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Brasil
Pesquisa

Após licença-maternidade, 48% das mulheres ficam desempregadas

Os dados do Ministério do Trabalho mostram que a maioria das profissionais foi demitida sem justa causa

15:00 | 06/09/2017

(Foto: Divulgação)

Uma pesquisa realizada com 247 mil mulheres 12 meses após terem tido filhos revelou que metade deste número está fora do mercado de trabalho. A pesquisa "Licença-maternidade e suas consequências no mercado de trabalho do Brasil" foi realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ouviu apenas mulheres que atuavam no setor privado. As informações são do site da revista Marie Claire.

Até 2016, o desempenho de 247.455 mulheres, com idade entre 25 e 35 anos, foi acompanhado por pesquisadores. Essas mulheres tiraram lincença maternidade entre os anos de 2009 e 2012.

A partir do quinto mês depois da licença maternidade, quando acaba o tempo do direito, o desemprego aumenta. 5% destas mulheres não trabalham mais. Esse percentual atinge 15% no mês seguinte. No 12º mês, 48% das brasileiras já não estão empregadas.  

No Brasil, o direito da licença-maternidade dura de 120 a 180 dias. É assegurada a estabilidade no emprego até cinco meses depois do primeiro dia do benefício.  

De acordo com a professora da FGV EPGE, Cecilia Machado, autora do estudo com Valdemar Neto, aluno de doutarado na faculdade, os dados do Ministério do Trabalho mostram que a maioria das profissionais foi demitida sem justa causa. Não é possível concluir, no entanto, se essas demissões foram ou não por decisão dos empregadores.

Cecilia diz que em muitos casos as mães deixam seus empregos por não terem com quem deixar os filhos. Em decorrência da indenização do FGTS, existem incentivos para acordos de rescisão de contrato por iniciativa do empregador.

Outra informação que a pesquisa traz é referente a escolaridade. Quanto maior o nível de escolaridade da funcionária, maiores suas chances de permanência na função.

A pesquisadora diz que no exterior algumas empresas já oferecem trabalho de carga horária parcial para mulheres com filhos pequenos. Ela sugere que a mesma alternativa pudesse ser aplicada no Brasil.

Redação O POVO Online