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Tiroteio na Rocinha deixa morador e PM mortos

Estilhaços de bomba de efeito moral ainda feriram levemente um menino de 11 anos, no braço esquerdo

15:41 | 22/03/2018
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Antônio Ferreira, o “Marechal”, 70, era conhecido na comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Há décadas trabalhava com reparos em eletrodomésticos, como ferros de passar e ventiladores. Dava jeito até em bicicletas, contam os moradores. Era querido na região. 
 
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Como fazia diariamente, estava em seu ponto de trabalho, o mesmo há cerca de 50 anos, na noite desta quarta-feira — "terminaria de jantar, arrumaria as coisas para, depois, voltar para casa", segundo parentes. Não voltou. Durante um confronto entre criminosos e policiais militares, na noite desta quarta-feira, 21, Antônio foi atingido no rosto por uma bala perdida e não resistiu. As informações são do jornal O Globo.
 
[SAIBAMAIS] 
A julgar pela quentinha de papel alumínio caída ao lado de seu corpo, o idoso estava no meio da refeição, quando foi baleado. “Ele era assim, com manias: iria terminar de jantar, arrumar as coisinhas dele e só depois voltaria para casa. Mas dessa vez não foi assim. Aconteceu isso (o tiroteio) e ele não voltou”, disse ao O Globo uma parente da vítima, que pediu para não ser identificada. Familiares de Antônio estavam abalados com a perda repentina do idoso. 

Outros moradores, muitos que o "conheciam desde pequenos", lamentaram o episódio trágico. “Ele tratava todo mundo como se fossem filhos dele. É uma dor que não tem explicação a que família deve estar sentido nesse momento, só quem perde sabe o que é. Tinha ele como um avô. Marechal tinha muita experiência de vida”, contou uma moradora.

Além do idoso, o policial militar Felipe Santos de Mesquita também foi baleado no tiroteio. Ferido no abdômen, ele chegou a ser socorrido e levado por colegas de farda para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, também na Zona Sul, mas morreu na unidade.

De acordo com a Polícia, o confronto começou quando militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade foram atacados por criminosos armados, em patrulha no Largo do Boiadeiro. Houve confronto. Depois, ainda conforme informações da corporação, PMs do Batalhão de Choque foram deslocados para o local onde ocorreu o fogo cruzado. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) também chegou a ser acionado. Os disparos contra os policiais teriam sido feitos de uma parte mais alta do morro.

“Quando há confronto entre eles (criminosos) e os policiais, os moradores é que ficam no meio”, reforçou outra moradora. O caso está sob os cuidados da Delegacia de Homicídios da Capital. Agentes da especializada estiveram no local do crime e deixaram a comunidade já na madrugada desta quinta-feira, após a meia-noite. 

Ainda no fim da noite dessa quarta, moradores relataram tumulto no acesso à comunidade. Neste momento, teria sido lançado uma bomba de efeito moral. Um dos estilhaços feriu levemente um menino de 11 anos, no braço esquerdo. Ele não precisou de atendimento médico.
 
Redação O POVO Online
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