. "O tipo de processo é o mesmo que a gente tem em algumas áreas da física onde existem fenômenos com crescimento exponencial", esclarece o cientista.

Segundo ele, uma reação nuclear, por exemplo, funciona exatamente dessa forma. "Você joga um nêutron num átomo de urânio, ele fissiona e emite dois a três nêutrons. Cada um desses nêutrons vai provocar uma outra fissão, e assim vai."

O foco dos pesquisadores na taxa de reprodução básica, tradicionalmente representada em estudos de epidemiologia pela variável R0, se justifica porque ela é essencial para entender o futuro da pandemia, mesmo não sendo o único parâmetro necessário para isso.

Quando se sabe o número de leitos disponíveis numa cidade, determinar a R0 ajuda a prever quando a capacidade excede. Já com o conhecimento sobre o número total de pessoas infectadas em uma população, é possível calcular em tese o momento em que será atingida a “imunidade de rebanho", que é a porcentagem de pacientes recuperados/imunizados alta o suficiente para impedir o crescimento da epidemia.

Brasil estaria longe do pico

No Brasil não se sabe com precisão ainda a parcela de sua população que já foi infectada pela Covid-19. E, qualquer que ela seja, o pico da pandemia parece estar ainda distante. Estudos que buscam a prevalência da doença por amostragem, como em pesquisas eleitorais, ainda estão em andamento. Na avaliação dos Lichtenthäler, tentar determinar quando será o pico sem essa informação em mãos é muito difícil.

Segundo Daniel, porém, o modelo de análise que ele criou com seu pai não tem essa pretensão, por isso resiste às incertezas da subnotificação, que não afetam o a taxa de reprodução básica da Covid-19.

Enquanto muitos grupos de pesquisa buscam fazer modelos mais complexos e ambiciosos, a dupla optou por uma abordagem mais simples, mas com mais poder de determinar um parâmetro crucial da pandemia, a R. Para isso, consideraram como premissa que a taxa de subnotificação não tem oscilado muito.