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São Paulo

Jovem que fez faxina para pagar cursinho é aprovado em medicina na USP

No intervalo entre a escola e o curso técnico, o estudante precisou ainda estudar por seis meses em banheiro de posto de combustível onde a mãe trabalha

18:39 | 10/02/2019

Guilherme Nobre
Guilherme Nobre (Foto: REPRODUÇÃO/FACEBOOK)

O estudante Guilherme Nobre, de 19 anos, foi aprovado para o curso de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), após passar por rotina pesada de estudos. Morador de Santos, no litoral paulista, o jovem precisou fazer faxina para pagar cursinho e, nas horas vagas, estudou dentro do banheiro de um posto de combustíveis, de onde a mãe trabalha. O sonho de ser médico, porém, foi mais alto do que as dificuldades pelas quais teve de enfrentar.

Em entrevista ao portal G1, o estudante contou que ganhou bolsa de estudos no cursinho pré-vestibular após negociar com uma professora. Como não tinha dinheiro para pagar, Guilherme teve de fazer faxina na instituição para poder acompanhar as aulas. "Ela (a professora) me deu uma bolsa e, em troca, eu tinha que organizar as coisas, limpar as salas, passar um pano em tudo, trocar o lixo e lavar os banheiros. Eu dependia daquilo para alcançar meu sonho, então se tornaram coisas simples", informou.

A rotina dele era ir para escola pela manhã, para o curso técnico à tarde e depois para o cursinho pré-vestibular durante a noite. Quando saia do colégio, ele ia para o posto de combustíveis onde a mãe trabalha como frentista. Após tomar banho no próprio local, por vezes Guilherme ficava estudando no banheiro. "Passei quase metade do ano estudando no banheiro”, relembra.

No fim de janeiro, o estudante foi aprovado em Medicina na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Dias depois, ele voltou a ver seu nome entre os aprovados em Medicina. Desta vez, no entanto, foi na USP de Ribeirão Preto. "Senti como se eu tivesse ganhado na loteria", brincou Guilherme, que ficou em quarto lugar entre as quatro vagas disponíveis para cotistas.

O novo calouro e futuro médico também relatou que nunca tinha pensado que poderia ser aceito na USP. "Eu até esperava passar em outra faculdade. Mas aí percebi que eu estudei para uma USP. Meus pais ficaram muito felizes. Foi emocionante ver que a batalha deles valeu a pena e saber que poderei fazer a diferença na vida das pessoas", enfatizou.