Polônia concede visto humanitário à atleta olímpica expulsa após críticas à federação
Segundo vários veículos da imprensa e uma associação esportiva ligada à oposição bielorrussa, a atleta estaria na embaixada da Polônia em Tóquio
A Polônia concedeu um visto humanitário para a atleta olímpica bielorrussa Kristina Tsimanuskaya, após denunciar que sua equipe tentou obrigá-la a deixar o Japão. O visto foi anunciado pelo vice-ministro polonês dos Assuntos Exteriores, Marcin Przydacz, nesta segunda-feira, 2. A atleta criticou a Federação Bielorrussa de Atletismo, ao afirmar que foi obrigada a participar do revezamento de 4x400 metros, quando inicialmente deveria correr nas provas de 100 e 200 metros.
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Tsimanuskaya "já está em contato direto com diplomatas poloneses em Tóquio. Recebeu um visto humanitário. A Polônia fará o que for necessário para ajudá-la a continuar sua carreira esportiva", tuitou Przydacz. Mais cedo, o marido da atleta, Arseny Zdanevich, havia dito à AFP que Kristina Tsimanuskaya "provavelmente" viajará para a Polônia.
"Provavelmente irá à Polônia", afirmou Zdanevich, de Kiev, aonde chegou por causa do conflito entre sua esposa e as autoridades bielorrussas. "Me encontro em território ucraniano e pretendo me juntar à minha mulher", acrescentou. Zdanevitch disse, porém, não saber onde sua esposa estava no momento. Segundo vários veículos da imprensa e uma associação esportiva ligada à oposição bielorrussa, a atleta estaria na embaixada da Polônia em Tóquio.
"Estivemos em contato ontem e hoje (pela manhã), mas agora não está localizável", disse ele à AFP por volta das 7h (horário de Brasília). Polônia, República Tcheca e Eslováquia se ofereceram para acolher a atleta olímpica bielorrussa. Segundo Alexander Opeikin, diretor-executivo da Fundação Bielorrussa para a Solidariedade Esportiva (BSSF), uma organização que apoia os atletas deste país, Kristina Tsimanuskaya "preencheu os documentos para obter asilo político na Polônia".
Entenda
A atleta foi obrigada a suspender sua participação nos Jogos de Tóquio 2020 depois de ter criticado publicamente sua federação, afirmou neste domingo, 1º, a Fundação Bielorrussa de Solidariedade Esportiva. "Estou segura e estamos decidindo onde passarei a noite", declarou a atleta em um comunicado publicado no Telegram pouco depois das 12h00 (horário de Brasília) pela Fundação Bielorrussa de Solidariedade Esportiva.
"O COI (Comitê Olímpico Internacional) e Tóquio-2020 falaram diretamente com Krystsina Tsymanouskaya esta noite. Está com as autoridades no aeroporto de Haneda e acompanhada por um membro da equipe de Tóquio-2020. Ela disse que se sente segura", confirmou o COI, para quem a atleta pediu ajuda.
O Comitê Olímpico de Belarus, dirigido por Viktor Lukashenko, filho do presidente do país Alexander Lukashenko, afirmou em nota que a atleta teve que suspender sua participação nos Jogos "por decisão dos médicos, devido ao seu estado emocional e psicológico". Uma declaração classificada como "mentira" pela atleta no aeroporto da capital japonesa.
Krystsina Tsimanouskaya criticou a Federação Bielorrussa de Atletismo, ao afirmar que foi obrigada a participar do revezamento de 4x400 metros, quando inicialmente deveria correr nas provas de 100 e 200 metros, devido à quantidade insuficiente de testes antidoping realizados por outros dois atletas bielorrussos.