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Brasil
NOTÍCIA

Brasil é o sétimo em mortes ocasionadas por raios, com média de 110 casos por ano

Em 2020, até 30 de abril, foram registrados 165.404 raios no Ceará, segundo os registros feitos pela Enel Distribuição Ceará

Ismia Kariny
11:47 | 08/05/2020
Descarga elétrica é natural, mas pode ser perigosa
Descarga elétrica é natural, mas pode ser perigosa (Foto: Fco Fontenele/O POVO)

A cada 50 mortes por raios no mundo, uma ocorre no Brasil, revela estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O País ocupa a sétima posição mundial em mortes provocadas pelo fenômeno, tornando-se ainda o líder em incidência de raios, com cerca de 77,8 milhões de descargas para o solo a cada ano. De acordo com o levantamento do Inpe, elaborado pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), neste século já foram registrados 2.194 óbitos ocasionados por raios, uma média de 110 óbitos no período de 2000 a 2019.

Conforme o estudo do Inpe, a probabilidade de uma pessoa morrer atingida por um raio no Brasil ao longo de sua vida é de um em 25.000. No entanto, embora a estimativa pareça pequena, a chance disso acontecer é maior do que aquela de ser mordido por um cachorro (um em 100.000). E a probabilidade aumenta em até 2,5 vezes (um em 10.000), se a pessoa estiver desprotegida em uma área descampada durante uma tempestade típica, que produz cerca de três raios por minuto. Se a tempestade for mais forte, a probabilidade é 25 vezes maior (um em 1.000).

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Apesar do levantamento indicar 110 mortes anuais decorrentes do fenômeno, o Elat destaca que nem sempre um incidente provocado por um raio é fatal. Nesse caso, anualmente, cerca de 300 pessoas sobrevivem após serem atingidas por um raio. Para chegar a essa conclusão, o Elat reuniu informações coletadas pelo Departamento de Informações e Análise Epidemiológica (CGIAE) do Ministério da Saúde, veículos da imprensa e dados de população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2000 a 2019.

O que revela a pesquisa

Entre os principais resultados do levantamento, o Sudeste concentra o maior número de casos (26%) e a maior parte das mortes (67%) ocorreu no verão e primavera - estações mais quentes do ano e por isto com maior número de tempestades e raios. Do Nordeste, apenas o Maranhão esteve entre os estados com maiores casos de óbitos decorrentes do fenômeno. Já o Ceará, de acordo com a pesquisa, teve 67 mortos, sendo a maioria de homens (79% dos casos). A maior parte dos óbitos ocorreu no verão, com 66%, seguido de 31% em outono.Segundo a pesquisa, os homens representam a maior parte dos casos (82%), enquanto as mulheres representam 18% dos óbitos.

As circunstâncias das fatalidades ocorreram em maior percentual na área rural (26), entre atividades não identificadas e a agropecuária. Estar dentro de casa ou próximo à rede elétrica ou hidráulica representa 21% dos casos, seguidos por atividades na água ou próximo em praias, rios ou piscinas (9%), embaixo de árvores (9%).

Há ainda um percentual de 8% para circunstâncias em áreas cobertas que protegem da chuva mas não dos raios (8%); em áreas descampadas (7%); próximo a veículos ou em veículo abertos (6%) em rodovias, estradas ou ruas, sem estar dentro de veículos (4%); e situações em que a pessoa esteve próxima a cercas, varal ou similares (4%); entre outros casos (6%).

Conforme o estudo, não há nenhum registro de fatalidade dentro de veículos fechados, o que se configura como a circunstância mais segura para se abrigar durante uma tempestade.

Elat lança cartilha de proteção contra raios

Com base no levantamento, o Grupo de Eletricidade Atmosférica do Inpe lançou uma cartilha de proteção contra raios com orientações inéditas. A publicação traz informações sobre como os raios se formam, de que forma eles podem nos atingir, indicando também o que fazer para se proteger do fenômeno.

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