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Aborto é uma forma de selecionar pessoas perfeitas, afirma dom Leonardo

Além disso, afirmou que a microcefalia ocorre no Brasil há anos e que a legalização da interrupção da gravidez em casos de microcefalia é uma forma de introduzir novamente o assunto do aborto

13:31 | 10/02/2016
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Dom Leonardo Steiner, Bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), afirmou ao Estadão que o aborto promove a eugenia, prática para selecionar pessoas “perfeitas”. O bispo participou do lançamento da Campanha da Fraternidade Ecumênica, nesta quarta-feira, 10, que discute o saneamento básico.
 
Diante da epidemia do zika vírus, transmitido pelo Aedes aegypti, o tema da campanha foi oportuno para tratar sobre o assunto já que a ausência de saneamento básico no País está correlacionada com a proliferação do mosquito transmissor. 
 
Segundo Leonardo, a discussão da legalização da interrupção da gravidez em casos de microcefalia é uma forma de introduzir novamente o assunto do aborto. Além disso, afirmou que a microcefalia ocorre no Brasil há anos, referindo-se ao grupo que articula uma ação ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a legalização do aborto às gestantes de bebês com microcefalia.
 
Em complemento ao argumento do secretário-geral da CNBB, o presidente do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) dom Flávio Irala disse que “a discussão do aborto está entrando de forma meio enviesada em função da microcefalia”. E afirma que há uma preocupação com a vida de todos: mãe, bebê e famílias.
 
Ação Judicial
Grupo de advogados, acadêmicos e ativistas articulam uma ação, que deve ser entregue em até dois meses, para o STF (Supremo Tribunal Federal) a fim de garantir o direito ao aborto legal para as gestantes de bebês com microcefalia.  Segundo o grupo, o Estado é o responsável pela epidemia do Zika vírus por não ter erradicado o seu transmissor, Aedes aegypti. Desse modo, as mulheres não podem sofrer as consequências de políticas públicas ineficientes, ferindo os direitos constitucionais à saúde e à seguridade social.
 
O documento exige ações contra o mosquito transmissor, o direito ao acesso a contraceptivos, pré-natal frequentemente e ao aborto, e políticas públicas de inclusão social as crianças com microcefalia ou alguma má-formação decorrente da doença.
 
De acordo com a antropóloga Débora Diniz, do instituto de bioética Anis, é necessário garantir o acesso aos serviços de saúde, inclusive o aborto, a todas as mulheres. “Autorizar o aborto não é levar as mulheres a fazê-lo. Quem tem dinheiro e quer já faz. Justamente quem tem mais necessidade não pode ser privado do direito de escolher sobre a própria vida”, argumenta.
 
Redação O POVO Online com informação do Estadão 
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