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Incêndio mata dez jovens da base do Flamengo no Ninho do Urubu

20:35 | 08/02/2019
Dez atletas das categorias de base do Flamengo, entre 14 e 16 anos, morreram após um incêndio ter atingido o alojamento - quartos provisórios montados em contêineres - onde os garotos dormiam, no Ninho do Urubu, o Centro de Treinamento (CT) do clube, em Vargem Grande, zona oeste do Rio, na madrugada de sexta-feira.
Além dos mortos, outros três garotos ficaram feridos, um deles em estado grave teve 35% do corpo queimado. O local, chamado de "puxadinho" pelo secretário de Defesa Civil da cidade e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Roberto Robadey, não estava com a documentação regularizada. A prefeitura do Rio pediu a interdição do CT em outubro de 2017, após quase 30 multas por falta de alvará. Além disso, a área era descrita como estacionamento, de acordo com documentos do órgão.
No início da noite de sexta, o Instituto Médico Legal do Rio confirmou a identidade dos mortos: Arthur Vinícius de Freitas (14 anos), Bernardo Pisetta (14), Christian Esmerio (15), Jorge Eduardo Santos (15), Pablo Henrique da Silva (14), Vitor Isaías (14), Samuel Thomas Rosa (15), Áthila Paixão (15), Gedson Santos (14) e Rykelmo de Souza Viana (17).
Entre os feridos, Jhonata Cruz Ventura, de 15 anos, é o que tem a situação mais delicada. Ele teve cerca de 35% do corpo queimado e está internado no Hospital Pedro II, especializado em queimaduras. Foi entubado e respirava com ajuda de aparelhos. Havia risco de morte. Os outros dois são Cauã Emanuel Gomes Nunes, de 14 anos, e Francisco Diogo Bento Alves, de 15.
Treze atletas das categorias de base do clube e três funcionários do clube foram ouvidos pela Polícia Civil do Rio no inquérito que apura a responsabilidade pelo incêndio. Todos os atletas estavam no alojamento quando o fogo começou. Não há previsão de novos depoimentos.
A 42.ª Delegacia de Polícia (Recreio dos Bandeirantes), responsável pela investigação, requisitou ao Flamengo as imagens de câmeras de segurança instaladas no centro de treinamento e solicitou ao Corpo de Bombeiros e à Prefeitura do Rio a documentação referente ao funcionamento do CT. Até a noite de sexta, a Polícia Civil não havia se manifestado oficialmente sobre as prováveis causas do incêndio, mas a principal suspeita é que tenha havido um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado.
O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) informa que não há proibição para o alojamento de funcionários em contêineres. "O alojamento em contêineres não é vetado pela legislação trabalhista, mas ele precisa estar devidamente adequado, de modo a propiciar condições dignas de dormitório", afirma Danielle Cramer, procuradora do Ministério Público do Trabalho do Rio e coordenadora de uma força-tarefa criada pelo órgão para investigar as condições do ambiente de trabalho no Ninho do Urubu. "Vamos atuar por dois objetivos: assegurar a assistência devida aos feridos e às famílias dos mortos e cobrar as mudanças estruturais que se fizerem necessárias no centro de treinamento para que se torne um local seguro", diz Danielle.
Além de ser o clube de maior torcida, o Flamengo é o mais rico do Brasil. Apenas para a temporada 2019, investiu quase R$ 110 milhões em reforços para seu time principal. Nos últimos meses, as vendas dos atacantes Vinicius Junior, ao Real Madrid, e Lucas Paquetá, ao Milan, renderam mais de R$ 300 milhões aos cofres do clube - a previsão de orçamento para a temporada é de R$ 750 milhões.
O CT do Flamengo é novo, foi inspirado nos locais de treinos dos grandes clubes da Europa e os contêineres onde os garotos viviam seriam desativados nos próximos dias - eles se mudariam para um módulo novo, de alvenaria. Segundo o comandante do Grupamento de Busca e Salvamento, Douglas Henaut, os bombeiros foram acionados às 5h17 da madrugada. Por volta das 6h20, as chamas haviam sido controladas, mas os oficiais não tinham informações sobre mortos e feridos. Imagens aéreas feitas pelo Estado mostraram parte da área do CT completamente destruída pelo fogo.
De acordo com relatos de jogadores que sobreviveram ao incêndio, minutos antes de o fogo começar houve uma explosão no aparelho de ar-condicionado do alojamento. O local não estava com a documentação regularizada junto ao Corpo de Bombeiros. Segundo a corporação, o CT não possuía o Certificado de Aprovação (CA), documento que atesta que a instalação está de acordo com a legislação vigente no que diz respeito a dispositivos contra incêndio. A informação foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros Militares do Rio (CBMERJ), que ressaltou que isso não significa que o CT não fosse seguro.
O secretário de Defesa Civil do Rio e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Roberto Robadey, disse que o local não tinha certificado de segurança. Chamou o alojamento de "puxadinho". "Não é exclusividade do Fla. As pessoas aprovam uma planta, aí quando vai ver resolvem fazer puxadinhos. A gente lamenta que as pessoas não possam fazer planejamento adequado. É um ato final."
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