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Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de despejo, se torna doutora honoris causa pela UFRJ

Além do best seller, Carolina publicou o romance Pedaços de Fome e o livro Provérbios. Outras seis obras foram publicadas após sua morte
10:48 | Fev. 26, 2021
Autor Marcela Tosi
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Marcela Tosi Repórter de Cotidiano
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Tipo Notícia

A Universidade Federal do Rio de Janeiro concedeu nessa quinta-feira, 25, o título de doutora honoris causa a Carolina Maria de Jesus, a autora do livro Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada. O livro foi publicado em 1960, vendido em 40 países e traduzido para 16 idiomas. A escritora mineira morreu em 1977, aos 62 anos.

Além do best seller, Carolina publicou o romance Pedaços de Fome e o livro Provérbios. Outras seis obras foram publicadas após sua morte, compiladas a partir dos cadernos e materiais deixados pela autora.

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O título honoris causa, que significa “por causa de honra”, tem sua concessão independe da instrução educacional e é dedicada a quem se destacou por virtudes, méritos e atitudes. A homenagem póstuma foi sugerida em novembro de 2020 pela Direção do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (Ifcs) da UFRJ. Na justificativa, a comissão destaca a relevância da escritora, que é tema de 58 teses e dissertações nos últimos seis anos, de acordo com o Portal da Capes.

O documento afirma a importância da concessão do título honorífico pela necessária “reparação histórica do apagamento não de uma personalidade mas de um segmento étnico que historicamente foi negado o lugar na cultura nacional”. Ainda de acordo com as justificativas apresentadas, o papel da Universidade, nesse sentido, seria “não apenas no reconhecimento de injustiças do passado”, mas, sobretudo, o da “construção de novas possibilidades e percursos para mulheres negras, cuja marca de subalternidade, que alijou Carolina Maria de Jesus do espaço público e literário, ainda precisa ser superada”.

O parecer da Comissão Acadêmica concorda com a concessão do título “pelo incentivo a pesquisas que visem à elevação de figuras nacionais representativas da cultura negra; pela valorização de ações culturais, no campo de ensino e da extensão, que sigam na mesma direção”. 

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