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Brasil
SANEAMENTO BÁSICO

Brasil apresenta indicadores de água e esgoto piores do que 105 países, segundo relatório

Países vizinhos como Chile, México e Peru possuem desempenho melhor que o Brasil

00:08 | 26/04/2019
País precisaria investir em saneamento cerca de R$ 20 bilhões por ano - montante que nunca foi alcançado, segundo o levantamento do Panorama.
País precisaria investir em saneamento cerca de R$ 20 bilhões por ano - montante que nunca foi alcançado, segundo o levantamento do Panorama. (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

O Brasil está atrás de 105 países em relação aos indicadores de acesso à água e esgoto. Segundo o Panorama da Participação Privada no Saneamento 2019, com base em dados internacionais, o desempenho do País é pior que o verificado nos países vizinhos.

O Brasil apresenta percentual de serviço de esgoto de apenas 51,9%. Nesse mesmo cenário, países como Chile, México e Peru possuem 99,1%, 85,2% e 76,2%, respectivamente.

Em relação ao acesso à água, Chile (99%), México (96,1%), Peru (86,7%) e até mesmo a Bolívia (90%) chegam a ter o índice de atendimento do líquido maior que o do território brasileiro (83,3%).

Para mudar essa situação, o País precisaria investir cerca de R$ 20 bilhões por ano – montante que nunca foi alcançado, segundo o levantamento do Panorama. Em 2016, por exemplo, foram investidos R$ 11,33 bilhões em saneamento, ou seja, 0,18% do Produto Interno bruto (PIB) nacional. Em 2017 esse montante caiu para R$ 10,05 bilhões.

Conforme o estudo do Panorama, a perda de água no País representa cerca de R$ 10 bilhões por ano – ou seja, todo o volume investido no setor.

Importante indicador de desenvolvimento de um país, o saneamento básico também tem reflexos na saúde da população. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compilados no Panorama 2019 da iniciativa privada, mostram que 1.933 municípios (34,7% do total) registraram ocorrência de epidemias ou endemias provocadas pela falta de saneamento básico em 2017.

Dengue

A doença mais citada pelas prefeituras foi a dengue. No período, 1.501 municípios (26,9% do total) registraram ocorrência da doença – transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti, que se reproduz em água parada.

Outras doenças com grande incidência, provocadas pela falta de saneamento, foram a disenteria (23,1%) e verminoses (17,2%) – que tem efeito negativo na economia seja por causa dos gastos com internação ou pelos afastamentos do trabalho.

Segundo o levantamento realizado pelo Panorama, considerando o avanço gradativo do saneamento, em 20 anos (2016 a 2036), o valor da economia com gastos com a saúde – seja pelos afastamentos do trabalho ou pelas despesas com internação no Sistema Único de Saúde (SUS) – alcançaria R$ 5,9 bilhões no País.

No Ceará, dados do Ministério da Saúde apontam que o número de casos de dengue teve aumento de 81,8% em comparação com o mesmo período de 2018. Até o dia 16 de março deste ano, o Estado notificou 2.034 casos da doença, no ano passado foram 1.119. A incidência é de 22,4 casos/100 mil habitantes.

DAVID MOURA