PUBLICIDADE
Brasil
RIO DE JANEIRO

História do menino fotografado no mar de Copacabana é revelada

Naquela noite, o menino da periferia do Rio acompanhava a mãe que vendia chaveiros na praia

09:37 | 11/01/2018

O garoto mora a cerca de 17 km de onde foi fotografado (Foto: Lucas Landau/ Reprodução)
Um menino que, mesmo com frio, parou para admirar o colorido das luzes formado pela queima de fogos do Réveillon em Copacabana, no Rio de Janeiro. A fotografia que retrata esse instante repercutiu e trouxe à pauta discussões sobre a estigmatização das crianças negras no País. A história do protagonista, no entanto, ainda era desconhecida.

O garoto, que tem oito anos, acompanhava a mãe, que é vendedora ambulante, de 35 anos, naquela noite em que decidiu se enredar com o céu. No momento registrado pelo fotógrafo Lucas Landau, o menino havia saído de perto da mãe para dar um mergulho. É o que revela matéria do jornal El País Brasil, divulgada nesta quarta-feira, 10.

+Leia a opinião da fotógrafa Iana Soares

O pequeno mora a cerca de 17 km de onde foi fotografado, em um prédio ocupado pelo tráfico em uma favela do Rio, e integra uma família de mais três irmãos. A mãe vende chaveiros na praia para sustentar a família, é analfabeta e não tem celular. Por isso, se assustou quando viu, após alerta de uma vizinha, a foto do filho ser divulgada.

Ela chegou a ir à delegacia de Repressão de Crimes de Informática para prestar  uma queixa, mas a polícia não identificou crime. Portanto, não houve investigação. O registro policial foi a fonte para que a reportagem tivesse acesso às informações.

Lucas Landau já havia contado que chegou a conhecer o garoto após o registro, mas não quis divulgar mais informações: “O conheci cinco dias depois da nossa vida ter mudado. Conheci também sua mãe. Foi um encontro emocionante em que pudemos criar nossos vínculos, finalmente”. Ele destacou que pretendia manter discrição sobre a história. “Escolhemos manter esse momento privado, assim como a nossa relação. Pedimos que as pessoas e a imprensa compreendam e nos respeitem”, disse.