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Olimpíada: Comitê Olímpico dos EUA declara apoio à atleta que protestou no pódio

Saunders, atleta negra e ativista dos direitos da comunidade LGBTQIAP+, explicou que desejava representar, no protesto, "pessoas em todo o mundo que estão lutando"
13:05 | Ago. 02, 2021
Autor - AFP
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O Comitê Olímpico dos Estados Unidos expressou apoio à atleta do arremesso de peso Raven Saunders, depois que ela fez o primeiro protesto durante a entrega de medalhas nos Jogos de Tóquio. A atleta de 25 anos, que conquistou a medalha de prata no domingo, formou um X com os braços durante a cerimônia do pódio e disse que era uma mensagem de apoio às pessoas oprimidas.

De acordo com a imprensa americana, Saunders, atleta negra e ativista dos direitos da comunidade LGBTQIAP+, explicou que desejava representar "pessoas em todo o mundo que estão lutando e não têm a plataforma para falar por si mesmas".

O USOPC (Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos) informou que decidiu que o protesto não viola seus próprios regulamentos e que está em discussões com o COI (Comitê Olímpico Internacional) sobre o tema. "O USOPC conduziu sua própria revisão e determinou que a manifestação pacífica de Raven Saunders em apoio à justiça racial e social que aconteceu no fim da cerimônia foi respeitosa com suas rivais e não violou nossas regras relacionadas à manifestações", afirma um comunicado.

O entidade americana flexibilizou sua abordagem a respeito dos atletas que protestam no pódio após uma revisão das regras, motivada pelas manifestações nos Estados Unidos no ano passado após a morte de George Floyd. O protesto de Saunders representa o primeiro teste às regras do COI, que proíbem manifestações de qualquer tipo no pódio de medalhas nas Olimpíadas.

"Minha mensagem é seguir lutando, pressionando e encontrando valor no que você é, em tudo que você faz", disse Raven Saunders após conquistar a medalha de prata. "É importante levar esta medalha de prata, porque represento tantas pessoas diferentes, sei que há muitas pessoas olhando, enviando mensagens e orando por mim", explicou.

"Estou feliz de levar esta medalha para casa, não apenas para mim", disse Saunders.

Reação do COI

O COI ajustou suas regras a respeito dos protestos dos atletas antes dos Jogos. A entidade afirmou que os atletas podem se expressar sobre questões políticas e sociais ao falar com a imprensa, antes e depois da competição, durante reuniões de equipe ou nas redes sociais.

A entidade, no entanto, mantém uma regra rígida contra protestos no pódio e durante cerimônia de entrega das medalhas, o que sugere que Saunders pode, ao menos em tese, ser punida.

O COI não informou se a americana será objeto de uma punição. "Estamos em contato com o Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos e com a World Athletics (federação internacional de atletismo)", afirmou o porta-voz do COI, Mark Adams. "Precisamos entender bem o que aconteceu", completou.

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Olimpíada: Izabela da Silva termina na 11ª posição na final do lançamento de disco

tóquio 2020
2021-08-02 12:21:00
Autor Gazeta Esportiva
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Nesta segunda-feira, 2, foi disputada a final do lançamento de disco feminino nos Jogos Olímpicos de Tóquio. A brasileira Izabela da Silva não conseguiu ficar entre as oito primeiras colocadas após três arremessos, finalizando na 11ª posição com 60,39m.

Izabela foi a primeira brasileira a chegar na decisão desta modalidade nas Olimpíadas. Na primeira rodada de lançamentos, ela fez a nona melhor marca, com 60,39m. Cada atleta ainda teve mais duas tentativas e as que terminaram nas oito primeiras colocações teriam mais três extras na briga pelo pódio.

Na rodada seguinte, o arremesso de Izabela foi invalidado após sair do círculo que determina a área de prova no momento de lançar o disco. Com isso, a brasileira caiu para a décima posição no geral, precisando de 61,80m no terceiro lançamento para ficar em as oito primeiras e seguir da disputa.

Porém, no último arremesso, Izabela da Silva não conseguiu atingir a marca necessária. A brasileira lançou para 59,56m e não conseguiu entre as oito melhores após três lançamentos para seguir na disputa pelo pódio.

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Cearenses nas Olimpíadas: datas e horários das disputas em Tóquio hoje, dia 11

Veja calendário
2021-08-02 12:00:00
Autor Bemfica de Oliva
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No começo da terceira semana da Olimpíada de Tóquio, três atletas nascidos ou radicados no Ceará seguem disputando modalidades nas competições. Confira abaixo as datas e horários de cada partida para a noite desta segunda-feira, 2, e manhã da terça-feira, 3.

Arremesso de dardo feminino

Laila Ferrer nasceu em Sergipe, mas é radicada em Fortaleza, onde cursou Educação Física e, aos 25 anos, começou no arremesso de dardo. Veja o calendário da modalidade:

  • 2/8 (segunda-feira) - 21h20min – Grupo A (Classificatória)
  • 2/8 (segunda-feira) - 22h50min – Grupo B (Classificatória)

Hipismo - Saltos

Nascido em Imperatriz (MA), Marlon Zanotelli viveu dos seis aos 18 anos no Ceará e está nas Olimpíadas de Tóquio.

  • 3/8 (terça-feira) - 7h – Hipismo Saltos individual (eliminatórias)

O calendário completo de disputas dos cearenses nas Olimpíadas de Tóquio pode ser visto clicando neste link.

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Resultados do Brasil na Olimpíada dia 10: liderança no vôlei, ginástica sem medalhas e Isaquías avança

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2021-08-02 12:00:00
Autor Lucas Mota
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O Time Brasil acabou frustrando a expectativa criada por medalhas nas finais da ginástica artística, com participação de Rebeca Andrade e Arthur Zanetti, ao ficar fora do pódio no dia 10 de Olimpíada. Por outro lado, Isaquías Queiroz avançou com a sua dupla na canoagem de velocidade nos 1000m, Alison e Álvaro se classificaram no vôlei de praia e a seleção brasileira de vôlei de quadra concluiu a fase de grupos na liderança.

+ Análise: madrugada sem medalhas para o Brasil no 10º dia olímpico

A delegação brasileira amargou eliminações no vôlei de praia, com Bruno e Evandro, no tênis de mesa, no atletismo e no handebol. O POVO faz o balanço dos resultados do Time Brasil entre a noite de domingo, 1º, até a manhã desta segunda-feira, 2.

Liderança no vôlei
A seleção brasileira de vôlei de quadra feminina concluiu a participação na fase de grupos com vitória tranquila sobre Quênia. Invicta, a equipe do Brasil vai para o mata-mata como a melhor campanha da chave A.

Isaquías e Jacky avançam
A dupla de canoístas brasileiros Isaquias Queiroz e Jacky Godmann está na semifinal da canoagem. Competindo pela categoria C-2 sprint, em corrida de 1.000 metros, eles ficaram em primeiro na bateria das quartas de final na Olimpíada de

Com Rebeca, Zanetti e Caio, ginástica fica sem medalhas
Rebeca Andrade terminou no quinto lugar na final do solo. Arthur Zanetti caiu na saída das argolas e ficou fora do pódio. A queda de Caio Souza no salto também tirou qualquer possibilidade de medalha. Desta forma, o Time Brasil não conseguiu notas suficientes para medalhas no dia 10 na ginástica artística.

Alison e Álvaro estão nas quartas de final
Alison e Álvaro venceram os mexicanos Gaxiola e Rubio, em confronto válido pelas oitavas de final do vôlei de praia masculino. A dupla brasileira sobrou na partida com uma vitória consistente por 2 sets 0 e parciais de 21 a 14 e 21 a 13.

Evandro e Bruno se despedem
A dupla Bruno Schmidt e Evandro Oliveira perdeu nas eliminatórias do vôlei de praia na Olimpíada de Tóquio. Com o resultado a favor da Letônia, os brasileiros se despedem da competição.

Despedida do handebol
O Brasil entrou em quadra entre a noite deste domingo, 1°, e a madrugada desta segunda-feira, 2, pela última rodada da fase de grupos do handebol feminino nas Olimpíadas de Tóquio, contra a França. Para avançar às quartas de final, as brasileiras precisavam vencer ou empatar com as francesas. Contudo, a equipe europeia triunfou por 29 a 22 e eliminou o Brasil da competição.

Brasil está eliminado no tênis de mesa
O Brasil está fora da disputa por equipes no tênis de mesa na Olimpíada de Tóquio. A equipe, com Vitor Ishiy, Gustavo Tsuboi e Hugo Calderano, perdeu a partida das quartas de final contra a Coreia do Sul na madrugada desta segunda-feira, 2.

 

Adiamento na vela
As competições de vela na Olimpíada de Tóquio previstas para esta segunda-feira, 2, foram adiadas. Devido à falta de vento, as regatas não puderam acontecer.

Brasileiras não avançam no atletismo
As brasileiras Ana Carolina Azevedo e Vitória Rosa participaram na noite deste domingo, 1°, das baterias eliminatórias dos 200 metros rasos e não conseguiram avançar de fase na competição. Carolina ficou na quinta colocação de sua prova, com tempo de 23.20, a melhor marca da temporada para a atleta. Vitória, por sua vez, atingiu a marca de 23.59 e terminou na sexta posição.

Jaqueline Ferreira fica em 12º no levantamento de peso
A brasileira Jaqueline Ferreira levantou 215kg na Olimpíada de Tóquio, mas não conseguiu marca suficiente para avançar para as finais. Desta forma, ela se despediu da competição. O ouro ficou com a chinesa Wang Zhouyu, com 270kg.


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Olimpíada: Brasil vence fácil Quênia e confirma primeiro lugar do grupo no vôlei feminino

tóquio 2020
2021-08-02 11:53:00
Autor Júlia Duarte
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A seleção feminina de vôlei do Brasil venceu mais uma e garantiu o primeiro lugar do grupo A nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Com uma vitória tranquila por 3 a 0, o Brasil bateu o Quênia, com parciais de 25/10, 25/16 e 25/8, garantindo 100% de aproveitamento, com 14 pontos.

A seleção brasileira entrou em quadra já classificada, brigando apenas pela liderança. O técnico José Roberto Guimarães não poupou jogadoras e colocou as titulares no jogo. Contra a seleção queniana, as brasileiras não tiveram dificuldades e ditaram o ritmo em todos os sets.

LEIA MAIS: Invicta na Olimpíada, seleção brasileira bate japonesas no vôlei por 3 a 0

O Time Brasil abriu grandes vantagens e conseguiu encaixar bons ataques e saques. As quenianas chegaram a fazer bons pontos, mas não foi suficiente para barrar as brasileiras. O Quênia não somou nenhum ponto na competição e já tinha sido eliminada matematicamente. O grupo está ainda se firmando no esporte sob a direção do brasileiro Luizomar de Moura, treinador do Osasco Vôlei Clube.

O Brasil vai enfrentar, na próxima fase, as atletas da Rússia, que ficaram em quarto lugar no Grupo B. Outro confronto já definido é entre EUA (1º do Grupo B) e República Dominicana (4º do Grupo A).

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Como o quadro de medalhas olímpicas explica a geopolítica

Olimpíadas
2021-08-02 11:18:00
Autor João Marcelo Sena e André Bloc
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A origem das Olimpíadas está intrinsecamente ligada à política. A primeira edição dos Jogos foram ainda no Século XIX, quando as forças se concentravam e se estabeleciam em estados fortes. O Comitê Olímpico Internacional (COI) foi fundado em Paris, na França, em 1894, sendo mais antigo do que nações como Cuba, Catar e as duas Coreias e poucas décadas mais nova do que a unificação de Alemanha e Itália ou mesmo da independência de Argentina, Brasil, Chile e tantos mais.

Nos primeiros Jogos Olímpicos de Verão, Atenas-1896, eram 14 nações, 241 atletas e 9 esportes. Hoje, em Tóquio-2020, são 206 países participantes, cerca de 12 mil competidores em 47 modalidades diferentes. Note-se que a Organização das Nações Unidas (ONU) conta com assentos fixos para 193 Estados-membros.

Atravessando séculos, as Olimpíadas cravam o nome na História. Assim, cada movimento geopolítico relevante deixa a marca nos Jogos. A influência de Adolf Hitler em Berlim-1936 ou da ditadura soviética então liderada por Leonid Brezhnev em Moscou-1980 são movimentos claros de interferência. Mas, para além destes efeitos diretos, o surgimento e queda de grande potências ou a disputa pela hegemonia deixam um rastro.

E esse rastro pode ser lido no quadro de medalhas de cada Olimpíada. 

 

 

A ascensão da União Soviética

Após a II Guerra Mundial, no fim da era Stálin, o governo soviético decide abandonar o boicote que fazia aos Jogos e adere ao Movimento Olímpico estreando em Helsinque-1952 já com o segundo lugar no quadro geral de medalhas. A força da nova potência se confirmaria com as lideranças em Melbourne-1956 e Roma-1960.

 Jogos olímpicos de Moscou, em 1980 (Foto: Foto: Divulgação)
Foto: Foto: Divulgação Jogos olímpicos de Moscou, em 1980

O domínio virou disputa a partir de então, com prevalência dos EUA em Tóquio-1964 e Cidade do México-1968 para ser consolidado pelos soviéticos nos três jogos seguintes: Munique-1972, Montréal-1976 e Moscou-1980, quando foi sede — e sofreu com o boicote dos rivais de alguns outras potências, após ocupação do Afeganistão.

Seguindo o contexto da Guerra Fria, a União Soviética (URSS) boicota os Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984 e volta ao topo em Seul-1988, quando competiu pela última vez.

A URSS disputou apenas nove dos 28 Jogos realizados até Tóquio. O suficiente para, até hoje, seguir como segundo país com maior número de ouros na história.

Nos Jogos de Barcelona (1992), após a dissolução da URSS no fim do ano anterior, 12 das 15 ex-repúblicas soviéticas competem sob bandeira olímpica como equipe unificada — conhecida então como CEI —, e se mantém no topo do quadro.

Herdeira olímpica da URSS, a Rússia tenta manter a tradição nos Jogos, mas vê a China despontar como principal rival política e esportiva dos EUA pós-Guerra Fria. Foram dois segundos lugares em Atlanta-1996 e Sydney-2000; dois terceiros lugares em Atenas-2004 e Pequim-2008; e dois quartos lugares em Londres-2012 e Rio-2016. 

Os Jogos no Rio e os de agora em Tóquio são marcados por uma delegação reduzida, em meio a punições por um esquema de doping institucionalizado que faz o país competir neste ano sob nome e bandeira do “Comitê Olímpico Russo”, também chamado de ROC, pela sigla em russo.


 

 

O efeito soviético na Cortina de Ferro e em Cuba

 

 Ginasta Nadia Comanecci, estrela das olimpíadas de 1980 (Foto: Foto: UPI)
Foto: Foto: UPI Ginasta Nadia Comanecci, estrela das olimpíadas de 1980

O período da Guerra Fria foi também de resultados significativos para alguns países socialistas que não necessariamente tinham economias ou populações tão expressivos quanto a das potências dominantes. Notadamente, surgiram os casos de Bulgária, Cuba, Hungria, Polônia e Romênia.

A partir das décadas de 1960 e 1970, esses cinco países começaram a colher frutos de um forte investimento estatal no esporte aliado a robustos aportes da União Soviética e se tornaram ou se consolidaram como potências olímpicas, quase sempre ocupando o top-10 do quadro de medalhas.

Destaque para um terceiro lugar geral da Bulgária em Moscou-1980; um quarto e um quintos lugares de Cuba em Moscou-1980 e Barcelona-1992, respectivamente; e um segundo lugar da Romênia em Los Angeles-1984. A de se ressaltar, porém, o boicote de potência ocidentais na Olimpíada da capital soviética e da própria URSS na metrópole dos Estados Unidos.

Esses países se tornaram dominantes em esportes específicos e que distribuíam muitas medalhas como boxe e atletismo (Cuba), ginástica (Romênia), lutas e levantamento de peso (Bulgária), atletismo (Polônia), esgrima e natação (Hungria).

O fator URSS pode ser sentido a partir dos anos 1990. Com a queda da Cortina de Ferro, esses países viram os resultados despencarem. No entanto, nos casos de Cuba e Hungria, a tradição esportiva cultivada por décadas ainda faz com que se mantenham entre as 20 maiores forças olímpicas.

 

 

Muro de Berlim é campo de batalha de propaganda

 

Mais impressionante que a União Soviética é o desempenho fulminantes da Alemanha Oriental. A ex-república do lado leste do Muro de Berlim passou a competir separadamente da vizinha do oeste nos Jogos da Cidade do México-1968 e participou apenas cinco vezes. 

Depois de um quinto lugar no México, a Alemanha Oriental conseguiu um terceiro lugar em Munique-1972 e três segundos lugares consecutivos: Montréal-1976, Moscou-1980 e Seul-1988, ficando atrás apenas da URSS e superando os Estados Unidos em 1976 e 1988. Em Los Angeles-1984 houve boicote. 

As participações da Alemanha Oriental também são marcadas por suspeitas de doping institucionalizado, com vários competidores de natação e atletismo, por exemplo, ostentando recordes nos anos 1970 que duram até hoje. Alguns atletas chegaram a admitir esquemas em reportagens décadas depois, 

Após a reunificação, a Alemanha se manteve como potência, sempre figurando no top-6 dos Jogos. 

 

 

Ditadura Militar foi contrafluxo no esporte olímpico brasileiro

 

João Paulo, atleta brasileiro de Salto a Distância  (Foto: Foto: Sport Press)
Foto: Foto: Sport Press João Paulo, atleta brasileiro de Salto a Distância

É comum em alguns países a associação de ditaduras que investem pesado em esporte e bons resultados em termos de medalhas — as comunistas China, Cuba, Coreia do Norte e União Soviética são os exemplos mais óbvios. O caso da ditadura militar brasileira (1964-1985) passa longe dessa realidade. Durante esse período, o Brasil colecionou poucos resultados expressivos em relação à quantidade de medalhas. 

Os militares brasileiros utilizaram o futebol e a seleção brasileira como instrumentos esportivos principais de propaganda, dando pouca ou nenhuma atenção às demais modalidades. 

Nos seis Jogos entre 1964 e 1984, o Brasil conquistou apenas três medalhas de ouro, com desenvolvimento praticamente nulo do esporte. Entre 1920 e 1960 também foram três títulos.

O maior sucesso brasileiro começa a surgir somente após a redemocratização. Mais especificamente nos Jogos de Atlanta-1996 nos quais o Brasil conseguiu 3 ouros e 15 pódios no total, ambos recordes só superados em Atenas-2004 e Pequim-2008, respectivamente.

 

 

O que os Jogos Olímpicos dizem sobre a China de hoje


Observar a evolução de desempenho esportivo da República Popular da China é também entender como o gigante asiático se tornou uma potência política e econômica a partir do fim do último século. Passado o período maoísta, a China passa a se abrir mais para o mundo e dá os primeiros passos nos planos reformistas de Deng Xiaoping na construção do país que nos dias atuais é central em todas as decisões estratégicas na geopolítica.

Tênis de mesa se tornou atração nas Olimpíadas de Pequim(Foto: Foto: Divulgação )
Foto: Foto: Divulgação Tênis de mesa se tornou atração nas Olimpíadas de Pequim

A China estreou apenas nos Jogos de Los Angeles-1984, 35 anos após a chegada do Partido Comunista ao poder. Antes a “China” olímpica era aquela que até a década de 1970 era reconhecida na comunidade internacional como única China: Taiwan ou Formosa ou Taipei, que até hoje ainda participa das disputas. As mudanças de nome passam também pela influência chinesa, inclusive. 

Potência olímpica desde o começo, a República Popular da China só não esteve nas cabeças do quadro de medalhas nos Jogos de Seul-1988. O paralelo entre o crescimento esportivo do país a partir dos anos 1990 com a subida vertiginosa da economia chinesa neste período é inevitável.

Neste século, a China foi terceiro lugar em Sydney-2000) e Rio-2016 e segundo lugar em Atenas-2004 e Londres-2012. O ápice foi em casa. Além da liderança no quadro, os Jogos de Pequim-2008 serviram como o maior símbolo do gigante global que a China quis revelar que se tornaria dali para frente.

 

 

Japão de altos, baixos e cada vez mais altos

 

Naomi Osaka do Japão posa com o troféu da vencedora do Aberto da Austrália de 2021 (Foto: Patrick HAMILTON / AFP)
Foto: Patrick HAMILTON / AFP Naomi Osaka do Japão posa com o troféu da vencedora do Aberto da Austrália de 2021

A história olímpica japonesa é entrecortada por altos e baixos e pela II Guerra Mundial. Antes do conflito, o Japão se mostrava como potência insipiente, tendo bons resultados nos Jogos de Los Angeles-1932 e Berlim (1936). Após ser devastado por duas bombas nucleares e ser excluída da retomada dos Jogos, o país só vai recuperar o bom desempenho 20 anos depois, com o terceiro lugar como anfitrião, em Tóquio-1964, e na Cidade do México-1968.

Ao contrário da maior rival China, o crescimento do Japão não foi refletido imediatamente no quadro de medalhas. Mesmo com a segunda economia do mundo nos anos 1980 e 1990, o país não conseguiu se estabelecer nas primeiras posições daqueles anos.

Apenas a partir de Sydney-2000, o Japão volta a ficar no top-10, com a expectativa de ficar em segundo ou terceiro lugar neste ano em casa.

Curiosidade. Se a escolha de Naomi Osaka este ano para acender a pira olímpica foi cheia de simbolismo por igualdade, o escolhido nos Jogos de Tóquio em 1964 também não foi por acaso. Competidor do atletismo, Yoshinori Sakai nasceu no dia 6 de agosto de 1945 na província de Hiroshima, no mesmo dia em que caía perto dali a primeira e mais devastadoras das bombas atômicas que destruíram o Japão na II Guerra.

 

 

Países de um esporte só

Alguns países sem uma robusta economia ou tradição esportiva conseguem um desempenho esportivo nos Jogos Olímpicos relativamente significativo. É o caso de nações que concentram um grande número de pódios em apenas um esporte específico. Os casos mais notáveis podem ser observados no atletismo. 

Se Usain Bolt é o principal símbolo de uma Jamaica dominante nas provas rápidas, a tradição dos caribenhas precede a geração do raio e de Shelly-Ann Fraser-Price. Das 78 medalhas conquistadas pela Jamaica na história dos Jogos, 77 foram no atletismo. A exceção é David Weller, bronze no ciclismo nos Jogos de Moscou-1980.

Corredor olímpico, Ulsan Bolt, nas competições de Londres(Foto: Foto: AFP)
Foto: Foto: AFP Corredor olímpico, Ulsan Bolt, nas competições de Londres

Casos semelhantes ocorrem nas provas de fundo com Quênia e Etiópia, maiores potências e rivais nas disputas de longa distância. Depois de conquistar na maratona os históricos ouros de Adebe Bikila em Roma-1960 — com os pés descalços — e Tóquio-1964, os etíopes conquistaram 54 medalhas, sendo 22 ouros. Todos no atletismo.

O Quênia tem um desempenho ainda melhor. Das 103 medalhas conquistadas, 96 foram no atletismo e as demais sete no boxe. Para entender o tamanho do poderio do Quênia no atletismo foram 30 medalhas de ouro. Somados todos os esportes desde o início dos Jogos, o Brasil tem o mesmo número ouros.

Acabam sendo exemplos de investimento pontual e com resultado exponencialmente mais relevante.

 

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População enorme não significa sucesso esportivo 


Ter uma megapopulação ou um Produto Interno Bruto (PIB) de peso não significa sucesso olímpico. O principal caso é o da Índia, que tem o segundo maior número de habitantes (1,35 bilhão de pessoas) e a sexta economia do mundo.

Uma primeira explicação é social, pois uma gigantesca parcela da população infantil está na faixa de desnutrição, o que inviabiliza uma cultura em larga escala de esporte olímpico de alto rendimento. Outro ponto é a Índia tem como esporte nacional o críquete, profundamente enraizado no país, mas que não integra o programa olímpico.

Os maiores destaques olímpicos da Índia vêm de outro esporte herdado dos tempos de colonização britânica. Dos nove ouros da Índia, oito foram conquistados no hóquei sobre a grama masculino. O último deles, contudo, no longínquo ano de 1980, em Moscou.

Jogo de críquete, herança britânica, é o mais popular na Índia, mas não tem espaço nos jogos olímpicos(Foto: Foto: Divulgação )
Foto: Foto: Divulgação Jogo de críquete, herança britânica, é o mais popular na Índia, mas não tem espaço nos jogos olímpicos

No ranking de medalhas divididas pela população atual, a Índia é a lanterna entre os 148 países que já subiram ao pódio. Quem domina tal ranking são os países escandinavos, com três das cinco primeiras colocações. A Finlândia tem a melhor média, seguida de Hungria, Suécia, Bahamas e Dinamarca. O Brasil é o 93º do ranking, os EUA são 38º e a China é a 109ª (em que pese ter participado de apenas 9 Jogos).

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