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Família é espancada por taxistas após ser confundida com Uber

Irmãos seguiam para Ceilândia quando foram atacados na estrada

09:40 | 01/06/2016
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Mais um caso de agressão envolvendo taxistas ocorreu em Brasília, na noite desta terça-feira, 31. Após ser confundida como Uber, uma família foi perseguida e espancada por motoristas de taxi. Quatro irmãos haviam desembarcado no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek e seguiam para a região de Ceilândia, quando foram atacados. O caso aconteceu momentos seguintes a uma confusão entre motoristas das duas categorias dos serviços de transporte, em um posto de gasolina próximo ao aeroporto da capital federal.

Em entrevista ao portal de notícias G1, a presidente do Sindicato dos Taxistas, Maria do Bomfin, informou que a entidade não compactua com a violência, mas que os profissionais estão “cansados das agressões dos motoristas do Uber e, por causa disso, estão partindo pra cima”.

Segundo o vendedor Clécio Alves, uma das vítimas da agressão, contou que a família vinha de Recife (PE). Após encontrar a esposa de um dos homens no saguão do aeroporto, o grupo entrou no carro e, em seguida, foi perseguido pelos taxistas.

“Um taxista cortou farol para a gente, passou em alta velocidade, começou a xingar, chamar de bandido, de cambada de safado. Aí ele cortou a nossa frente e brecou com muita força. Meu irmão tentou frear, bateu. Ele foi para lateral, falou: ‘gente, desculpa aí, desculpa aí, vamos resolver. Me segue, segue aí’. Meu irmão seguiu”, disse Alves.

O vendedor afirma que a família caiu em uma emboscada. “Quando a gente encostou, mais de 50 taxistas já chegaram no carro, quebrando o carro, batendo na gente, e um gritando: ‘Mata que é Uber, mata que é Uber’. Eu falando: ‘gente, a gente é família, estamos chegando de viagem, não faz isso, não’.”

“Um puxou um punhal para poder tentar matar meu irmão mais velho”, completa. “Eu peguei, avancei em cima dele. Quando eu avancei nele, eu levei uma paulada na cabeça, caí no chão. Na hora que eu caí no chão, começaram a bater muito em mim.” O homem teve feridas no rosto. O carro da família ficou danificado.

O caso foi registado na 10ª Delegacia de Polícia, onde os irmãos reconheceram um dos agressores por meio de uma fotografia.

 

Uber

 

Motoristas do Uber atacados na mesma noite em um posto de gasolina também foram à mesma delegacia a fim de denunciar as agressões. A TV Globo teve acesso a vídeo que registra parte da confusão no posto. As imagens mostram taxistas arremessando cones e outros objetos contra os motoristas e veículo do Uber.

“Éramos cinco motoristas do Uber quando chegaram 60 taxistas, todos com pau, pedra na mão, tacando tudo, fazendo um arrastão, quebrando tudo”, contou o motorista Reginaldo Araújo. “Fiquei muito assustado, muito assustado”.

O motorista Irving Nóvoa também criticou a situação e acredita que falta punição para os motoristas de táxi. “Apesar de todas as agressões que os taxistas fazem, no dia seguinte estão rodando. Então eu acho que deveria cassar a licença, porque, enquanto não cassar a licença, os taxistas vão continuar fazendo o que vêm fazendo: agredindo Ubers, agredindo cidadão, agredindo família”.

De acordo com a presidente do Sindicato dos Taxistas, não é competência da entidade tirar a licença dos profissionais. “Compete ao órgão de fiscalização e à polícia, eles é que têm que verificar. Se o governo tomar as providências e convocá-los no órgão da unidade gestora, eles vão ter o direito de apresentar a defesa deles”.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.

Redação O POVO Online
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