PUBLICIDADE
Brasil
Caso Marielle

"Presos poderão pensar em delação", diz Witzel sobre prisão de suspeitos de matar Marielle

11:42 | 12/03/2019
Marielle foi morta em 14 de março
Marielle foi morta em 14 de março

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, abriu coletiva de imprensa sobre a prisão dos dois suspeitos de assassinar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. "Esses que foram presos hoje certamente poderão pensar num delação premiada", afirmou na fala de abertura. O secretário de Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga, e de delegados da Delegacia de Homicídios também participam.

"Não são provas fáceis de serem obtidas. Não são provas documentais ou testemunhais", disse o governador Wilson Witzel. Ele também criticou, de forma política, o "sucateamento da Polícia Civil", justificando a criação da secretaria da Polícia Civil. "O resultado tá se materializando neste e em outros casos". O processo conta com 5.700 páginas.

"A gente teve uma postura de sigilo e isso foi muito caro porque nem todos conseguem entender essa necessidade da investigação. É preciso que a mídia entenda que, em determinadas investigações, o sigilo é imprescindível, para não coloca toda uma investigação a perder", diz o delegado Giniton Lages, chefe da Delegacia de Homicídios da capital fluminense. "O crime Marielle e Anderson não pode se repetir".

"Os suspeitos passaram duas horas em campana, dentro do veículo. Isso nos chamou atenção", afirmou. Ele disse que mesmo com três testemunhas narrando a ação, não haveria possibilidade de reconhecer o atirador, já que ele usava uma "touca ninja". O uso do acessório foi tratado como um problema na investigação.

O delegado continuou afirmando que a Polícia contou com vasto banco de imagens, mostrando de onde os criminosos vieram e para onde foram após o crime. Ele negou que câmeras tenham sido desligadas para impedir a visão do crime. "Nós não temos um vestígio aparente notório que vai fechar o caso por si só. O caso Marielle e Anderson não se trata disso".

As autoridades enfatizaram que o resultado apresentado hoje é parcial, já que a investigação ainda não foi concluída. A morte de Marielle e Anderson completa um ano no próximo dia 14. A operação "Lume" foi intitulada desta forma em referência a um projeto social de cunho feminista que a vereadora fazia parte. 

"Vamos entrar numa fase ainda mais difícil e nós não nos permitimos errar porque sabemos da responsabilidade que arca a Polícia Civil", diz o delegado Giniton Lages. O protocolo de sigilo será mantido para não atrapalhar a investigação.

Os criminosos estavam em um veículo Cobalt clonado. Os investigadores acompanharam o trajeto do carro após a identificação da placa. Ainda conforme as autoridades, o veículo verdadeiro estava guardado em uma garagem, na zona sul do Rio, e pertencia a uma cuidadora de idosos.

Na coletiva, a polícia afirmou que agora tem certeza de que só duas pessoas estavam dentro do carro no momento do crime, ambos presos nesta manhã.

A investigação aponta que o policial militar Ronnie Lessa pesquisava na internet os locais frequentados pela vereadora Marielle. Outra informação fornecida pelo delegado é de que "o perfil dele revela obsessão por determinadas personalidades que militam para a esquerda". Um dos nomes citados é o do deputado Marcelo Freixo (Psol).

Na análise dos investigadores, era perceptível observar "discurso de ódio e desejo de morte" a essas personalidades. Ele também afirmou que a Delegacia de Homicídios "nunca deu nenhuma conotação a esse crime".

Giniton Lages também afirmou que o fato do suspeito morar no mesmo condomínio onde vive a família Bolosonaro, no Rio, não tem relação direta com o caso. "Não foi objeto da investigação". Ele disse ainda que todos os fatos revelados até o momento fazem parte apenas da primeira etapa da investigação, que continuará.

Redação O POVO Online