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Acusado de tentar matar delegado cearense será julgado nesta terça

O policial foi baleado na cabeça e no tórax, em junho de 2015, após uma discussão na fila de uma loja de presentes na cidade de Uiraúna (PB), onde a vítima trabalhava

13:25 | 06/03/2017
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[FOTO1]O comerciante Ivamar Paiva Barreto, acusado de tentar matar o delegado cearense Leonardo Machado, vai a júri popular nesta terça-feira, 7, no Fórum Afonso Campos, em Campina Grande (PB). O policial foi baleado na cabeça e no tórax, em junho de 2015, após uma discussão na fila de uma loja de presentes na cidade de Uiraúna (PB), onde a vítima trabalhava.

 

Atualmente, Leonardo está internado em coma Vigil (estado vegetativo persistente em que a pessoa acorda, mas não responde e passa a maior parte do tempo dormindo) na unidade semi-intensiva do Hospital da Unimed, em Fortaleza.

Ivamar Paiva Barreto é acusado por tentativa de homicídio duplamente qualificado por motivo fútil, mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Ele foi preso cerca de um mês após o crime, no litoral do Rio Grande do Norte (RN), na praia de Muriú, a 40 quilômetros de Natal, quando uma operação em conjunto das polícias dos dois estados cumpriu mandados de busca e de prisão contra o comerciante. Até hoje, ele permanece encarcerado.

O delegado vítima da tentativa de homicídio iniciou tratamento em João Pessoa, mas foi transferido para Fortaleza três meses após o crime, devido à proximidade da família, que vive na Capital cearense. A esposa, que era concursada na Paraíba, também se mudou para Fortaleza junto com os dois filhos do casal. Leonardo sofreu afundamento craniano, respira e se alimenta por meio de aparelhos. O laudo médico mais recente aponta estado vegetativo permamente, sem capacidade de comunicar-se e ficou tetraplégico.

Segundo a irmã da vítima, a jornalista Candice Machado, a tragédia abalou a família, que vive um "luto" há quase dois anos. "A gente costuma dizer que ele não atirou só no meu irmão, mas na família inteira, que está acabada. É uma tragédia que atinge níveis que não se imagina. Meu irmão está encarcerado no próprio corpo. Não foi condenado judicialmente, mas de uma forma injusta", comentou ela.

Vários familiares do delegado desenvolveram fobias e precisam de acompanhamento psicológico, entre eles, os dois filhos do policial. Um tio de Leonardo teve um derrame na vista após o crime. A mãe da vítima havia perdido o marido seis meses antes da tragédia. De acordo com Candice, o irmão teve uma redução salarial de 40% por causa do licenciamento do cargo e das perdas de plantões e gratificações.
Promotoria

A promotora Artemise Leal, titular do 1º Tribunal do Júri da Capital (PB), é a responsável pela acusação no julgamento de Ivamar Paiva. Para ela, o acusado não tem como negar a autoria do crime diante das provas. "Imagens que constam no processo do estabelecimento comercial, onde (mostra que) não houve nem discussão entre o réu e a vítima momento antes (da tentativa de homicídio). A atendente chamou a vítima, que estava na fila esperando, para que viesse ao balcão, quando já estava o réu, que não gostou. A vítima se aproximou e ficou parada esperando a vez, enquanto a venda do outro era finalizada", disse Artemise.

De acordo com a promotora, o acusado sai do estabelecimento, pega a arma e aguarda a saída do delegado para cometer o crime. "Ele (réu) ficou abrigado atrás de uma árvore. Quando a vítima saiu, ele a chamou. Assim que (o Leonardo) se virou, ele atirou", conta. No Júri, a mãe do delegado Leonardo será ouvida como testemunha - ela aguardava o filho do lado de fora da loja, junto com os dois netos, quando o policial foi alvejado.

Ainda conforme Artemise, Ivamar Paiva teria matado um policial na década de 80, no Rio Grande do Norte, mas o crime prescreveu, e ele nunca cumpriu a pena.

Delegado do caso
O delegado responsável pela investigação na época, André Rabelo, era chefe de Leonardo. Ele conta que a equipe precisou superar o drama do amigo para investigar o caso. "Foi uma condição muito difícil. O Leonardo é um menino do bem. Ele estava de folga (no dia da ocorrência). A mãe dele, que veio de Fortaleza, presenciou. Foi muito forte, motivo banal. Não havia atrito (do Ivamar) com o delegado Leonardo, não tinha nada para justificar uma ação daquela proporção", relatou André, atualmente superintendente da 3ª Região da Polícia Civil da Paraíba.

André confirma a informação da promotora de que Ivamar praticou um homicídio no Rio Grande do Norte, mas o crime prescreveu. "Ele passou mais de 20 anos foragido", comentou.

Defesa
Segundo Ozael Fernandes, um dos advogados responsável pela defesa do acusado Ivamar Paiva, seu cliente agiu em legítima defesa ao ser perseguido até o estacionamento e intensificamente ameaçado pela vítima após a discussão no interior da loja.

 

O advogado alega ainda abuso policial no caso e que, entrará com recursos para reavê-los. “Vou pedir que apure as responsabilidades de todos os policiais que exerceram os excessos no caso”, diz.

 

A expectativa da defesa é que o acusado seja absolvido nesta terça-feira, 7, ou pelo menos, a redução da pena de 12 a 30 anos para 5 a 6 anos de prisão. Além de Ozael, o advogado Alexandre Augusto de Lima fará a defesa de Ivamar.

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