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Brasil
transfobia

Caso Dandara repercute entre políticos e artistas; ato em Fortaleza será na sexta

Ato público pede justiça nesta sexta-feira, 10, em Fortaleza. Concentração acontece na Praça Luíza Távora, às 9 horas

17:00 | 06/03/2017
Artistas, militantes e políticos se manifestaram em declarações públicas sobre o caso Dandara dos Santos. A travesti foi espancada e morta no último dia 15 de fevereiro, no bairro Bom Jardim, em Fortaleza. O caso só se tornou conhecido na última sexta-feira, quano um vídeo da agressão viralizou nas redes sociais.
 
O editorial da edição do O POVO desta segunda-feira, 6, destaca a repercussão da “barbárie transfóbica” no Brasil e no exterior. Leia o editorial na íntegra. Protestos se sucedem nas ruas e nas redes sociais.
 
 
Cerca de 40 travestis e transexuais nordestinas organizaram protesto neste domingo, 5, no Rio de Janeiro, repudiando a violência contra a população LGBT. O grupo se reuniu no Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, na Zona Norte carioca, e exigiu direito à vida.

“Nos solidarizamos. Fomos tomados por um grande sentimento de dor em nossos corações pelo que aconteceu com a Dandara”, comentou uma das organizadoras da manifestação, a transexual cearense Wescla Vasconcelos, de 21 anos. 

Em Fortaleza, o “Ato Público contra a Barbárie Transfóbica” está marcado para esta sexta-feira, 10, a partir das 9 horas. A concentração deve acontecer na Praça Luíza Távora, na avenida Santos Dumont, seguindo para o Palácio da Abolição, na avenida Barão de Studart. O evento é organizado pelo Grupo de Resistência Asa Branca junto ao Fórum Cearense LGBT e tem apoio da Coordenadoria de Políticas Públicas para Diversidade Sexual da Prefeitura de Fortaleza.
 
 

Na manhã desta segunda-feira, 6, Paulo Diógenes, coordenador da Diversidade Sexual da Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos de Fortaleza, esteve reunido com o delegado responsável pelo caso, e com representantes de entidades relacionadas aos direitos LGBT. “Estamos fazendo todas as insistências no caso Dandara”, publicou. 

Pessoas públicas sobre o caso

O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) divulgou em sua página no Facebook texto onde promete acionar o Ministério Público Federal e “todos os organismos responsáveis”. “Vou acompanhar este caso, para impedir que fique impune”, afirmou. A postagem tem mais de 3 mil compartilhamentos. Confira trecho:

"’No Brasil não há homofobia, nem transfobia, nem lesbofobia, nem nada’; ‘É tudo mimimi e vitimização do movimento LGBT’, continuarão dizendo os zumbis do Facebook que defendem políticos fascistas e pastores do ódio. Mas as imagens de Dandara morrendo apenas por ser trans, vítima dos seguidores dessa gente, está aí para contar ao País e ao mundo a verdadeira história desse presente triste contra o qual continuaremos lutando”.

Silvero Pereira, ator e diretor teatral, exibiu vídeo ao vivo no Facebook, já assistido por mais de 2 mil pessoas. Ele, autor da peça BR-Trans, ressalta o fato de que o crime aconteceu em momento de discussão social mais acalorada sobre o respeito aos direitos da população LGBTs, além da maior visibilidade de travestis e transexuais na televisão, no teatro e no cinema. “É difícil acreditar numa crueldade desse nível em 2017”, desabafou. 

“Mataram ela! Um chute, uma paulada, uma pedrada, uma cuspida, um xingamento, uma barbaridade! Se não houver uma mudança drástica na família, na política e na educação, não construiremos uma nação, não seremos humanos, nunca saberemos o que significa amar ao próximo. #somostodosDandara”, disse Silvero, na rede social.



A atriz Leandra Leal, também no Facebook, expressou indignação com o caso. “Fiquei sem ar com o crime que tirou sua vida. Um crime que acontece com tanta frequência no Brasil. Somos donos da vergonhosa estatística de País que mais mata travestis, transexuais, gays e bissexuais no mundo”, frisou. 

Ela disse esperar que a popularização do caso “não só traga consciência da violência que a população LGBT vive”, mas que haja punição. “Que os que perpetuam esse ódio tenham consciência de que serão punidos. Que nenhuma Dandara sofra mais isso”. A postagem teve mais de 2 mil reações na rede social, até o momento.
 
 
A deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), na manhã desta segunda-feira, 6, publicou em sua página do Facebook mais um texto onde pede por “Justiça à Dandara”. “Dados da Atrac (Associação de Travestis e Transexuais do Ceará) apontam a execução de sete travestis/transexuais no Ceará somente este ano. Diante desse quadro, temos chamado à responsabilidade as autoridades competentes. Estamos vigilantes e atuantes no combate às graves violações de direitos sofridas pela população LGBT”, disse o post.

O governador Camilo Santana (PT) se manifestou sobre o crime. “Todo e qualquer ato que atente contra a vida tem o meu mais profundo repúdio”, afirmou o chefe do Executivo estadual, através do Facebook. “Diante do repugnante e inaceitável crime do qual foi vítima Dandara dos Santos, em Fortaleza, determinei ao secretário da Segurança total empenho no sentido de identificar e punir cada um dos criminosos. Tenham certeza de que eles não ficarão impunes”, completou.
 
Camilo disse ainda que determinou reunião na terça-feira, 7, entre a SSPDS e a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para LGBT do Ceará, para que se faça um plano de proteção para as minorias, assim como tem sido desenvolvido em relação às mulheres.

O prefeito Roberto Cláudio (PDT) também se manifestou de forma solidária aos familiares e amigos de Dandara e classificou o crime como ato “covarde”. “Essa é uma expressão de violência que não podemos tolerar em nossa Cidade nos tempos atuais”, disse.

Apoiada por artistas como Leticia Sabatella e Paola Oliveira, a “Campanha #PelaVidaDasPessoasTrans” no Facebook e Twitter (com uso da hashtag) tem inúmeros usuários adeptos. A mesma hashtag no Instagram tem quase 400 publicações. Veja alguns posts:
 
 
Redação O POVO Online 
 

LUCAS BRAGA