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Brasil
SÃO PAULO

Após ser diagnosticado com sinusite, enxaqueca e infecção urinária, homem morre de febre amarela

O Estado de São Paulo é considerado área de risco pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

10:27 | 17/01/2018
Anderson Lopes Oliveira dos Santos, internado em hospital na Grande São Paulo (Foto: Arquivo Pessoal)
 
Ao passar em frente a um posto de saúde na véspera de Natal, o técnico em refrigeração Anderson Lopes Oliveira dos Santos, 31, comentou com a esposa que ainda não havia tomada a vacina contra a febre amarela. A esposa, Maria Dolores Faria Moraes, 26, estava preocupada e insistia para que o marido fosse tomar a vacina. 

Anderson, a fim de tranquilizar a esposa, explicou que esse tipo de doença não pega em seres humanos, e que se fosse realmente sério estaria matando pessoas e não macacos. A doença matou o técnico em 15 dias. A família mora em Mairiporã, cidade que registrou 20% dos 40 casos de febre amarela silvestre no Estado de São Paulo - 21 dos infectados morreram. Maria e os dois filhos do casal Beatriz, 8, e Gabriel, 6, já estavam imunizados. Só faltava Anderson, que de acordo com Maria, deixou a vacina para janeiro. 

Após a festa de Ano Novo, no primeiro dia do ano, Anderson já se sentia mal. Febres, dores no corpo e de cabeça, fizeram com que ele procurasse um Hospital. Ao chegar ao Hospital Municipal Nossa Senhora do Desterro, o técnico foi diagnosticado com sinusite.
 
De acordo com a esposa, o marido havia discordado do médico e insistiu que seu nariz não estava escorrendo e ele não espirrava. Mas, voltou para casa com uma receita de antiinflamatórios e descongestionante nasal. 

Após alguns dias, Anderson voltou ao mesmo hospital, com sintomas mais fortes. As dores no corpo se concentravam nas articulações, ele passara a vomitar e ter incômodo para urinar. O técnico também relatou que tinha a visão turva e sensação de areia nos olhos. O novo diagnóstico foi infecção urinária. 

Segundo o portal de notícias G1, o técnico voltou ao hospital no dia 4, e o diagnóstico da vez foi enxaqueca. Apenas na madrugada do dia 5, com os sintomas piorados, os médicos o diagnosticaram com febre amarela. Horas depois ele foi transferido para um hospital do município vizinho, Franco da Rocha, onde foi internado. 

Após a internação, a doença se agravou rapidamente. Os rins e fígado de Anderson foram comprometidos. O técnico passou a fazer hemodiálise e a apresentar problemas no sistema neurológico. O rapaz não sabia onde estava e apresentava o pensamento confuso. Apenas no terceiro dia de internação foi confirmado por meio de exame de sangue, que Anderson estava com febre amarela. 

Anderson passou a ter hemorragia pelos ouvidos, boca e nariz. Entrou em coma no dia 8, e morreu no dia 9, pela manhã. 

São Paulo
A Organização Mundial da Saúde (OMS), passou a recomendar, ontem, a vacinação para todos os viajantes internacionais que visitem qualquer área do Estado de São Paulo. O estado é considerado área de risco. O governador do estado, Geraldo Alckmin (PSDB), informou ontem que a campanha de vacinação contra a febre amarela será antecipada em uma semana. A campanha começaria dia 3 de fevereiro, mas agora terá seu início no próximo dia 29 e seguirá até 17 de fevereiro. 

A vacinação já é recomendada para viajantes internacionais que visitem estados das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil. Além de Minas Gerais, Maranhão, Bahia, Piauí e partes da região Sul. O viajante deve ser vacinado 10 dias antes da viagem. 

Brasil
Durantes os meses de fevereiro e março, o País terá uma campanha de vacinação, mas em doses fracionadas. O objetivo do fracionamento é conseguir atender a um maior número de pessoas. 

O efeito da dose menor é mais efêmero e tem um período de eficácia variável. Estudos precisam ser feitos para precisar a duração da vacina, se é de cinco, oito, 10 ou mais anos. Segundo o Instituto Bio-Manguinhoz, da Fiocruz, que produz a vacina no País, ela pode proteger até oito anos. 
 
A dose padrão da vacina proporciona imunidade eficaz dentro de 30 dias para 99% das pessoas imunizadas. 

Febre Amarela
O nome “febre amarela” refere-se ao sintoma da icterícia, quando a pele do infectado atinge uma coloração amarela, apresentado por alguns pacientes da doença, que foi o caso de Anderson. 

A doença é transmitida por mosquitos infectados e causa febre hemorrágica. Dentre os sintomas estão febre, dores de cabeça e musculares, náuseas, vômitos e fadiga. Apenas algumas vítimas apresentam sintomas mais graves, como insuficiência hepática e renal, que podem levar à morte. Dentre os casos graves, aproximadamente metade deles resulta em morte num período de 10 dias. 

Entre os viajantes com contra-indicações para a vacina (gestantes, crianças com menos de nove meses, lactantes, pessoas com hipersensibilidade grave à proteína do ovo, imunodeficiência grave ou idosos acima de 60 anos), devem consultar com um médico o risco-benefício de realizar a viagem. 
 
Redação O POVO Online