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Adolescente de 13 anos morre após ser desafiado em "jogo de asfixia"

"Os jovens não têm noção das sequelas e do risco de morte causadas por essas brincadeiras", disse especialista ao O POVO Online

19:19 | 17/10/2016
Foto de Gustavo com fones de ouvido
Foto de Gustavo com fones de ouvido

[FOTO1]Um adolescente de 13 anos foi encontrado morto neste domingo, 16, com uma corda no pescoço. Segundo os pais, o jovem costumava jogar games online e eles acreditam que a sua morte tenha alguma relação com os desafios propostos por outros participantes. O garoto, chamado de Gustavo Riveiros Detter, morava em São Vicente, litoral de São Paulo. Ele foi encontrado no quarto de seu pai e em frente ao computador. A polícia investiga o que motivou o garoto a se enforcar. As informações são do portal G1.

O estudante utilizou uma corda que sustentava um saco de Box no teto do quarto. Gustavo foi socorrido com vida e encaminhado para o Hospital Municipal de São Vicente na noite deste sábado, 15, e depois foi transferido para o Hospital Ana Costa, onde faleceu. Conforme as informações do tio do menino, quando algum jogador do game League of Legends perdia, era desafiado pelo Choking Game ou “jogo da asfixia” em que induz a pessoa a interromper a circulação de oxigênio, podendo levá-la a óbito ou causar sequelas.


O menino jogava junto com outros três amigos, que se comunicavam por videoconferência. Os colegas supostamente teriam acompanhado o enforcamento do menino de 13 anos. Ao ter acesso as antigas conversas de Gustavo em seu computador e em aplicativos de mensagens, pode-se perceber que o adolescente teria participado do desafio outras vezes.


Quem encontrou Gustavo com aparência “desfalecida” foi a sua prima. Ao vê-lo naquele estado, a menina chamou os tios para reanimá-lo. Ás 22h40, os parentes de Gustavo acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para encaminhá-lo ao hospital. O corpo foi velado na manhã desta segunda-feira, 17, na cidade de Santos, litoral paulista.


Alerta
O caso de Gustavo trouxe um alerta nacional sobre o risco das brincadeiras perigosas ou para os “jogos de asfixia”, praticados por crianças e adolescentes. A psicóloga do Instituo DimiCuida, Fabiana Vasconcelos, ressalta que esses incidentes não tratam-se de tentativas de suicídios. Os jovens cometem esses erros por conta da euforia oferecida causado pelo desmaio. “Os jovens não têm noção das sequelas e do risco de morte causadas por essas brincadeiras. A euforia é causada pela morte de neurônios”, explicou ao O POVO Online.


Os desafios propostos pelos colegas de Gustavo induzem as pessoas a interromper a circulação de oxigeno. Fabiana ressalta que as crianças e adolescentes estão numa fase de experimentar e de descobertas, na qual saem do primeiro grupo de socialização (a família) para conhecer o mundo externo. “De um modo geral, o jovem não tem o fisiológico nem o psicológico para refletir e julgar suas atitudes. Ele reconhece o risco, mas o seu foco é instintivo, que busca testar os seus limites. É natural do desenvolvimento”, explicou.


Por ser algo inerente à faixa etária, a presença dos pais na vida dos adolescentes torna-se fundamental para orientá-los e contribuir na sua formação psicossocial. O principal problema, visto pela psicóloga, é que essas práticas não são conhecidas pelos pais por estarem inseridas fora do ambiente familiar. “Os pais têm que abrir um caminho para diálogo para que os jovens possam ser ouvidos e tenham a liberdade de compartilhar determinados assuntos de suas vidas”, aconselha.

Redação O POVO Online

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