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Olimpíadas
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Ítalo Ferreira, o campeão olímpico que começou surfando com uma tampa de isopor

O brasileiro ganhou o ouro no surfe na Olimpíada e se tornou o primeiro surfista no lugar mais alto do pódio na estreia da modalidade na competição

12:59 | 27/07/2021
Ítalo Ferreira entre o japonês Kanoa Igarashi (prata) e o australiano Owen Wright (bronze)
 (Foto: Olivier MORIN / AFP)
Ítalo Ferreira entre o japonês Kanoa Igarashi (prata) e o australiano Owen Wright (bronze) (Foto: Olivier MORIN / AFP)

Ítalo Ferreira, primeiro campeão olímpico do surfe, começou a domar as ondas usando como prancha uma tampa de isopor da caixa térmica em que seu pai guardava os peixes que vendia. Anos depois, o atleta de 27 anos conquistou a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos de Tóquio-2020 nesta terça-feira, 27, nas ondas de Chiba, a 100 quilômetros da capital japonesa.

As ondas de Chiba são menores, com vento e às vezes "mais lisas" do que as de outros locais de competição e semelhantes às de Baía Formosa, sua cidade natal no Rio Grande do Norte, disse Ítalo em entrevista à AFP antes dos Jogos. "Para mim não muda muito, já tenho experiência e malícia para surfar nessas condições”, afirmou.

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Desde a infância, as pranchas melhoraram em qualidade e os troféus se acumularam. "Um dia um primo me deu uma prancha quebrada, mas era suficiente e melhor do que isopor. Aí meu pai me comprou uma prancha, ele pagou com um peixe e o resto em dinheiro. A partir daí comecei a surfar um pouco mais", lembra o surfista.

"Viemos de lugares onde temos que nos superar. Cada vitória dá muita garra, muita perseverança, isso nos torna mais profissionais, nos dá mais vontade de vencer", disse ele. Até a adolescência, ele via o que agora é sua profissão como um hobby. Mas passou a disputar torneios locais, aos quais às vezes entrava pedindo dinheiro em mercados e farmácias, e Luiz "Pinga" Campos, renomado descobridor de surfistas, notou seu talento.

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"Foi quando percebi que poderia ir mais longe se me dedicasse totalmente e, assim, cada vez que vencesse um campeonato, poderia ajudar meus pais”, lembrou Ítalo. As expectativas se confirmaram: aos 10 anos, venceu um torneio local, aos 14 se tornou bicampeão mundial Pro Junior, em 2014 foi campeão brasileiro, em 2015 foi admitido na World Surf League (WSL) e em 2019 se tornou o terceiro brasileiro a conquistar o título mundial, depois de Gabriel Medina (2014 e 2018) e Adriano de Souza (2015).

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Disputando a final contra o japonês Kanoa Igarashi, Italo ganhiu a medalha de ouro com 15,14 pontos, enquanto o anfitrião teve 6,60. Nos primeiros minutos da final, Italo chegou a quebrar a prancha que usava para fazer as manobras. Ele recebeu um equipamento reserva da equipe de apoio e seguiu na disputa.

Em entrevista ao SporTV após a final, o surfista se emocionou: "eu só queria que minha vó estivesse viva para ver isso; para ver o que me tornei", disse. "Queria voltar para dar um abraço grande em cada um de vocês. Não só na minha família, mas em todos os brasileiros. Valeu a pena. Obrigado pela torcida", completou.