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Cearenses são resgatados sob condições desfavoráveis em cruzeiro

Em depoimento à Justiça, funcionários alegaram assédios psicológico, moral e sexual

08:02 | 05/04/2014
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A Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou na última terça-feira, 1º, um total de 11 funcionários em condições de trabalho escravo, a bordo do navio da companhia MSC Crociere. Dois cearenses que estavam no grupo prestaram depoimento na última sexta-feira, 4, na sede da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego da Bahia (SRTE). Funcionários denunciaram assédios psicológico, moral e sexual, além de uma rotina exaustiva de trabalho.

Elianai Vigon, cearense de 24 anos, afirma que viveu três meses de intensa exploração e humilhação trabalhando na função de ajudante de garçom. "Começamos a fazer trabalhos extras não-remunerados e a exercer atividades que caracterizavam desvio de função, como lavar refeitório, restaurante, janelas e portas. Éramos obrigados a fazer, sob o risco de sofrer advertência."  

De acordo com as normas da companhia, caso um funcionário obtenha três advertências, a pessoa é demitida por justa causa.  

Vigon também relata que outros funcionários a bordo precisavam pegar comida escondida nos restaurantes, já que "a comida do refeitório era 'indegustável'". O ajudante de garçom completou afirmando que os colegas comiam macarrão instantâneo preparado dentro de luvas com água quente.

Pressões psicológicas e abusos sexuais
Sob uma jornada de até 22 horas, o cearense de 33 anos, Anderson Matsuura afirma que perdeu 14 quilos durante os três meses de trabalho. O assistente de camareiro destacou também que sua mulher era vítima de constantes de assédios por parte de oficiais. "Eles [oficiais] 'davam em cima' de nossas esposas. Caso fôssemos advertidos por reclamação, eles realizavam deduções nos salários", relata.

Os funcionários deixaram o navio e foram levados a um hotel em Salvador, onde continuam hospedados. O MPT ainda disse que deve entrar com medidas judiciais contra a empresa.

Caso a empresa não aceite firmar um compromisso para ajuste de conduta com os funcionários, o órgão público deve entrar com uma ação trabalhista contra a MSC.

A Defensoria Pública da União também garantiu ao grupo toda a assistência jurídica necessária para ações judiciais individuais por danos morais aos 11 trabalhadores resgatados.

Em nota, a MSC diz que "está em total conformidade com as normas de trabalho nacionais e internacionais".

Redação O POVO Online

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