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Entenda por que os protestos dos caminhoneiros continuam no País

Falta de comunicação e organização do movimento estão entre os motivos. Além disso, há heterogeneidade até nas reivindicações

15:28 | 28/05/2018
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Uma semana após início da paralisação dos caminhoneiros no Brasil, os impactos sociais e econômicos tentam ser contornados por medidas políticas. O presidente Michel Temer (MDB) cedeu ao movimento neste domingo, 27, anunciando seis medidas demandadas pela categoria.
 
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O principal ponto foi a redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel nos próximos 60 dias. Além disso, reivindicações relacionadas a fretes e pedágios também tiveram propostas apresentadas.
 
[SAIBAMAIS] 
"A gente só sai daqui quando terminar tudo. O valor do diesel que ele baixou a turma não tá querendo, não. É palhaçada. Hoje está fazendo oito dias, se for possível passaremos até mais oito", disse um caminhoneiro ao Jornal do Commercio
 
Nos grupos de WhatsApp dos caminhoneiros, a ordem é manter a paralisação, pelo menos, até terça-feira, 29. Por ora, a maioria concordou em liberar as estradas e continuarem estacionadas em pontos estratégicos. 

A classe decide, portanto, continuar com as paralisações. Sem organização que possa ser apontada como líder, o movimento começou a ser articulado de forma espontânea nas redes sociais pelos caminhoneiros autônomos. Depois, ganhou a adesão de outras categorias, como caminhoneiros de frota (com carteira assinada), taxistas e motoristas de aplicativos. Em comum, o peso da alta dos combustíveis. 

Ao O POVO Online, nesta segunda-feira, 28, caminhoneiros disseram não reconhecer lideranças do movimento. "Líder, aqui, só Deus", frisou um.  

O km 18 da BR-116, por exemplo, seguia interditado na manhã desta segunda. Por lá, caminhoneiros afirmam não aceitar as medidas anunciadas por Temer na noite de ontem.

Outros profissionais revelam dificuldade na comunicação com comitês de organização ou negociação. "A gente sabe que tem um comitê que negocia, mas não sabemos quem faz parte". 

Os motoristas afirmam que o movimento não é encabeçado por nenhum líder político, sindical. É o que conta o caminhoneiro Francisco Helder, 41. "Nada de partido. Houve uma resistência nos primeiros dias, mas agora o movimento ganhou a força da população com toda essa corrupção que acontece", comenta. 
 
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Resposta 
Enquanto isso, o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, em entrevista concedida à Rádio Eldorado na manhã desta segunda, disse que os caminhoneiros devem voltar às atividades ainda hoje. "Acredito que até o meio-dia tudo estará resolvido", afirmou.
 

Lopes explicou que há grupos envolvidos nas manifestações que têm outras pretensões, diferente das dos caminhoneiros e da Abcam. Alguns pedem periodicidade mínima de 30 dias para eventuais reajustes do preço dos combustíveis, por exemplo. Outros transportadores autônomos pedem ainda livre participação nas operações de transporte de cargas da Petrobras, como terceirizados das empresas contratadas pela estatal.  
 
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E além das petições profissionais, outra ala de manifestantes tem pretensões políticas com as paralisações. Na cobertura do O POVO Online na última semana, não foram poucos os grupos que pediam impeachment de Temer e intervenção militar, por exemplo. Outros defendem a liberdade do ex-presidente Lula.

A Abcam informou, em nota divulgada na manhã desta segunda, que "ainda não houve tempo hábil para que todos os caminhoneiros tomassem conhecimento da decisão tomada" na noite deste domingo. "A entidade vem trabalhando para que a informação do acordo chegue em toda a categoria", cita a nota dos caminhoneiros autônomos. 
 
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1) A redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel. Isso corresponde aos valores do PIS/Cofins e da Cide, somados. Segundo Temer, o governo irá cortar do orçamento, sem prejuízo para a Petrobras;

2) A garantia de congelamento do preço do diesel por 60 dias. Depois disso, o reajuste será mensal, de 30 em 30 dias;

3) Será editada uma Medida Provisória para a isenção de eixo suspenso em praças de pedágios, tanto em rodovias federais, como nacionais;

4) O estabelecimento de uma tabela mínima de frete, conforme previsto no PL 121, em análise no Congresso;

5) A garantia de que não haverá reoneração de folha de pagamento no setor de transporte de carga;

6) A reserva de 30% do transporte da carga da Conab para motoristas autônomos.

1) Zerar o Pis/Cofins, tributos federais, em 2018. A proposta passou na Câmara, mas houve erro no cálculo e precisa de revisão. O Governo resiste. O impacto nas contas seria de R$ 14 bilhões.  

2) Nesta terça-feira, 29, será votada, no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), a proposta do Governo para que os Estados incorporem de imediato a redução de 10% no preço do diesel na base de cálculo do ICMS. O que acrescentaria uma redução média de mais R$ 0,05 na bomba. Além da alteração do calendário de reajuste de quinzenal para mensal. Mesmo com a aprovação pelo colegiado, a adesão pelos estados seria voluntária. 

3) Redução das alíquotas de ICMS sobre o diesel que hoje chega a ser, em média, 29% do preço final do produto. O Rio de Janeiro já anunciou redução de 16% para 12% da alíquota. No Ceará, a assessoria de comunicação do Governo informou que o assunto não está sendo discutido. %u200B

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