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O número de idosos brasileiros responderá por 30% da população em 2060

O grupo formado por pessoas com idade igual ou superior a 60 anos é cada vez maior. Segundo o IBGE, a projeção é de que em 43 anos eles sejam 54,8 milhões na população do Brasil

21:07 | 13/03/2017
Photographee.eu/Shutterstock
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[FOTO1]Alcançar a terceira idade é um desejo de quase toda a população. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2015, a expectativa de vida do brasileiro é de 75,5 anos. No Ceará, a estimativa é de 73,6 anos. Mas não basta atingir a “melhor idade”, é importante chegar lá com saúde, lucidez, independência e qualidade de vida. A projeção do órgão é de que, em 2060, a proporção de idosos ultrapasse 30% da população brasileira, atingindo a marca de 58,4 milhões de pessoas. Em relação à população mundial, para o mesmo período, a estimativa é de que a quantidade de idosos esteja entre 20% e 25% do total.

 


Esqueça a imagem do idoso aposentado, dependente, que passa seus dias em casa. É cada vez mais comum encontrarmos pessoas da terceira idade ativas e cheias de energia. Eles não querem mais saber de abandonar seus afazeres, e sim de continuar suas atividades cotidianas, como dirigir seus próprios carros, viajar, praticar esportes, ter acesso à tecnologia, seguir no mercado de trabalho e permanecer como população economicamente ativa.


Segundo a pesquisa “Síntese de Indicadores Sociais (SIS): uma análise das condições de vida da população brasileira 2016”, do IBGE, a população de idosos aumentou de 9,8%, em 2005, para 14,3% dos habitantes do País, o equivalente a cerca de 28 milhões em 2015. Esse crescimento ocorreu em todos os grupos etários - de 60 a 64 anos, de 65 a 69 anos, de 70 a 74 anos, de 75 a 79 anos e de 80 anos ou mais.


[FOTO2]Envelhecimento populacional
Os indicadores mostram que o País está passando por um processo de envelhecimento populacional motivado pela diminuição da taxa de fecundidade e aumento da longevidade e reafirma a necessidade de atenção e cuidados especiais para essa parcela crescente da sociedade. Demandas como saúde, assistência social e acessibilidade, serviços ainda deficientes no Brasil, precisam ser aprimorados.

 


De acordo com a conselheira Marcelha Pinheiro de Melo, vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Idoso, a necessidade de políticas públicas direcionadas para o idoso é clara. “Quando falamos da pessoa idosa, nós também temos que garantir que existam políticas públicas com um olhar especial, para o que é necessário para o idoso e para que todo cidadão tenha uma velhice ativa e saudável”, afirma. Ela aponta que a importância de estabelecer normas específicas para a terceira idade é importante para que essa população possa viver de “maneira colaborativa e protagonizar direitos e deveres”.


[FOTO3]Necessidades do idoso
Para a pessoa idosa, a acessibilidade é essencial. A pesquisa do IBGE mostra que cerca de 33% dos idosos declararam ter dificuldades para caminhar ou subir e descer calçadas. De acordo com dados do Censo Demográfico 2010, que apurou as características domiciliares, 93,8% dos idosos brasileiros viviam em locais onde não há rampas para cadeirantes; 24,2% residiam em domicílios sem calçadas no entorno; 13,6% em ruas onde não havia pavimentação; e 27,5% em locais sem arborização. Essas condições influenciam no bem-estar e, por consequência, na saúde.

 


Conforme a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013, o grupo formado por pessoas com idade igual ou superior a 60 anos é, proporcionalmente, a parcela da população que mais utiliza os serviços de saúde. A investigação ocorreu a partir da quantidade de pessoas que utilizaram os serviços de saúde nas duas semanas anteriores à pesquisa e que se internaram por 24 ou mais horas nos 12 meses anteriores ao estudo. Entre os idosos, o resultado foi de 25% e 10,2%, respectivamente. Desse total, 96,6% obtiveram atendimento na primeira vez que procuraram, 82,6% conseguiram os medicamentos receitados no último serviço de saúde e 8,4% já se sentiram rejeitados ao buscar esse tipo de serviço. No Nordeste, os números foram 95,5%, 83,2% e 8,5%, respectivamente.


Para que os direitos do idoso possam ser assegurados, Marcelha aponta que “a principal ação é informar, empoderar a pessoa idosa, seus familiares, os gestores públicos e a população do que é o processo de envelhecimento. Informar os seus direitos e deveres, enquanto família, enquanto sociedade, enquanto administração pública. O Estatuto do Idoso é muito claro em dizer que é obrigação da família, do Estado e da sociedade cuidar e proteger a pessoa idosa”. A conselheira afirma que são necessárias campanhas educativas, além da fiscalização das políticas públicas em execução e capacitações no âmbito da gerontologia.


Marcelha defende ainda o fortalecimento dos conselhos municipais e estaduais, para que se tornem ainda mais atuantes, contribuindo para a garantia e fiscalização dos direitos do idoso. Para a conselheira, outra questão importante é que se tenha garantido um orçamento razoável para que se possa executar as ações necessárias para a população da terceira idade, relativas à saúde, assistência, cultura, lazer e renda. Para ela, deve haver o processo de mudança cultural da sociedade, de entender o papel da pessoa idosa na nossa comunidade, de respeitar esse papel e a pessoa idosa como cidadã.

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