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Brasil
NOTÍCIA

Suspeito de envolvimento na morte de Marielle é morto pela Polícia na Bahia; ele usava RG falso emitido no Ceará

Durante a abordagem, houve troca de tiros e ele acabou sendo ferido. PSOL pedirá informações sobre as circunstâncias da morte

11:33 | 09/02/2020
Capitão Adriano foi morto durante confronto com a polícia, segundo a SSP-BA
Capitão Adriano foi morto durante confronto com a polícia, segundo a SSP-BA (Foto: Divulgação/SSP-BA)

Atualizada às 15 horas

Um ex-policial militar, suspeito de ter envolvimento na morte da vereadora carioca Marielle Franco, foi morto durante uma ação da polícia na cidade de Esplanada, no interior da Bahia. Adriano Magalhães da Nóbrega, conhecido como capitão Adriano, foi morto na manhã deste domingo, 9. Ele é acusado de liderar uma das maiores milícias do Rio de Janeiro, o Escritório do Crime, e estava foragido desde janeiro de 2019. Como O POVO publicou, Adriano é ex-capitão do Bope do Rio de Janeiro e usava carteira de identidade falsa que teria sido emitida no Ceará

Ele usava o nome de Marco Antônio Linos Negreiros em RG como suposta data de emissão pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado em 9 de junho de 2016. A Polícia considera a hipótese de que o RG tenha mesmo sido emitido pela SSPDS-CE, a partir de uma certidão de nascimento falsa.

Através de nota, o PSOL, partido do qual Marielle fazia parte, afirma que exigirá esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte de Adriano, que era indicado como peça chave para que os mandantes do assassinato fossem descobertos. 

De acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública (SSP), Adriano começou a ser monitorado por equipes de inteligência da SSP após a informação de que ele teria buscado esconderijo na Bahia. Ele foi encontrado em um imóvel na zona rural de Esplanada.

Ainda segundo a SSP, Adriano resistiu à abordagem e disparou contra os policiais. Houve troca de tiros e ele acabou sendo ferido. Ele teria sido levado para um hospital da região, mas não resistiu

"Procuramos sempre apoiar as polícias dos outros estados e, desta vez, priorizamos o caso por ser de relevância nacional. Buscamos efetuar a prisão, mas o procurado preferiu reagir atirando", comentou o secretário da Segurança Pública da Bahia, Maurício Teles Barbosa.

Foram encontradas com ele uma pistola austríaca calibre 9mm e outras três armas. Participaram da operação equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe) Litoral Norte e da Superintendência de Inteligência (SI) da Secretaria da Segurança Pública.

Armas foram encontradas em imóvel onde estava Adriano
Armas foram encontradas em imóvel onde estava Adriano (Foto: Divulgação SSP/BA)

Quem é Adriano?

Ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro, Adriano comandava o Escritório do Crime, um grupo de matadores de aluguel. Segundo informações do Uol, há suspeitas de que membros do Escritório tenham participação na morte de Marielle.

Ainda segundo reportagem do Uol, Adriano entrou no Bope em 1996, e fez o curso de operações especiais do Bope, onde conheceu Fabrício de Queiroz, que trabalhou como assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), quando este foi deputado estadual. Anos depois, Queiroz indicou a mãe e a mulher de Capitão Adriano para trabalhar no gabinete do filho mais velho do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Adriano foi um dos homenageados por Flávio Bolsonaro com a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio, em 2005, enquanto estava preso sob acusação de homicídio.

Comunidade controlada

O Escritório do Crime controlava a área da Muzema, onde dois prédios desabaram no ano passado. De acordo como Ministério Público, capitão Adriano dirigia o esquema de construção civil ilegal nessas comunidades. O major da Polícia Militar Ronald Alves Pereira por sua vez, foi denunciado por comandar negócios ilegais da milícia, entre eles, grilagem de terra e agiotagem.

O desabamento nesta sexta deixou ao menos três mortes e dez feridos. Segundo a prefeitura do Rio, as construções eram irregulares e tiveram as obras interditadas em novembro de 2018.

PSOL exige esclarecimento

O PSOL, partido do qual Marielle fazia parte, emitiu nota na manhã deste domingo, 9, sobre a morte de Adriano. Confira nota na íntegra:

"Na manhã deste domingo ficamos sabendo pela imprensa que Adriano da Nóbrega, miliciano ligado a Flávio Bolsonaro e um dos chefes da milícia conhecida como Escritório do Crime, foi morto pela polícia na Bahia. Adriano estava foragido e era suspeito de envolvimento no assassinato de nossa companheira Marielle Franco e Anderson Gomes.

A Executiva Nacional do PSOL exige esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte do miliciano e, através de sua Executiva Nacional, de sua direção regional Bahia e parlamentares, solicitará uma audiência com a Secretaria de Segurança Pública daquele estado para obter maiores informações, uma vez que Adriano da Nóbrega era peça chave para revelar os mandantes do assassinato de Marielle e Anderson. Avaliaremos medidas que envolvam autoridades nacionais. Seguimos exigindo respostas e transparência para pôr fim à impunidade.

Marielle e Anderson: presentes!"

 

Do Jornal Correio para a Rede Nordeste

Com informações do O POVO