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Estudante tem aparelho de surdez confiscado no Enem

O problema acontece no mesmo ano em que o tema da redação é "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil"

20:50 | 07/11/2017
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Danilo Maralha Ribeiro, de 17 anos, foi retirado da sala e revistado por estar usando um aparelho de surdez no momento em que fazia a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no domingo, 5, em Santa Bárbara d'Oeste, em São Paulo. Conforme a família, o aparelho foi retirado e devolvido danificado. A informação é do Estadão.

Os pais registraram um boletim de ocorrência na Polícia Civil por dano e constrangimento. A auxiliar odontológica Emirlei Ribeiro Maralha, mãe de Danilo, diz que na inscrição o filho informou que tinha deficiência auditiva. Danilo tem deficiência total num dos ouvidos e parcial em outro.

Para Emirlei, embora o jovem não tenha falado do aparelho, quando se informa a deficiência auditiva, presume-se que a pessoa use aparelho.

O rapaz relatou que foi abordado por dois fiscais que o mandaram interromper a prova e sair da sala. O aparelho foi retirado e o candidato foi revistado. O acessório foi devolvido dentro de um saco plástico e teve que ficar sob a carteira.

A mãe disse que quando Danilo foi usar, não estava funcionando. O jovem, de acordo com a mãe, ficou transtornado com o acontecido, além de ter perdido muito tempo. "Não sei em que condições ele conseguiu fazer a prova", disse.

Informado do problema, o pai de Danilo, Lourival Francisco Ribeiro, foi à Faculdade Anhanguera, local da prova, e falou com os organizadores do Enem, que disseram que o procedimento adotado foi o padrão. Ele explica, no entanto, que Danilo estuda em escola pública e nunca passou por esse tipo de constrangimento.

O dentista Marcelo Queiroz, que trabalha com a mãe de Danilo, destacou a incompatibilidade entre o desafio proposto aos candidatos na redação e o tratamento dado ao adolescente.

Danilo falou que não fará a prova no próximo domingo, 12, mas Emirlei acha que ele mudará de ideia.

Nesta terça-feira, 7, Danilo foi à fonoaudióloga para avaliar os danos causados ao aparelho. A família ainda não decidiu o que fará. Emirlei diz que até o momento "ninguém do Enem nos procurou".

O adolescente está no terceiro ano do ensino médio e faz curso técnico na escola do Serviço Nacional da Indústria (Senai). O desejo de Danilo é cursar Engenharia ou Educação Física.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, informou ao Estado de S. Paulo até a tarde desta terça-feira que os fatos ainda estão sendo analisados pela equipe técnica. A assessoria de comunicação ainda irá emitir nota sobre o caso.

 

Redação O POVO Online

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