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Para ouvir

Podcasts: o que eles podem oferecer às empresas e às marcas

A ferramenta, mesmo não tão nova no Brasil, tendo seus primeiros registros em outubro de 2004, segue avançando no País

18:06 | 29/03/2019
(Foto: aluxum/gettyimages)
(Foto: aluxum/gettyimages)

Dentro do trabalho de fortalecimento de uma marca a partir do desenvolvimento de conteúdo relevante, como no caso de branded contents, os podcasts são também opções a serem trabalhadas. A mídia - com nome atribuído a um jornalista do jornal britânico The Guardian, no começo de 2004, que usou a palavra "podcasting", união de iPod (sigla de Personal On Demand) e broadcasting (radiodifusão) – já saiu de uma disseminação muito segmentada para mais áreas, ganhando também mais público.

Os podcasts são uma forma de compartilhar conteúdos multimídia criados pelos próprios usuários. De maneira simples, os arquivos gravados em formatos digitais são armazenados em servidores de internet, onde programas de áudio, foto ou vídeos podem ser descarregados pelos leitores. Nessa plataforma é possível baixar o conteúdo para ouvi-lo a qualquer hora em qualquer lugar.

Em terras brasileiras

No Brasil, a plataforma ainda tem muito a crescer e pode ser uma grande aposta para empresas e marcas na divulgação de seus produtos. A expansão e o alcance que a rede mundial de computadores teve nos últimos 20 anos criou uma diversidade de canais e reformulou a maneira de produzir informações e atingir o público-alvo.

Em outubro de 2018, uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Podcaster (ABPOD) em parceria com a Central Brasileira de Notícias (CBN) revelou que variedade de conteúdo e liberdade para ouvir como e onde quiser são os principais diferenciais da plataforma.

O levantamento traçou o perfil da audiência no país, recebendo mais de 20 mil respostas de produtores, não ouvintes e ouvintes de podcasts, revelando que 84,1% do público é masculino e possui entre 30 e 39 anos. Ainda segundo a sondagem, 92,1% dos ouvintes acompanham os programas via celular, 25,6% por computador, 16,5% pelo som do carro e 1,3% de outro dispositivo.

De acordo o coordenador de projetos do Grupo de Comunicação O POVO Jimmy Lucas, as empresas, focando em branded content, passaram a enxergar melhor o podcast como forma de comunicação e plataforma de relacionamento com os clientes nos últimos cinco anos.

“A vantagem do podcast frente a outros tipos de mídias para a produção de branded content e para a criação de relacionamento com o cliente é muito mais consistente”, afirma Jimmy. Ele diz que quando se fala de jornal, rádio ou televisão, se está limitado à tiragem ou ao horário nos quais esses canais veiculam suas programações. O oposto dos podcasts.

“A audiência [no podcast] é muito mais empoderada e pode escolher a hora que ela quer consumir alguma coisa. No entanto, existe uma diferença muito crassa. A barreira de entrada é um pouco mais alta, pois ninguém cai num podcast por acaso.“

Fernando de Barros e Silva, jornalista e diretor de redação da Revista Piauí, ainda defende que o crescimento dos podcasts está ligado à questão tecnológica. “É uma reinvenção do rádio onde cada um cria seu próprio horário para ouvir, seja no carro, no ônibus, no metrô etc. Ele te dá uma liberdade e uma possibilidade muito grande, não exigindo que você esteja fazendo só aquilo”, afirma. A revista conta atualmente com dois podcasts, o Foro de Teresina e o Maria Vai Com as Outras. “Nós tínhamos isso em mente e discutimos a ideia. No começo de 2018, que era ano eleitoral, isso foi sendo testado e tomando forma”, observa Fernando. “A informação neste formato tem seu ponto forte na espontaneidade parecida com a do rádio, que é empático e mais próximo do público que a televisão.”

Empresas

“Temos vários casos de quando o branded content foi usado de maneira muito criativa. Tem o podcast chamado ‘História de Ninar Para Garotas Rebeldes’, que foi patrocinado pelo Bradesco para se posicionar como uma empresa que estava preocupada com o papel da mulher na sociedade, com o empoderamento feminino e que as mulheres tivessem uma referência”, lembra Jimmy. O coordenador pondera que ao invés de simplesmente fazer um anúncio, a empresa patrocinou um podcasts que chegou a ser best seller pelo New York Times, contando várias histórias de mulheres emblemáticas.

Onde ouvir

Uma das melhores opções para ouvir podcasts é pelo celular. “Hoje em dia temos outras plataformas como o Spotify, um dos grandes aliados pela disseminação do podcast no mundo.” Jimmy acrescenta que, além do telefone, o Google entra como agregador. “Ele está intrinsecamente ligado à estratégia de fazer indexação de áudio nas buscas. Se antes, na hora de fazer busca aparecia o link, fotos e vídeos, agora aparece também o trecho de algum podcasts com a palavra procurada. Isso ainda é uma proposta do Google e pode mudar muito a realidade para audiência do podcast”, aponta.

Público

Sobre a predominância masculina como audiência dos podcasts, o coordenador acredita que isso vá mudar. “O Mamilos foi o quebrador de correntes nesse ponto porque, até então, todos os podcasts eram feitos por três ou quatro homens conversando sobre um assunto como se ele fizesse parte apenas do ambiente masculino.” O podcast Mamilos já alcançou a marca de 1 milhão de downloads discutindo temas do universo feminino e quebrando paradigmas.