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MP-RJ convoca dirigentes do Flamengo e autoridades para ações "imediatas"

19:19 | 10/02/2019
O Ministério Público (MP) do Estado do Rio de Janeiro convocou dirigentes do Flamengo e representantes de órgãos do Estado e da Prefeitura do Rio para buscar ações "imediatas" para a tragédia que causou a morte de dez jogadores da base e deixou outros três feridos. O encontro será realizado na tarde desta segunda-feira, na sede do MP, no centro do Rio de Janeiro.
Os promotores querem saber o que o clube está fazendo para auxiliar os familiares das vítimas e entender quais seriam as irregularidades no CT do clube carioca apontadas por órgãos públicos. No domingo, no fim da tarde, o Flamengo emitiu nota em que procura se isentar de culpa no incêndio que consumiu os contêineres onde dormiam os garotos no momento da tragédia.
O encontro na sede do Ministério Público reunirá também representantes do MP do Trabalho - que já abriu investigação sobre o incêndio -, da Defensoria Pública do Estado, da Secretaria de Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da Prefeitura do Rio. Nesse primeiro momento, a intenção não é apontar culpados pela tragédia, mas sim esclarecer o que de fato estava regular e o que não estava.
Desde sexta-feira, órgãos de fiscalização e clube têm feito uma espécie de jogo de empurra. É sabido que o Flamengo não tinha o Certificado de Aprovação emitido pelo Corpo de Bombeiros e que o clube já havia sido autuado 31 vezes pela Prefeitura do Rio por irregularidades em seu CT. O Flamengo, por sua vez, alega que possui oito de nove licenças exigidas e que estava em processo de obter a que faltava.
Dirigentes e executivos do clube não têm concedido entrevistas desde que a tragédia aconteceu. O presidente, Rodolfo Landim, fez um breve pronunciamento na sexta e não deu mais nenhuma declaração. Já o CEO, Reinaldo Belotti, falou por cerca de 15 minutos no sábado e saiu sem responder perguntas.
Em seu pronunciamento, Belotti defendera os alojamentos e informara que as instalações eram certificadas pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. No domingo, contudo, a Prefeitura do Rio contestou a declaração. "É infundada por não estar dentro das atribuições do órgão", comentou, em nota. "Qualquer declaração contrária carece de provas documentais e/ou testemunhais."
O clube rubro-negro tem se manifestado apenas por intermédio de comunicados genéricos. No domingo, o Flamengo emitiu nota em que se isenta de responsabilidades pelo incêndio. O comunicado informa que o clube carioca tem contrato de locação dos alojamentos com a empresa NHJ do Brasil, "que é reconhecida como pioneira e uma das líderes do mercado".
Segundo o clube, representantes da NHJ estiveram na Gávea pela manhã e "esclareceram que o poliuretano (uma espécie de espuma) utilizado entre as chapas metálicas (que serviam de parede nos contêineres) não é propagador de incêndios, por ter característica auto-extinguível".
Ainda segundo a nota, a empresa Colman Refrigeração LTDA realizou serviço de manutenção preventiva nos seis aparelhos de ar-condicionado instalados nos alojamentos. O serviço, segundo o clube, foi realizado na terça-feira. No sábado, a informação era de que a manutenção teria ocorrido na quinta-feira, véspera do incêndio. Um curto circuito em um desses aparelhos é a causa mais provável do incêndio.
No que diz respeito ao tratamento dispensado aos familiares das vítimas, o Flamengo informou que "independentemente de qualquer investigação, vem prestando todo o amparo", e afirmou que assumiu o compromisso de manter a remuneração paga aos atletas vítimas do incêndio, "sem qualquer prejuízo de outras ações adicionais".
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