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Cearense campeã do Pan em 2019 é suspensa por 16 meses por doping: "Fomos vítimas"

Ao Esportes O POVO, jogadora de handebol Elaine Gomes explicou que clube defendia procedimento realizado, e alegou "não ser doping" para as jogadoras, mesmo depois delas questionarem
18:15 | Jun. 22, 2020
Autor Gerson Barbosa
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Gerson Barbosa Repórter Rádio O POVO CBN
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Tipo Notícia

Atleta profissional de handebol, a cearense Elaine Gomes tem vivido um período complicado na sua carreira profissional. Ela foi pega no exame antidoping por uso de um procedimento considerado ilegal pela Agência Mundial de Doping, a Wada, no ano passado. Sem a possibilidade de jogar e com sonho de jogar a Olimpíada de Tóquio, a pivô não está recebendo salários e recorre na justiça para diminuição da punição.

Junto de todas as outras colegas de equipe, que jogam no Corona Brosov, da Romênia, Elaine realizou um procedimento com aplicação de laser intravenosa para melhorar a recuperação física no ano passado a mando do clube. Mesmo as jogadoras tendo questionado, a equipe defendeu que não era doping e acabou realizando uma sessão.

Elaine e as outras 15 jogadoras do Corona Brosov, junto dos dirigentes da equipe, foram considerados culpados e suspensos, em sentença dada no último dia 10 de junho. A cearense tinha 21 dias para recorrer à decisão, o que já fez.

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Ao Esportes O POVO, Elaine revelou se sentir vítima da situação e tem confiança que a pena será reduzida, além de frisar o momento difícil sem receber vencimentos desde dezembro de 2019.

"Já estamos recorrendo e espero que a gente tenha sucesso. Um ano e quatro meses foi uma pena pesada, já perco uma temporada inteira, perdi o Mundial com a seleção (brasileira), sem salário há muito tempo e tem sido muito difícil. Mas é um processo caro e complicado. Para mim foi muito claro que o procedimento nos foi imposto pelo clube, e nós somos vítimas disso. Por isso acredito que teremos a pena reduzida e que eu esteja liberada para jogar este ano", disse a cearense.

Elaine ainda reforça sua integridade, garantindo que não se beneficiaria de algo ilegal. A atleta, porém, descobriu que o procedimento só dá algum benefício às jogadoras depois de várias sessões. As profissionais do Corona Brosov só realizaram uma.

"Eu jamais faria alguma coisa para me beneficiar ilegalmente. Infelizmente tudo isso aconteceu e agora, neste momento, ficou claro que era um procedimento que não pode ser feito. O clube já foi punido, e eu agora só quero conseguir voltar a jogar e colocar a minha vida no lugar novamente. Sempre nos foi informado pelo clube que não era doping", revelou a cearense.

Todo esse momento complicado, todavia, não faz com que Elaine baixe a cabeça para o futuro. A jogadora de 28 anos se mantém confiante na redução da pena, podendo voltar a jogar antes do fim do ano ainda na Europa. Ela revela ter sondagens de alguns clubes europeus, além de continuar sonhando com a Olimpíada de Tóquio, que foi deslocada para 2021.

"Com certeza vou trocar de clube, já tenho algumas sondagens de times da Europa, mas preciso resolver essa pendência para seguir minha vida. Meu foco agora é no congelamento de parte da pena para que consiga jogar essa temporada a partir de setembro. Isso me daria a chance de voltar a treinar, ganhar ritmo de jogo e estar 100% preparada para o meu novo clube e para a seleção brasileira. Meu foco sempre será a Olimpíada de Tóquio, que eu ajudei a conquistar a vaga", declara a jogadora, campeã do Panamericano de Lima em 2019 com o Brasil, que rendeu a vaga nos Jogos Olímpicos.

INÍCIO EM ESCOLA DE FORTALEZA, MUDANÇA PRO SUL DO PAÍS E EUROPA: CONHEÇA ELAINE GOMES

Nascida e criada no bairro Álvaro Weyne, em Fortaleza, Elaine teve o primeiro contato com o handebol nos jogos interclasses da escola em que estudava. Aos poucos foi deixando o vôlei e o futsal para focar no esporte, chegando a ser campeã dos Jogos Escolares do Ceará, podendo ter a oportunidade de disputar os Jogos Escolares Brasileiros.

Com 13 anos, Elaine foi jogar a Copa Campina Grande, na Paraíba, com o Tiradentes, atuando nas categorias infantil e cadete. E foi aí que tudo começou a mudar. Ela conheceu Juninho, um atleta que estava indo jogar handebol em Criciúma. Ele gostou do talento dela e fez a ponte com a equipe. A conversa fluiu e ela assinou o seu primeiro contrato profissional, saindo de Fortaleza em 2007.

O primeiro contato dela na Europa foi no ano seguinte, quando veio a primeira convocação para a seleção brasileira juvenil. Disputou um Mundialito em Veneza, na Itália. Ela explica que essa primeira convocação é um sentimento único que guarda até hoje. "Ver meu nome na lista das convocadas e saber que posso representar o meu país, isso é muito importante", diz ao Esportes O POVO.

Elaine explica ainda que quase disputou a Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016, mas a falta de adaptação com um novo clube na época atrapalhou no rendimento. "Logo após ter jogado o Pan de Toronto em 2015, não me adaptei muito bem ao time que estava jogando, na Dinamarca. Isso atrapalhou a minha temporada. Ainda mais por isso eu dedico toda a minha energia pra voltar a jogar e poder estar na seleção em busca de uma medalha pro meu país", revela.

Campeã Mundial com a Seleção Brasileira, Elaine ainda sonha com uma medalha de Olimpíada e espera que essa seja em Tóquio. O Brasil foi campeão do Pan de Lima em 2019, conquistando a vaga para os Jogos Olímpicos que agora acontecem em 2021. A cearense continua na expectativa de diminuição da pena para que se encaixe novamente com a seleção. Agora em uma Olimpíada.

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