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Brasil
NOTÍCIA

Brasileiros têm adquirido mais alimentos processados e ultraprocessados nos últimos anos, aponta IBGE

Categoria inclui alimentos como pães, queijos e carnes. A pesquisa reflete a disponibilidade dos alimentos nas casas do País, mas não necessariamente o consumo

Lais Oliveira
10:00 | 03/04/2020

Os brasileiros têm adquirido mais alimentos processados e ultraprocessados nos últimos anos. É o que mostra a Avaliação Nutricional da Disponibilidade Domiciliar de Alimentos no Brasil da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018 divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 3. O material reúne dados sobre o tipo e a quantidade de alimentos adquiridos pelas famílias brasileiras em quilogramas, refletindo a disponibilidade dos produtos em casa, mas não necessariamente o consumo deles.

O IBGE estimou, porém, que a aquisição dos alimentos pelas famílias represente pelo menos 70% do total de calorias consumidas. Baseando-se nessa estimativa, os alimentos processados (pães, queijos, carnes e bebidas alcoólicas) aumentaram sua participação calórica em 1,3 pontos percentuais comparando com as pesquisas anteriores, totalizando 9,8% nesta análise mais recente.

Sobre os alimentos ultraprocessados, como frios e embutidos, bolos e margarina, observou-se um aumento percentual de 5,8 pontos. A categoria alcançou 18,4% na estimativa de participação calórica do consumo.

Dentre os alimentos processados, o de maior participação foi o pão (6,7% das calorias totais), seguido de queijos (1,4%), carnes salgadas/secas/ defumadas (0,7%) e bebidas alcoólicas fermentadas (0,7%).

Em relação aos alimentos ultraprocessados, o destaque são para frios e embutidos (2,5% das calorias totais), biscoitos e doces (2,1%), biscoitos salgados (1,8%), margarina (1,8%), bolos e tortas doces (1,5%), pães (1,3%), doces em geral (1,3%), bebidas adoçadas carbonatadas (1,2%) e chocolate (1%). Com contribuição menor, aparecem massas de pizza, de lasanha ou de pastel, refeições prontas, bebidas adoçadas não carbonatadas, bebidas lácteas, sorvetes, molhos prontos e bebidas alcoólicas destiladas.

Diferença na renda das famílias se evidencia nos produtos adquiridos

A análise evidenciou diferenças significativas entre as quantidades de produtos adquiridas pelas classes de menor e maior rendimento total familiar. As famílias de renda mais alta consomem até 688% mais alimentos preparados e industriais do que as famílias de baixa e 313% mais frutas, por exemplo.

Em alguns casos, a diferença média de aquisição entre os grupos alcança mais que o dobro: sais e condimentos (119% maior), laticínios (176% maior), hortaliças (187% maior), bebidas e infusões (250% maior).

A pesquisa classificou um rendimento total e variação patrimonial mensal familiar em seis categorias: até R$ 1.908, mais de R$ 1.908 a R$ 2.862, mais de R$ 2.862 a R$ 5.724, mais de R$ 5.724 a R$ 9.540, mais de R$ 9.540 a R$ 14.310, mais de R$ 14.310.

Calorias disponíveis nas casas brasileiras

Cerca de metade (49,5%) das calorias totais disponíveis para consumo nos domicílios brasileiros provém de alimentos in natura ou minimamente processados, 22,3% de ingredientes culinários processados, 9,8% de alimentos processados e 18,4% de alimentos ultraprocessados.

Tipos de alimentos analisados na pesquisa

Os grupos de alimentos definidos para essa análise são os que apresentaram as maiores médias de aquisição alimentar domiciliar per capita anual no Brasil. Dentre eles, os destaques foram: bebidas e infusões (52,4 kg), onde estão bebidas alcoólicas como cerveja e vinho e não alcoólicas como água mineral, refrigerantes, suco de fruta envasados e energéticos, laticínios (32,2 kg), grupo no qual estão agregados os leites, queijos, iogurte e derivados, cereais e leguminosas (27,7 kg), grupo que contém os tradicionais arroz e feijão; frutas (26,4 kg), hortaliças (23,7 kg) e carnes (20,7 kg), que inclui tanto as carnes bovinas quanto as suínas.

A classificação dos alimentos pensados pela pesquisa inclui quatro grupos: alimentos in natura ou minimamente processados, ingredientes culinários processados, alimentos processados e alimentos ultraprocessados. Foram analisados 17 grupos de alimentos no total.

Veja os grupos produtos mais adquiridos pelos brasileiros nos últimos anos:

 

O que mais se consumiu por região do País durante o período 2017-2018

Nordeste
Foram destaques os grupos Bebidas e infusões (67,5kg, 29% acima da média nacional) e cereais e leguminosas (31,9 kg).

Sul
A região teve médias acima da nacional e das outras regiões para sete dos 17 grupos: Laticínios (48,2 kg), Frutas (31,9 kg), Hortaliças (31,3 kg), Carnes (25,5 kg), Açúcares, doces e produtos de confeitaria (15,8 kg), Óleos e gorduras (7,73 kg) e Sais e condimentos (6,4 kg).

Centro-Oeste
No caso grupo Carnes que apresentou uma média de 24,5 kg tendo também um resultado significativo no grupo Cereais e Leguminosas (32,6 kg), ambos acima da média Brasil.

Norte
Como já foi observado em pesquisas anteriores, se destaca na média de
aquisição do grupo Pescado (9,85 kg), ficando muito acima das outras regiões e da média nacional (2,79 kg).

Outras categorias como Aves e ovos, Farinha, féculas e massas e Cocos, castanhas e nozes apresentaram as maiores médias: 19,9 kg, 17,8 kg e 9,53 kg, respectivamente. No caso desse último grupo, ele é cerca de 726% maior que a média brasileira de 1,15 kg.

Sudeste
Destacam-se as médias das aquisições de Laticínios (38,4 kg), Hortaliças (25,01 kg), Panificados (18,1 kg) e Alimentos preparados e misturas industriais (5,11 kg), todas elas
acima das médias nacionais.