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Morte do pedreiro Amarildo completa um ano e família ainda aguarda enterro digno

Uma onda de buscas e protestos foi realizada no Rio de Janeiro há um ano contra o assassinato do ajudante de pedreiro Amarildo. Familiares e amigos ainda aguardam o corpo do homem

13:52 | 14/07/2014
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O desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, de 43 anos, completa um ano hoje, dia 14 de julho. Desde esta data, após ele ter sido detido por policiais militares na porta de sua casa, na favela da Rocinha, e levado à UPP da favela, ninguém mais o viu no Rio de Janeiro. A investigação mostrou que Amarildo foi torturado até a morte, mas o corpo nunca foi encontrado.

 Seu desaparecimento tornou-se símbolo de casos de abuso de autoridade e violência policial, e deu origem a diversos protestos. A Polícia Militar do Rio concluiu no início deste mês inquérito em que investigou os PMs envolvidos no caso.

 O inquérito será encaminhado para o Ministério Público Militar. O documento também concluiu pela elevação de 25 para 29 os policiais envolvidos. Os quatro incluídos teriam atuado principalmente no convencimento de testemunhas, instadas a mentirem ao depor. Segundo a PM, todos os 29 correm risco de expulsão da corporação.

 A PM aponta que os policiais envolvidos cometeram crimes passíveis de punição pela Justiça Comum, e não devem responder pelos mesmos crimes na Justiça Militar. De acordo com o documento, todos os policiais militares tiveram participação nos crimes, o que inclui o major Edson dos Santos, ex-comandante da UPP da Rocinha.

 Busca incansável

 O mais velho dos seis filhos biológicos do pedreiro, Anderson Dias, 22, diz que a família ainda sonha em encontrar os restos mortais do pai para “dar um enterro digno”. Segundo o rapaz, “a Rocinha melhorou muito depois que os PMs do caso saíram da comunidade.” Ele afirma que aqueles policiais aterrorizavam os moradores.

 Atualmente, a família mora em uma parte mais alta do morro da Rocinha, numa casa com sala, cozinha, dois quartos e lavanderia. “Antes, nossa casa era do tamanho dessa sala”, conta, mostrando um espaço de 9 metros quadrados. “Dormíamos um por cima do outro”, ressalta Dias.

 A nova residência, de dois andares com uma laje, foi comprada e mobiliada com dinheiro angariado em um leilão promovido pela produtora cultural Paula Lavigne.

 Três meses após o desaparecimento de Amarildo, a família passou a receber do Estado, como indenização, um salário mínimo por mês. O dinheiro, porém, é insuficiente para as despesas da casa, segundo Dias, que tem três irmãos mais novos ainda frequentando a escola.

 Elizabete Gomes da Silva

 No dia 30 de junho de 2014, Elizabete Gomes da Silva, a Bete, viúva de Amarildo, saiu da sua residência, na Favela da Rocinha. Entre os 10 dias de sumiço, parentes e amigos a procuraram por hospitais e até no Instituto Médico Legal (IML), mas não conseguiram encontra-la. Ela também foi procurada na casa de sua mãe, em Natal, Rio Grande do Norte.

 Maria Eunice Lacerda, de 53 anos, é irmã do pedreiro e afirmou que Elisabete estava “abusando” do álcool e das drogas. Disse também que Bete costumava falar que ia procurar sozinha pelo marido. “Estava muito depressiva. Infelizmente, teve uma recaída e voltou a usar drogas e a beber muito. Só ficava de bar em bar dizendo que ia procurar por ele”.

 Os filhos de Bete registraram o desaparecimento da doméstica na 11ª DP, na Rocinha. Bete foi encontrada dia 10 de julho, em Cabo Frio, na Região dos Lagos.

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Redação O POVO Online

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