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Homem tem medo de sair de casa após se tornar vítima de boatos na internet

Carlos Luiz Batista, morador do Rio, teve sua imagem compartilhada com a acusação de ser estuprador e sequestrador de crianças. O caso já está sendo investigado pela Polícia

10:52 | 04/10/2016
Acusado com camisa vermelha e boné preto, dentro de um carro.
Acusado com camisa vermelha e boné preto, dentro de um carro.

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Carlos Luiz Batista, um serralheiro de 39 anos, que mora na Zona oeste do Rio de Janeiro (RJ), passou a ter medo de sair de casa depois que virou alvo de boatos em redes sociais, há duas semanas. O homem começou a receber ameaças desde que uma foto sua com a informação de que seria estuprador e sequestrador de crianças viralizou nas redes sociais.

"Estão acabando com a minha vida. Não sei quem inventou essa mentira, mas minha família toda está ameaçada por causa de uma calúnia", disse Carlos ao jornal Extra.

Nas mensagens, Carlos - que não tem o nome mencionado - é identificado como morador de Mesquita, na Baixada Fluminense, e dono de um carro Fox de cor preta. Contudo, o serralheiro reside em Cosmo, na Zona Oeste do Rio, e tem um Corsa verde.

Com o susto, ele registrou uma queixa na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), no último dia 22. Como as mensagens continuaram a ser compartilhadas, Carlos resolveu gravar um vídeo implorando às pessoas para não repassar o boato.

[VIDEO1] 

Carlos gravou o pedido junto à família, e aproveitou para mostrar o registro de ocorrência feito na delegacia. As imagens já somam, até a manhã desta terça-feira, 4, mais de 1,9 milhão de visualizações.

O início dos rumores começou em grupos de WhatsApp e foi parar no Facebook. O administrador do “Plantão Notícias 24 horas” - página que divulga notícias no Facebook - revelou ao Extra que foi procurado por uma internauta para divulgar o caso, mas não aceitou por falta de provas contra Carlos.

Perfis de usuários e páginas da rede social chegaram a divulgar as acusações, mas apagaram as publicações após a divulgação do vídeo. Porém, o compartilhamento do boato permanece em grupos de WhatsApp.

Segundo a delegada da DRCI, Fernanda Fernandes, a Polícia Civil encaminhou ao Ministério Público um pedido de quebra de sigilo de IP — um protocolo interno do computador — a fim de obter os dados de um perfil do Facebook que poderia ter iniciado a calúnia. Mas a apreciação pode durar de 6 a 8 meses, uma vez que há uma grande fila de pedidos, já que quase todos os casos investigados pela DRCI exigem a quebra de IP.

Outros casos

Em maio de 2014, a dona de casa Fabiane Maria de Jesus foi espancada até a morte após ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças que praticava rituais de magia em Guarujá, no litoral de São Paulo. A confusão se deu quando uma página do Facebook divulgou o retrato falado da suspeita, e a notícia chegou até o bairro da dona de casa.

Redação O POVO Online

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