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Escola orienta aluno a ir fantasiado de 'favelado do Rio de Janeiro' e revolta mãe

Através de nota, a escola pediu desculpas pelo ocorrido e explicou que objetivo era mostrar a desigualdade social por meio da dramatização de uma música

16:40 | 29/06/2017
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Na última quarta-feira, 28, uma mãe compartilhou em seu perfil do Facebook, um recado enviado pelos professores da escola de seu filho. Nele, tinha um pedido que o menino fosse vestido de "favelado do Rio de Janeiro" para uma apresentação, na qual os alunos dramatizariam uma música. O caso ocorreu em Itajaí, em Santa Catarina.

"Fantasia de favelado? Como assim? O meu filho já havia decidido que não iria participar da apresentação, então eu nem sabia dessa tal fantasia. Só hoje descobri que a fantasia é de FAVELADO DO RIO DE JANEIRO. Outra metade dos alunos tem que ir vestido de médico, advogado, entre outras profissões, já que vão representar a outra parte da cidade", escreveu a mãe do aluno.

"É triste perceber que esse tipo de preconceito, que eu tanto abomino, está sendo ensinado para nossos filhos dentro da escola. São preconceitos como esse que geram os esteriótipos que, por sua vez, causam descriminação e arruínam a vida de tantas pessoas", continuou.

A mãe lamentou o preconceito "ensinado dentro da escola" e ainda disse que os professores explicaram que o aluno deveria ir de bermuda, óculos escuros e boné.

"Na minha opinião, fantasia de FAVELADO DO RIO DE JANEIRO é de professor, policial, jornalista, estudante, dona de casa... Porque eu tenho certeza que essas classes não moram na Barra da Tijuca ou em Copacabana", relatou.

Em nota, a diretora do colégio classificou o ocorrido como "um grande equívoco, um erro de posicionamento". Em um comunicado oficial da escola, ela explicou que a intenção era que, após um trimestre estudando as desigualdades sociais, os alunos fizessem uma dramatização da música Afogados, dos Paralamas do Sucesso.

Leia o comunicado oficial da escola:

"Viemos através desta transcrever nossos mais sinceros pedidos de desculpas, pois ainda que possamos ter explicações , reconhecemos a inadequação de uma frase descontextualizada. Ouvimos cada um de vocês, e explicamos o contexto da ação. Jamais teríamos a intenção de criar estereótipos. Nosso espírito educacional é sempre na intenção de realizar ações que possam somar com a comunidade. É de prática cotidiana o acolhimento e humanização a nossos alunos, famílias e funcionários. Houve um sério equívoco no bilhete enviado às famílias dos quartos anos e que separado do contexto a que pertencia tornou-se inaceitável. Esclarecemos que a atividade proposta foi na verdade baseada na canção Alagados, do conjunto Paralamas do Sucesso, onde é citada a Favela da Maré, uma das maiores do Rio de Janeiro, onde vivem hoje 130 mil pessoas, em comunidades que se estendem entre a avenida Brasil e a Linha Vermelha - duas das mais importantes vias de acesso à cidade. Não viemos criar muros e sim trabalhar e expor estes movimentos de cidadania e inclusão.

Não aceitamos racismo, xenofobia, homofobia ou qualquer intolerância de classes. Nossos 55 anos de história atestam esta postura. Convidamos a todos para acompanharem o nosso trabalho que sempre privilegiou os valores e reafirmar que repudiamos toda e qualquer forma de exclusão. Contamos com a compreensão nesse momento e as providências internas já foram tomadas.

Por isso estamos indo além do pedido de desculpas. Assumimos aqui um compromisso público de sermos cada vez mais intolerantes e intransigentes nesse sentido. Enfrentaremos esse momento com humildade e o superaremos, fica o aprendizado.

Atenciosamente,

A Direção"

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Redação O POVO Online

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