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Caetano diz que funk, sertanejo e axé music são "a nova Tropicália"

Segundo o cantor e compositor, o espírito revolucionário do movimento se mantém em forma de "surpresas que revelam a força da música popular brasileira e o imenso potencial do Brasil"

18:41 | 04/05/2016
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Cheio de intenções estéticas revolucionárias. Foi assim que surgiu a Tropicália, movimento que sacudiu a música e a cultura brasileiras, há quase 50 anos.

Apesar das transformações verificadas no País, a força do movimento encabeçado por intelectuais e artistas, como Caetano Veloso, Tom Zé e Gilberto Gil, reverbera até hoje.

E especialmente na música, em forma de "surpresas que revelam a força da música popular brasileira e o imenso potencial do Brasil", pondera Caetano, em entrevista à BBC Brasil, para o documentário "Tropicália – Revolution in Sound".

O cantor-compositor, preso pela ditadura militar com o amigo Gilberto Gil, em 1969, diz ver "a nova Tropicália" no sertanejo universitário, nos "restos da axé music" e no Funk, sendo este último classificado por ele como "uma coisa totalmente brasileira".

"As letras, que às vezes são muito obscenas, ou ligadas ao narcotráfico e à bandidagem, ficaram cada vez mais criativas. Os efeitos sonoros também", frisa o artista, que buscou junto aos demais tropicalistas explorar nova estética e temática musical, para além da Bossa Nova, absorvendo influências estrangeiras.

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"Queríamos usar tudo o que tínhamos aprendido, de onde quer que tivesse vindo. Porque essas coisas eram nossas, faziam parte da nossa vida desde a nossa infância. Nós queríamos um outro tipo de nacionalismo. Queríamos ter a coragem suficiente de afirmar quem nós realmente éramos. Por isso, antes mesmo de ir para a Inglaterra, escrevi letras em inglês – inglês ruim.", afirma.

Apesar da curta duração do movimento e da atual indústria do entretenimento, Caetano acredita ver ainda resquícios marcantes do movimento. "Recentemente, tenho sentido uma coisa muito forte quando toco (a canção) Tropicália nesses shows que estou fazendo com o Gil. É como se a música falasse sobre o que está acontecendo, sobre o Brasil como ele realmente é. É uma experiência nova, que transformou essa turnê que estou fazendo com o Gil em algo muito maior."

Em entrevista ping pong, Caetano elege "Baby" como a música da Tropicália e, após uma pausa silenciosa, revela que não aguenta mais ouvir a própria música "Você é linda".
 
A entrevista foi gravada em dezembro do ano passado, mas publicada só agora.

Redação O POVO Online
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